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Friday, October 8, 2010

POSTAL DA AVENIDA: «stop especulação»

Gaveto da Avenida da Liberdade com a Rua das Pretas. Um novo, e banal, edifício de serviços erguido sob os escombros de um exemplar da arquitectura lisboeta dos finais do séc. XIX/início do séc. XX. O património arquitectonico da avenida está praticamente reduzido a uma dúzia de imóveis dignos dessa classificação. Tudo o resto que tem surgido nos últimos 30/40 anos não passa de um catálogo do pior que a capital faz em matéria de imobiliário. Desde criminosas demolições integrais, ao preverso "fachadismo" e pseudo "traça antiga", passando pelo despachado e autista "corporate business" até ao patético PoMo, quase tudo o que não se devia fazer numa avenida histórica foi concretizado sem grandes hesitações. O novo PUALZE pouco ou nada fará para alterar este cenário.

Saturday, May 29, 2010

REPÚBLICA DE FACHADA: Calçada da Estrela 129

Esta obra, que visa a manutenção do uso habitacional, recebeu da CML licença para demolir integralmente o miolo do edifício a fachada tardoz e as duas empenas. Motivos? Dizem que apresentava um medíocre estado de conservação geral. Afirmam que a empena lateral apresentava ausência total de tinta. E dizem ainda que no interior, já adulterado, havia fendas, manchas negras de humidade e tectos com zonas de estuque caído, etc.. Mas a razão central para esta opção pela demolição em vez da reabilitação autêntica é outra já bem conhecida: o modelo de mobilidade insustentável que a CML, Estado e sociedade em geral continuam a alimentar cegamente. Porque afinal foi também aprovada pela CML a ampliação da área de implantação do edifício sobre o logradouro para permitir o habitual estacionamento subterrâneo para as viaturas de transporte individual. Por essa razão será mantido apenas uma parcela permeável do logradouro. E no alçado principal uma porta original dará lugar a esse simbolo ainda tão adorado, o "portão de garagem". De que vale então ser um imóvel em "Zona Histórica Habitacional" e em "Núcleo de Interesse Histórico" (PDM) e ainda estar na "Área de Protecção especial" de um "Monumento Nacional" (Palácio de S. Bento)? Em Portugal esta pergunta tem quase sempre a mesma resposta: «Fachada». Este será mais uma construção nova em Lisboa com uma máscara antiga.
É preocupante constatar que a arquitectura pombalina na BAIXA e CHIADO está a ser vítima também deste fachadismo, desta desvalorização dos conteúdos dos edifícios.

Saturday, March 27, 2010

LISBOA É...

...um notável portal barroco mas profusamente guarnecido de caixilharia de alumínio e cabos. Muitos cabos! Este imóvel está presente na Carta Municipal do Património. E pode ser visto na Rua de São Paulo, junto do Ascensor da Bica (MN).

Tuesday, March 9, 2010

Lisboa é metade limpa e metade porca

Este edifício partiu de um convite que a CML fez em 1945 ao Arq. Cristino da Silva para um «Plano Parcial de Urbanização da zona compreendida entre a Praça dos Restauradores e a Praça D. João da Câmara». O projecto para este novo edifício que a Sociedade Industrial Aliança acabaria por erguer ficou pronto em 1948. Segundo os desenhos do projecto original sempre houve um piso recuado. Mas, conforme se vê nesta foto, o problema é que se acrescenta quase sempre um novo "piso" para as instalações técnicas (ar-condicinado, antenas de telemóveis, etc.). Enquanto a CML não exigir que as coberturas, em particular na Baixa, sejam rigorosamente tratadas também como "fachada" - a 5ª fachada - assistiremos à proliferação de telhados caóticos em toda a zona. Metade do imóvel foi vendido e remodelado para instalação de uma unidade hoteleira de 5 estrelas. Quanto à outra metade do edifício, está no estado em que se vê: a proprietária é a Caixa Geral de Depósitos e o seu arrendatário, os Serviços Sociais do Ministério da Justiça. Mais palavras para quê?

