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Saturday, August 18, 2012

O Estado da nossa Cultura: MUSEU DE SETÚBAL









Num anexo da Igreja do antigo Convento de Jesus (MN) funciona há vários anos a famosa Galeria de Pintura Quinhentista. O que estas imagens mostram só pode criar indignação e profunda tristeza.
 
A vergonhosa situação em que se encontra o edifício do Convento de Jesus é um autêntico murro no estomâgo de qualquer cidadão consciente do enorme valor nacional das colecções deste museu. Mas a demora do projecto de reabilitação/reconversão do convento em passar do papel para a realidade é, infelizmente, apenas mais um caso entre muitos pelo país fora  (outro exemplo vergonhoso é o do Museu de Beja).
 
A simples aproximação, entrada e visita da temporária (já quase permanente!) exposição na Galeria de Pintura Quinhentista constitui uma experiência sem qualquer dignidade, uma verdadeira vergonha nacional. Entramos por uma porta do tipo "oficina de reparação de automóveis" para dentro de um pátio repleto de sinais de degradação e obras abandonadas. Uma placa metálica do tipo das que vemos nas "auto-estradas" manda-nos subir por umas escadas ingremes que nos levam até uma bruta porta de grades. Nada nos sugere que estamos a entrar num museu que contém alguns tesouros nacionais de Portugal (e como será se um cidadão de mobilidade reduzida desejar visitar a Galeria?).
 
É necessário adquirir bilhete de ingresso para este Museu.  
 
Tão importante museu/colecção da cidade de Setúbal (e de Portugal!) merece, com certeza, um esforço maior de todos para que as coisas mudem. Esperamos que para breve se resolva de uma vez por todas a situação grave em que se encontra há demasiado tempo o Museu de Setúbal.

Wednesday, August 3, 2011

Festival dos Oceanos no MUSEU do TEATRO ROMANO

Inserido no Festival dos Oceanos, evento que decorrerá na cidade de Lisboa entre os dias 30 de Julho a 13 de Agosto, o Museu do Teatro Romano associa-se a este evento através do alargamento do período de abertura - até às 24h, nos dias 4 e 11 de Agosto. Nestes dias, haverá visitas guiadas às 18.30h onde serão divulgados os mais recentes resultados das últimas campanhas arqueológicas.

Friday, February 12, 2010

Prioridades Estratégicas do Ministério da Cultura: os personagens esquecidos

Ministério da Cultura - PRIORIDADES ESTRATÉGICAS:

EIXO 1

Reenquadramento do sistema de gestão dos museus tutelados pelo MC/IMC

1. 1 Transição faseada para as tutelas municipais, ou afectação a Direcções Regionais de Cultura, de alguns dos vinte e oito museus do MC/IMC, seleccionados com base em critérios patrimoniais e museológicos e assentes em contratos-programa.

1.2 Reprogramação e reabertura do Museu de Arte Popular.

1.3 Reprogramação e abertura do Museu dos Coches em construção nova.

1.4 Reprogramação e transferência do Museu Nacional de Arqueologia para o edifício da Cordoaria Nacional.

1.5 Constituição de uma rede integrada dos equipamentos culturais no eixo Ajuda/Belém, Lisboa, com as parcerias da autarquia e da Associação de Turismo de Lisboa.

1.6 Constituição de uma Rede Nacional de Reservas Arqueológicas, com a parceria estratégica do IGESPAR.

1.7 Decisão sobre o destino do edifício e das colecções da Casa-Museu Manuel Mendes (Belém, Lisboa)

1.8 Estudo de viabilidade e programação de uma nova unidade museológica dedicada à viagem, à língua e à diáspora do povo português.

1.9 Projecto de recuperação dos espaços do antigo Gabinete de História Natural da Ajuda(1764-1836), em parceria com o Instituto Superior de Agronomia.

Estranhamos a ausência dos seguintes personagens neste cenário planeado pela nova Ministra, como por exemplo:

1-Museu do Chiado (ainda não há data para o início das obras de alargamento do único museu nacional de arte contemporânea do país; desde a sua abertura, em 1911, que se fala na necessidade de aumentar o espaço de exposição!)

2-Museu da Música (instalado num anexo de uma estação de Metro desde 1994; aguarda por uma casa definitiva desde a sua inauguração em 1911!)

3-Museu / Instituto da Arquitectura (Portugal é o único país da UE que ainda não tem uma instituição desta natureza!)

