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Monday, July 2, 2012

PUBLI-CIDADE: Sede do DN na Avenida da Liberdade (IIP)

Será aceitável que a fachada de um edifício classificado como de INTERESSE PÚBLICO seja tapada com uma mega tela de publicidade? Foi isso que o DN, a EGEAC e a CML fizeram com a sede do DN na Avenida da Liberdade (IIP). Será que o IGESPAR deu parecer de aprovação? Mandam as boas práticas que a publicidade institucional se adapte às características arquitectónicas do imóvel - e nunca o contrário como acontece neste caso. É mais um exemplo do assalto que todos os anos se faz ao património arquitectónico de Lisboa.

Sunday, November 6, 2011

FALSA REABILITAÇÃO: a patética "nova" antiga Engomadoria Ramiro Leão

Na Travessa da Pena existia um interessante edifício industrial dos finais do séc. XIX: era a antiga engomadoria Ramiro Leão. O imóvel estava identificado no PDM na carta municipal do Património. Mas um dia o proprietário resolveu demolir o imóvel na sua totalidade - um acto da maior barbaridade, um exemplo de ilegalidade total. Mais tarde a CML "obrigou" à sua "reconstrução"... mas nos ridículos moldes em que foi feito - sem qualquer atenção a valores de autenticidade (vejam as pobres caixilharias de alumínio lacado)! Para "reconstruir"assim, à Disneilândia, mais valia estarem quietos e pensarem num edifício novo de qualidade que não fosse uma vergonha para as futuras gerações. Isto que lá está é uma ofensa ao património. Não tem valor patrimonial nenhum - é tudo 100% novo, nada resta da fábrica original do edifício. Falsa reabilitação no seu pior!

Tuesday, March 9, 2010

Lisboa é metade limpa e metade porca

Este edifício partiu de um convite que a CML fez em 1945 ao Arq. Cristino da Silva para um «Plano Parcial de Urbanização da zona compreendida entre a Praça dos Restauradores e a Praça D. João da Câmara». O projecto para este novo edifício que a Sociedade Industrial Aliança acabaria por erguer ficou pronto em 1948. Segundo os desenhos do projecto original sempre houve um piso recuado. Mas, conforme se vê nesta foto, o problema é que se acrescenta quase sempre um novo "piso" para as instalações técnicas (ar-condicinado, antenas de telemóveis, etc.). Enquanto a CML não exigir que as coberturas, em particular na Baixa, sejam rigorosamente tratadas também como "fachada" - a 5ª fachada - assistiremos à proliferação de telhados caóticos em toda a zona. Metade do imóvel foi vendido e remodelado para instalação de uma unidade hoteleira de 5 estrelas. Quanto à outra metade do edifício, está no estado em que se vê: a proprietária é a Caixa Geral de Depósitos e o seu arrendatário, os Serviços Sociais do Ministério da Justiça. Mais palavras para quê?

Wednesday, February 10, 2010

Exposição: WMF PRESERVING MODERN ARCHITECTURE

WORLD MONUMENTS FUND EXHIBITION ON PRESERVING MODERN ARCHITECTURE

Cities and towns across America routinely demolish their modern architecture, without giving the buildings a chance to be preserved and adaptively restored.

Why this happens, and what we can do to save 50 years of modernist architecture, is addressed in Modernism at Risk: Modern Solutions for Saving Modern Landmarks, a traveling exhibition organized by the World Monuments Fund (WMF) and sponsored by Knoll, Inc. Opening on February 17 at the Center for Architecture, 536 LaGuardia Place, the exhibition will be on view there through May 1, 2010.

A project of WMF's Modernism at Risk program (http://www.wmf.org/advocacy/modernism), the exhibition features large-scale photographs by noted photographer Andrew Moore and interpretative panels on five case studies that explore the role designers and other advocacy groups play in preserving modern landmarks.

"For decades the World Monuments Fund has worked to save heritage sites around the globe, from early settlements to 20th-century architecture," said Bonnie Burnham, WMF President. "While modern buildings face the same physical threats as ancient structures, they are too often overlooked as insignificant, not important enough to preserve. We launched our Modernism at Risk initiative to advocate for these often ignored buildings and to address their special needs. And, through this traveling exhibition, we hope to draw many more advocates to our cause. We are especially pleased that it is now here in New York, at the Center for Architecture, where we hope hundreds of people will see the show and add their voices to ours on the importance of preserving our modern heritage."

(...)

"Architecture isn't just about building new buildings," said AIANY President Anthony Schirripa, FAIA, "It's also about celebrating our architectural history. Preserving modernist landmarks should be a goal not only for the design community, but for all communities that want to celebrate the diversity and richness of modern architecture in their midst. I hope this exhibition will begin a dialogue amongst New Yorkers about how, and why, modernism matters, and that it inspires us to each contribute in our own way to the World Monuments Fund's valuable mission of saving these extraordinary buildings."