Wednesday, February 10, 2010

Exposição: WMF PRESERVING MODERN ARCHITECTURE

WORLD MONUMENTS FUND EXHIBITION ON PRESERVING MODERN ARCHITECTURE

Cities and towns across America routinely demolish their modern architecture, without giving the buildings a chance to be preserved and adaptively restored.

Why this happens, and what we can do to save 50 years of modernist architecture, is addressed in Modernism at Risk: Modern Solutions for Saving Modern Landmarks, a traveling exhibition organized by the World Monuments Fund (WMF) and sponsored by Knoll, Inc. Opening on February 17 at the Center for Architecture, 536 LaGuardia Place, the exhibition will be on view there through May 1, 2010.

A project of WMF's Modernism at Risk program (http://www.wmf.org/advocacy/modernism), the exhibition features large-scale photographs by noted photographer Andrew Moore and interpretative panels on five case studies that explore the role designers and other advocacy groups play in preserving modern landmarks.

"For decades the World Monuments Fund has worked to save heritage sites around the globe, from early settlements to 20th-century architecture," said Bonnie Burnham, WMF President. "While modern buildings face the same physical threats as ancient structures, they are too often overlooked as insignificant, not important enough to preserve. We launched our Modernism at Risk initiative to advocate for these often ignored buildings and to address their special needs. And, through this traveling exhibition, we hope to draw many more advocates to our cause. We are especially pleased that it is now here in New York, at the Center for Architecture, where we hope hundreds of people will see the show and add their voices to ours on the importance of preserving our modern heritage."

(...)

"Architecture isn't just about building new buildings," said AIANY President Anthony Schirripa, FAIA, "It's also about celebrating our architectural history. Preserving modernist landmarks should be a goal not only for the design community, but for all communities that want to celebrate the diversity and richness of modern architecture in their midst. I hope this exhibition will begin a dialogue amongst New Yorkers about how, and why, modernism matters, and that it inspires us to each contribute in our own way to the World Monuments Fund's valuable mission of saving these extraordinary buildings."

The Center for Architecture

The Center for Architecture is a destination for all interested in the built environment. It is home to the American Institute of Architects New York Chapter and the Center for Architecture Foundation, vibrant nonprofit organizations that provide resources to both the public and building industry professionals. Through exhibitions, programs, and special events, the Center aims to improve the quality and sustainability of the built environment, foster exchange between the design, construction, and real estate communities, and encourage collaborations across the city and globe. The Center also celebrates New York's vibrant architecture, explores its urban fabric, shares community resources, and provides opportunities for scholarship. As the city's leading cultural institution focusing on architecture, the Center drives positive change through the power of design.

Foto: Museu Guggenheim, restaurado em 2009 por ocasião dos 50 anos.

Tuesday, January 19, 2010

Estranha Hotelaria: marquises em hoteis

Até os hoteis de Lisboa adoptam a horrenda marquise lisboeta para "adornar" os edifícios! A anomalia é vista como coisa positiva. E este exemplo, na Rua Mouzinho da Silveira (zona Av. Liberdade/Marquês de Pombal) não é propriamente hotel de subúrbio ou de "beira de estrada". Será que a hotelaria nacional não percebe que os turistas preferiam poder gozar uma refeição ou bebida numa bela esplanada com vista sobre a cidade? Porque é que esta gente tem de abarracar tudo? Mas o pior exemplo de marquise, numa unidade hoteleira do centro de Lisboa, talvez ainda seja a do Hotel Mundial! Esta marquise gigante domina o skyline da Praça da Figueira. Enfim, Lisboa é mesmo a capital europeia da marquise.

Saturday, July 18, 2009

«as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras»

Exposição: Pancho Guedes — Vitruvius Mozambicanus
Museu Colecção Berardo - Centro Cultural de Belém
18 Maio - 16 Agosto

Aberto todos os dias, das 10h às 19h. Entrada gratuita

«Em toda a parte as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras, quase como os aeroportos. Não é através de regras, dogmas, ditames, piruetas ou assasinatos que a cidade será devolvida aos seus cidadãos. Só através do poder da imaginação a cidade se tornará maravilhosa.

Os passeios da minha infância - aqueles passeios portugueses em calçada preta e branca - deram-me a possibilidade de ver como uma cidade pode ser transformada numa cadeia de delícias.