4-Museu de Etnologia do Porto (encerrado desde 1992 porque o Palácio de S. João Novo, onde se encontra instalado, precisa de uma intervenção profunda; ainda sem data para obras!)

Porque continuam esquecidos estes personagens maiores da Cultura Nacional?

Foto: Maqueta de Rigoletto da autoria de Tomás Alcaide, 1964 (Museu da Música)

Wednesday, October 28, 2009

HOJE: 7 anos do encerramento do Arquivo Histórico de Lisboa

Faz hoje exactamente 7 anos que o pólo do Arquivo Histórico do Arquivo Municipal de Lisboa encerrou ao público. Motivo: não tem instalações.

E como vai sendo habitual, não houve qualquer notícia nos Media. Já ninguém parece dar grande importância ao facto. Possíveis novos túneis, "hoteis de charme", novos silos da Emel para estacionamento ou a nova travessia do Tejo são vistos como assuntos mais relevantes.

Mas é importante recordar que desde o dia 28 de Outubro de 2002 que o Arquivo Histórico da nossa cidade não está disponível para consulta. Os munícipes de Lisboa, os restantes cidadãos do país (afinal é o arquivo da capital...) e os investigadores estrangeiros (fomos capital de um império durante séculos...) estão pura e simplesmente privados de consultar o Arquivo Histórico da cidade de Lisboa. Haverá outra capital da UE nestas condições de terceiro mundo?

Quanto aos restantes pólos: o Arquivo Intermédio está "temporariamente" arrumado nas garagens em cave de um imóvel de habitação social no Bairro da Liberdade. Quem o frequenta sabe que no inverno é comum ver a Sala de Leitura decorada com caixas de plástico recolhendo a água da chuva. Quanto ao pólo do Arco Cego, é um milagre ainda não ter sido consumido por um incêndio...

Os funcionários dos Arquivos Municipais são esquecidos e uma espécie de "parentes pobres" da máquina da autarquia.

Mas afinal, estamos a falar de um equipamento cultural. Os milhões de euros que a CML já gastou em flores para os canteiros da Av. da Liberdade assim como os milhões gastos em iluminações de Natal, teriam dado para um Arquivo Municipal como aqueles que vemos em Madrid ou Amesterdão.

Estamos na altura de exigir ao novo executivo, que tomará posse no próximo dia 3 de Novembro, uma solução para os Arquivos Municipais.

Lisboa merece um Arquivo digno da sua História.

Imagem: Atlas da Carta Topográfica de Lisboa - 1857 -Planta 26 (Largo do Rato)

Wednesday, June 18, 2008

BAIXA: Vamos aprender com um plano que tem 250 anos


«Lisboa estava destruída, mas um grupo de arquitectos e urbanistas pensava já no futuro: em 1758, três anos após o terramoto, já havia um novo plano para a cidade e o Marquês dava luz verde à reconstrução da Baixa. Passaram 250 anos. Uma exposição no Terreiro do Paço desafia-nos agora a pensar a cidade à luz desse plano.

Ainda a população de Lisboa não tinha recuperado do terrível choque do terramoto de 1755, seguido de um maremoto e vários incêndios que destruíram grande parte da cidade, e já Manuel da Maia tinha prontos os desenhos do que poderia ser a nova cidade moderna. Em Abril de 1756, cinco meses depois da tragédia, o engenheiro-mor do Reino apresentava ao poder a sua proposta. "Ele tinha passado a vida toda a trabalhar sobre Lisboa, e naquele momento percebeu que o poder político estava disposto a avançar", explica Walter Rossa, que é, com Ana Tostões (ambos especialistas em História da Arquitectura), um dos comissários da exposição 1758 - O Plano da Baixa Hoje, que é inaugurada hoje no Pátio da Galé, Terreiro do Paço, em Lisboa, onde fica até 1 de Novembro (o design é do atelier de Henrique Cayatte).

Estão criadas as condições para aquele que será "o primeiro plano consequente da história do urbanismo mundial que conjuga três componentes: o desenho, a legislação específica e um sistema de financiamento". Estava aberto o caminho à construção da Baixa Pombalina. Passaram 250 anos desde que, a 12 de Junho de 1758, surgiu o diploma com o plano para a reconstrução do centro da cidade, assinado por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel a partir da proposta de Manuel da Maia. A data é o pretexto aproveitado pela câmara municipal para apresentar esta exposição e relançar o debate sobre o que fazer da Baixa, numa altura em que o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, quer avançar rapidamente com o projecto de revitalização da zona.