The Center for Architecture

The Center for Architecture is a destination for all interested in the built environment. It is home to the American Institute of Architects New York Chapter and the Center for Architecture Foundation, vibrant nonprofit organizations that provide resources to both the public and building industry professionals. Through exhibitions, programs, and special events, the Center aims to improve the quality and sustainability of the built environment, foster exchange between the design, construction, and real estate communities, and encourage collaborations across the city and globe. The Center also celebrates New York's vibrant architecture, explores its urban fabric, shares community resources, and provides opportunities for scholarship. As the city's leading cultural institution focusing on architecture, the Center drives positive change through the power of design.

Foto: Museu Guggenheim, restaurado em 2009 por ocasião dos 50 anos.

Saturday, December 19, 2009

demolição + 5 caves + fachada centenária = Reabilitação à Portuguesa



Edifício centenário de Lisboa dá origem a projecto de escritórios

Um edifício datado do início do século XX, na Avenida da República, em Lisboa, vai dar lugar a um empreendimento de escritórios. Trata-se de uma operação de reabilitação urbana [sic], levada a cabo pela construtora Rui Ribeiro, que preservará as fachadas daquele edifício, demolindo todo o seu interior [sic].

Com conclusão prevista para 2011, este novo projecto, com 6.700 m² acima do solo, compreenderá sete pisos, cinco caves e 100 lugares de estacionamento. Cada piso disporá de uma área de 950 m².

Segundo revelou a construtora Rui Ribeiro, o edifício de escritórios poderá ser ocupado por uma empresa ou por várias, conforme o desfecho do processo de comercialização em curso.

“A escolha desta localização para a atracção do sector terciário deve-se às boas acessibilidades que o imóvel apresenta, encontrando-se o mesmo numa das zonas mais nobres de Lisboa” [sic], revelou aquela empresa. in Público 16-12-2009

Nota: manter uma fachada descontextualizada, destruir a totalidade dos interiores e impermeabilizar logradouros com caves para estacionamento é «reabilitação urbana»? Não. Isto é uma construção nova, muito mal disfarçada. Isto foi mais um crime contra o Património Cultural de Lisboa. Este artigo é um paradigma das confusões e ignorâncias que reinam na nossa sociedade. Só faltava dizer que isto também é uma obra "green", com uma pegada ecológica pequena!

Saturday, July 18, 2009

«as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras»

Exposição: Pancho Guedes — Vitruvius Mozambicanus
Museu Colecção Berardo - Centro Cultural de Belém
18 Maio - 16 Agosto

Aberto todos os dias, das 10h às 19h. Entrada gratuita

«Em toda a parte as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras, quase como os aeroportos. Não é através de regras, dogmas, ditames, piruetas ou assasinatos que a cidade será devolvida aos seus cidadãos. Só através do poder da imaginação a cidade se tornará maravilhosa.

Os passeios da minha infância - aqueles passeios portugueses em calçada preta e branca - deram-me a possibilidade de ver como uma cidade pode ser transformada numa cadeia de delícias.

Quando voltei a casa vindo de África pela primeira vez, aos seis anos, as ruas íngremes, os elevadores disfarçados de eléctricos horizontais, e os eléctricos propriamente ditos, barulhentos e com campainhas a tinir, os pátios e átrios de pastelarias e cafés, a Rossio movimentado, atafulhado com fontes, com a sua enorme coluna, os anúncios, os sinais de trânsito (cheios de pombos) e o enorme e plano Terreiro do Paço (uma imensidão a seguir à grelha apertada da Baixa pombalina) fizeram-me compreender Lisboa e viver nela como se fosse a minha casa.»

Nesta exposição, Pancho Guedes (n. 1925, Lisboa) reúne a sua prodigiosa e original produção de desenhos, quadros e esculturas e mostra como estes contribuíram para as formas, as ideias e o espírito das muitas arquitecturas diferentes e pessoais que criou. A sua ligação com África, sobretudo com Moçambique, permitiu que Pancho se libertasse dos constrangimentos mais restritos das ideias habituais sobre a arte.

As arquitecturas de Pancho Guedes vão de explorações extravagantemente opulentas e pessoais do espaço e da forma, nas quais as artes plásticas se misturam e se fundem, até edifícios austeros e esparsos desenhados para respeitar condições financeiras difíceis e rigorosas, sem limites claramente identificáveis. Em todos os casos, as criações resultantes não são de forma alguma diminuídas pelas circunstâncias da sua materialização. Todas as suas criações se encontram imbuídas de almas individuais, distintas, que falam e sorriem orgulhosamente, mesmo quando diminuídas pela idade e pelo uso abusivo. Pancho Guedes continua a desenhar, a melhorar e a construir modelos dos seus edifícios, mesmo os há muito construídos. A relação com a vida de muitas das suas obras está, assim, liberta do seu objectivo restrito, e estas encontram facilmente o caminho para a escultura, a pintura e o desenho, e também para conversas exageradas.


Foto: Rua Ivens, 1-15. A sistemática demolição do património arquitectónico é uma das razões da perda de personalidade das cidades.