Quando voltei a casa vindo de África pela primeira vez, aos seis anos, as ruas íngremes, os elevadores disfarçados de eléctricos horizontais, e os eléctricos propriamente ditos, barulhentos e com campainhas a tinir, os pátios e átrios de pastelarias e cafés, a Rossio movimentado, atafulhado com fontes, com a sua enorme coluna, os anúncios, os sinais de trânsito (cheios de pombos) e o enorme e plano Terreiro do Paço (uma imensidão a seguir à grelha apertada da Baixa pombalina) fizeram-me compreender Lisboa e viver nela como se fosse a minha casa.»

Nesta exposição, Pancho Guedes (n. 1925, Lisboa) reúne a sua prodigiosa e original produção de desenhos, quadros e esculturas e mostra como estes contribuíram para as formas, as ideias e o espírito das muitas arquitecturas diferentes e pessoais que criou. A sua ligação com África, sobretudo com Moçambique, permitiu que Pancho se libertasse dos constrangimentos mais restritos das ideias habituais sobre a arte.

As arquitecturas de Pancho Guedes vão de explorações extravagantemente opulentas e pessoais do espaço e da forma, nas quais as artes plásticas se misturam e se fundem, até edifícios austeros e esparsos desenhados para respeitar condições financeiras difíceis e rigorosas, sem limites claramente identificáveis. Em todos os casos, as criações resultantes não são de forma alguma diminuídas pelas circunstâncias da sua materialização. Todas as suas criações se encontram imbuídas de almas individuais, distintas, que falam e sorriem orgulhosamente, mesmo quando diminuídas pela idade e pelo uso abusivo. Pancho Guedes continua a desenhar, a melhorar e a construir modelos dos seus edifícios, mesmo os há muito construídos. A relação com a vida de muitas das suas obras está, assim, liberta do seu objectivo restrito, e estas encontram facilmente o caminho para a escultura, a pintura e o desenho, e também para conversas exageradas.


Foto: Rua Ivens, 1-15. A sistemática demolição do património arquitectónico é uma das razões da perda de personalidade das cidades.

Sunday, March 1, 2009

AV. da LIBERDADE, 163 a 173: novo «prédio estore»

Esta imagem mostra uma intervenção recente nos vãos da Av. da Liberdade, 163 a 173. A fachada deste elegante prédio está assim desfigurada depois da instalação de estores. Este imóvel de qualidade dos finais do séc. XIX, para além de estar incluido numa zona Em Vias de Classificação (Avenida da Liberdade), tem como vizinho directo o Cinema São Jorge, classificado Imóvel de Interesse Público. É lamentável ainda acontecerem este tipo de intervenções desqualificadoras em edifícios património. Alguém imagina isto nas avenidas centrais de Barcelona ou Madrid? Já para não falar em Paris, Londres, Viena...

A instalação de caixilharias e estores de alumínio/plástico em edifícios património é um problema que se tem vindo a intensificar com consequências negativas nos bairros e zonas históricas das cidades portuguesas. O ambiente urbano histórico está a perder os seus detalhes, a sua autenticidade. O genuíno e único é substituído por banalidades escolhidas por catálogo e ao sabor do freguês. Não é possível ambicionar por um turismo de qualidade com centros históricos feitos de plástico, alumínio e cimento.

Friday, December 12, 2008

SIZA: «20 anos do Incêndio do Chiado» em debate no CNC

«20 anos do Incêndio do Chiado» é o tema da próxima edição do Jornal Falado que se irá realizar no dia 15 de Dezembro, às 18h30 no Ciber-Chiado do Centro Nacional de Cultura, no Largo do Picadeiro nº 10 - 1º.

O Arquitecto Álvaro Siza Vieira, e outros convidados, falarão sobre o projecto de reconstrução, em que uma das apostas foi a devolução ao público dos logradouros entre edifícios. A conversa abordará também a realidade actual desta zona histórica assim como os projectos futuros.

O debate será moderado pelo Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura.

ENTRADA LIVRE

Foto: as imaginativas novas "mansardas" do Hospital da Ordem Terceira (ilegais?)