Dentro do Pátio da Galé podemos, literalmente, caminhar sobre um mapa de Lisboa, e perceber as linhas traçadas há 250 anos pelos engenheiros e urbanistas e a forma como a cidade absorveu, e adaptou, esse plano. E isso ajuda-nos a perceber o que é essencial no desenho original da Baixa, e o que não é. Ou, resume Walter Rossa, "o que é que se pode transformar e o que é que tem que se preservar".

Plano elástico e resistente
"Esta não é uma exposição sobre história ou arquitectura, é sobre urbanismo", sublinha Ana Tostões. E mostra, segundo a comissária, que "o plano de 1758 é tão elástico e tão resistente que ainda hoje o vemos", apesar do que lhe fomos fazendo por cima, e dos "corpos estranhos" que nele fomos introduzindo. E "corpos estranhos" são, por exemplo, "tudo o que se acrescentou à frente da Praça do Comércio", todos os aterros que aí foram sendo feitos. A diferença entre o passado e o presente fica clara numa enorme fotografia dos anos 30, em que se vê como o rio chegava até junto da praça, que era fechada do lado esquerdo, não havendo obviamente circulação de automóveis. Curiosamente, lembra Walter Rossa, o próprio Terreiro do Paço é um aterro - já o era no século XVI e foi duplicado com o plano pombalino. Mas o que este plano nunca previu foi que o trânsito passasse por ali, cortando a praça do rio, como acontece actualmente.

"Coragem" - é esta a palavra que Manuel Salgado utiliza para explicar que, se queremos "pôr a bater de novo o coração de Lisboa", têm que ser tomadas "uma série de medidas para reduzir o número de veículos que circulam nesta zona". Uma das razões que muita gente invoca para não querer viver na Baixa é, segundo o vereador, o excesso de ruído e a poluição no ar, duas consequências da enorme quantidade de carros que por ali passam todos os dias. Outro "corpo estranho", prossegue Ana Tostões, é o chamado "quinto alçado" - os acrescentos e transformações que foram feitos em muitos edifícios da Baixa, alterando formas e volumetrias. Outra transformação, mais invisível mas igualmente preocupante, é, diz Walter Rossa, o desaparecimento, em alguns edifícios, do sistema de gaiola (uma maqueta dessa gaiola pode ser vista na exposição, mas curiosamente não existem contratos nem desenhos originais que nos ajudem a traçar a origem da gaiola), que permite que, em caso de terramoto, os prédios se desloquem em conjunto, evitando o desmoronamento. Como este sistema tem uma lógica de quarteirão, se é retirado de um dos prédios (geralmente para tornar as paredes mais estreitas e assim ganhar espaço), isso afecta toda a estrutura. "É como dançar cancan", explica Walter Rossa, "se uma pessoa que não sabe dançar entra no grupo, as outras, que estão coordenadas, chocam com ela e caem todas". Há, portanto, várias razões para se manter a lógica de quarteirão na Baixa, tal como prevista no plano de 1758, defendem os dois comissários. Por outro lado - e agora é já Manuel Salgado a falar - é preciso modernizar os edifícios, para atrair empresas e moradores. "Estamos já a trabalhar para ver o que pode ser feito em cada um dos edifícios", afirma o vereador. "Como podemos aumentar a resistência aos sismos, aos incêndios, oferecer mais condições de conforto." Numa zona em que há muitos moradores idosos, pode-se estudar, por exemplo, como integrar elevadores nos edifícios.

Cinco dos desenhos velhinhos de dois séculos e meio com as primeiras propostas de Manuel da Maia estão em exposição no Pátio da Galé, numa sala "presidida" pelo retrato imponente do Marquês de Pombal, símbolo da vontade política de reconstruir uma cidade a partir do zero - tinha havido na Europa outros exemplos de catástrofes mas nunca se tinha ido tão longe como se foi em Lisboa. Os governantes "aproveitaram o estado de choque das pessoas, o que lhes permitiu ter ideias mais ousadas", explica Walter Rossa.

Sala negra e misteriosa
Hoje a situação é diferente. Não houve um terramoto. Mas a Baixa foi resvalando, lentamente, para uma situação de abandono e decadência. E para a tirar daí é também preciso vontade política. Manuel Salgado sabe disso: "O plano por si só não chega. Um dos aspectos mais importantes há 250 anos é que houve medidas administrativas e financeiras que tornaram possível a concretização das ideias." Na exposição, isso é mostrado com humor. Depois da sala em que estão expostos os cinco projectos de Manuel da Maia (o sexto, que veio a dar origem ao plano de 1758, desapareceu) entramos numa outra sala completamente negra. "Isto representa os dois anos, entre a proposta de 56 de Manuel da Maia e o plano de 1758, em que não sabemos exactamente o que aconteceu e se calhar nunca viremos a saber", explica Walter Rossa. É o período em que se aplica uma legislação "violenta" para ultrapassar problemas de direitos de propriedade, em que se fazem negócios menos claros, mas indispensáveis para criar as condições que permitiram avançar com a construção da Baixa. Mais tarde, durante o romantismo, a Baixa, com as suas linhas direitas e lógica "a regra e esquadro", foi frequentemente mal-amada. Dizia-se, lembra Ana Tostões, que tinha uma "monotonia que gela".

A zona enfrenta uma "travessia do deserto", mas, ao mesmo tempo, o plano inicial vai-se humanizando, permitindo que se abram praças, que surjam cafés, lojas, comércio, teatros como o São Carlos e o D. Maria II. Cria-se, desde o início, uma diferença entre a Baixa e o Chiado - este, com "um desenho mais livre, mais arejado, é apropriado pela burguesia endinheirada e mais vocacionado para a habitação", afirma Walter Rossa, enquanto a Baixa é sobretudo o centro económico, comercial, político. Características que se mantêm hoje. "Continuamos a ter aqui os elementos principais de um centro financeiro, com o Ministério das Finanças, o Banco de Portugal e a estrutura central de outras instituições financeiras", frisa Manuel Salgado. Mas há também "muitos espaços inutilizados, vazios, onde é possível instalar pequenas e médias empresas. Para isso temos que melhorar as condições de acesso, de telecomunicações, prevendo sistemas modernos, fibras ópticas, por exemplo, que a Baixa neste momento não tem". A isto, defende o vereador, devem somar-se instituições culturais (o novo Museu do Design e da Moda, na antiga sede do BNU, ou o Museu do Banco de Portugal na Igreja de São Julião) e, nos pisos térreos do Terreiro do Paço, locais para exposições, cafés, restaurantes.

O Pátio da Galé - onde agora pode ser vista a exposição sobre o plano da Baixa - poderá vir a transformar-se num núcleo do Museu da Cidade ligado à reconstrução pós-terramoto, admite Salgado. "Uma estrutura que em permanência dê a conhecer o que foi esta extraordinária epopeia." Foi há 250 anos que um grupo de homens fez, pela primeira vez, um plano que via Lisboa de uma forma integrada, e reconstruiu, pela primeira vez, uma cidade moderna por cima dos escombros de uma cidade antiga.»

Por Alexandra Prado Coelho, hoje no Público
FOTO: prédio pombalino para venda na Rua do Ouro

Thursday, June 12, 2008

ANTIGO 'CHIADO TERRASSE' FAZ HOJE 100 ANOS


O antigo cinema CHIADO TERRASSE, na Rua António Maria Cardoso, faz hoje 100 anos. Lisboa precisa de lembrar esta data e aproveitar a ocasião para lançar um debate sobre o futuro desta esquecida mas pioneira sala de cinema.

De facto, o bairro do Chiado está intimamente ligado aos primeiros passos do cinema em Portugal. Foi na Rua do Loreto que se inaugurou o primeiro espaço dedicado exclusivamente aos espectáculos de cinema, o popular Salão "Ideal". As suas portas abriram ao público em 1904 por iniciativa do industrial Júlio Costa, proprietário da empresa de filmes "Ideal".

Foi na sequência desta tradição que se inaugurou o CHIADO TERRASSE a 12 de Junho de 1908, na Rua António Maria Cardoso (antiga Rua do Tesouro Velho). Era um Animatógrapho ao ar livre como se pode perceber pela noticia publicada na véspera da sua inauguração oficial:

"Chiado Terrasse: A novidade da semana é a inauguração do novo animatógrapho, ao ar livre, da rua do Thesouro Velho. Os proprietários do Chiado Terrasse contractaram uma excelente orquestra de distintos professores, para que todas as noites ali haja um magnífico concerto musical. No dia da inauguração, que só se realiza amanhã, apresentam-se sete quadros novos em Portugal. O prazível recinto será profusamente iluminado a luz eléctrica, devendo produzir óptimo efeito."
(in O Século, 11 de Junho de 1908, página 3)

O CHIADO TERRASSE, propriedade de Albino José Baptista sendo secretário Sabino Correia Jr, era destinado a um público mais aristocrata, uma vez que os espectadores dispunham de um serviço de restaurante. Foi o primeiro "cinema", especialmente construido para o efeito, em Lisboa. Transformou-se desde o início numa das mais importantes salas de Lisboa, pelas suas instalações, pelos seus programas, pela sua variedade, não esquecendo o êxito do animatógrafo "falado".

Em 1910, iniciam-se obras de melhoramento na sala, construíndo ainda um espaço exterior, que se designou por esplanada, funcionando como mais um elemento de atracção. Em 1911, o arquitecto Tertuliano de Lacerda Marques (1833-1942) redesenhou a fachada, em gosto mais erudito, fim-de-século. A partir de 1916, os responsáveis deste espaço passaram a ser António Augusto Tittel e Alberto do Valle Colaço. Começam logo por fazer transformações no edifício, dando-lhe o aspecto exterior que manteria até ao seu encerramento, bem como a construção de um pequeno palco, que seria utilizado mais tarde por uma companhia de revista. Pouco tempo depois, mudou novamente de mãos, passando para a responsabilidade de Arthur Emúz. Em 1921 passou a apresentar também números de variedades. Nos anos 30 foi remodelado internamente, em desenho Art-Deco.

Em 1972 o CHIADO TERRASSE cessa actividade e no final da década um projecto para transformação do cinema em edificio de escritórios conduz à lamentável demolição dos interiores.

O grupo Caixa Geral de Depósitos, actual proprietário do antigo CHIADO TERRASSE, poderia dar o exemplo libertando o imóvel da sua actual ocupação terciária, devolvendo-o assim à cidade, ao Chiado. Seria necessário realizar um novo projecto de interiores porque, do imóvel original, já pouco resta para além da fachada de 1911 do arquitecto Tertuliano Lacerda Marques.

Apesar do Chiado ter sido o berço das primeiras salas para espectáculos cinematográficos da capital, actualmente não existe, em toda a Baixa-Chiado, qualquer sala de cinema. Mas para o desenvolvimento sustentável do Chiado enquanto bairro de cultura será essencial a existência de uma sala de cinema.

Que o CINEMA volte ao Chiado!

O Centro Nacional de Cultura está a organizar uma série de eventos para comemorar o centenário do antigo CHIADO TERRASSE.


FOTO: o Chiado Terrasse em 1911 por Joshua Benoliel (Arquivo Fotográfico Municipal)

Tuesday, June 10, 2008

MUSEU DO CHIADO: uma 'Revolução Cinética' por favor!


O projecto de expansão do Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea, voltou a ser falado. Mais uma vez se refere a saída do Governo Civil de Lisboa para que o museu possa conquistar o espaço que tanto precisa para se afirmar como museu nacional. Mas o plano de expansão fisica do Museu do Chiado já tem mais de 15 anos (já é falado práticamente desde o dia da inauguração das actuais instalações). Será que é desta que vamos ter um verdadeiro Museu Nacional de Arte Contemporânea? Ou será preciso uma revolução para "desalojar" o Governo Civil de Lisboa?

Como cidadão, vejo com muita preocupação o longo esquecimento a que foi votado o projecto vital de alargamento das suas instalações.

Como é possível um museu público, nacional, e que vai fazer em breve 100 anos de existência, continue práticamente com o mesmo tamanho que tinha à data da sua inauguração em 1911?
Em 1911 o país tinha 6 milhões de habitantes mas hoje somos mais de 10 milhões.

Lisboa deve ser a única capital da comunidade europeia onde tal absurdo pode ocorrer.

Mas o Museu do Chiado está de parabéns pelo bom trabalho desenvolvido nas últimas décadas, apesar do subfinanciamento crónico que tem penalizado todos os que trabalham na cultura em Portugal. Prova disso é a exposição "Revolução Cinética". Aproveitem os feriados para visitar o Museu do Chiado.