Monday, September 23, 2013
Wednesday, June 1, 2011
Esplanadas no T. Paço, chacun "s'arrange"?
Enquanto do lado nascente o promotor (alguém sabe quem é e ao que vem?) monta um estaminé à maneira, com as proporções e as estruturas que bem entende... Imagino que seja o mesmo promotor a explorar futuramente todo o espaço do antigo refeitório do Ministério das Finanças.
Do lado poente há 3 esplanadas de dimensões à vontade do freguês, não se entendendo o porquê de tal coisa, sobretudo depois de nos dizerem que as esplanadas na Baixa iriam ser isto e aqueloutro... talvez a Baixa da CML seja diferente da da Frente Tejo. Porque não respeitam o enfiamento do prédio da esquina do TPaço com a Rua do Ouro, alinhando as três esplanadas pela de dimensão média, por exemplo?
Fotos: VB
Thursday, March 3, 2011
Café e gelados na esplanada que é um oásis no Terreiro do Paço

In Público (3/3/2011)
«A oferta não é inédita, mas serve muito bem para um pequeno-almoço, um café a meio da manhã, um snack para a convencionada hora de almoço, ou para um gelado ou refrigerante nos momentos de relax a partir do fim da tarde. Abriu na sexta-feira, fica no Terreiro do Paço, a céu descoberto, ao lado das arcadas. Ainda que seja apenas uma esplanada, limpa de referências publicitárias, é a primeira a abrir após a renovação da monumental praça de Lisboa, de tal forma que é um oásis na praça. E é garantido que passará a figurar nas fotos de férias. A geladaria que a serve, a Paço d"Água, está instalada no Pátio da Galé, a que se acede pelos arcadas do Terreiro do Paço. Das 9h00 às 20h30 - no Verão até às 23h00 -, a oferta é bastante variada. O serviço é atencioso e os funcionários têm o cuidado de deslocar mesas e cadeiras seguindo o horário solar. O café custa um euro. Carlos Filipe»
Friday, October 1, 2010
Terreiro do Paço acolhe espectáculo multimédia
Telma Roque
«Todas as noites, entre hoje, sexta-feira, e domingo, o Terreiro do Paço estará transformado numa gigantesca máquina do tempo através de um espectáculo multimédia que recriará momentos marcantes da história da capital. Um deles é o terramoto. Os edifícios vão mesmo ruir, haverá gritos de horror, violentos incêndios, mas tudo não passará de efeitos especiais que dão uma sensação de filme a três dimensões.
Inédito no país, o espectáculo, com animação e efeitos de vídeo ?mapping?, acaba por não ter paralelo também a nível internacional, pela dimensão da zona de projecção.
A Sociedade Frente Tejo, a quem foi entregue a requalificação da frente ribeirinha de Lisboa, vai usar como tela toda a fachada do Arco da Rua Augusta, entre as ruas do Ouro e da Prata.
De acordo com a Frente Tejo, os espectáculos ? dois por noite, às 21.30 e meia-noite, com a duração de 10 minutos ? têm uma dupla finalidade. Além de estarem inseridos nas comemorações do Centenário da República, acabam também por ser o primeiro grande evento num espaço que foi recentemente requalificado.
“Esta é uma iniciativa para as pessoas e com as pessoas. Será também uma marca indelével e afectiva das pessoas em relação ao novo espaço e um primeiro passo para a utilização lúdica do local, tanto diurna como nocturna”, justifica a Sociedade Frente Tejo.»
Thursday, September 30, 2010
Acto digno de ópera-bufa
Wednesday, August 11, 2010
Terreiro do Paço - Novos holofotes, piso estragado


Chegado por e-mail:
«Boas
se quiserem aproveitar as fotos que tirei hoje com os novos candeeiros tipo holofote e ao piso (já) estragado:
http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=61696883&postcount=1971
Pedro Costa»
...
Um verdadeiro nojo, o estado actual do piso, e uma verdadeira escandaleira a nova iluminação do Terreiro do Paço. Quanto é que isto custou ao erário público? E quanto vai custar para repor a dignidade?
Friday, August 6, 2010
No Terreiro do Paço continua-se a semear lixo:
(exterior e interior) da praça
...
Decididamente, a Frente Tejo é uma frente de mau gosto. Não contentes com os novos candeeiros do Terreiro do Paço, já apelidados, e bem, de periscópios, continuam a poluir a praça a seu bel-prazer. Não dá para acreditar que o Presidente da CML concorde com este lixo!!
Tuesday, July 13, 2010
Lisboetas criticam novos candeeiros do Terreiro do Paço
Cristiano Pereira
«Um grupo de cidadãos tem manifestado o seu descontentamento com o tipo de candeeiros novos que foram colocados no Terreiro do Paço, em Lisboa. Critica-se o uso de candeeiros de traço moderno e questiona-se sobre o destino dado aos candeeiros de época.
Estão lá há pouco mais de uma semana mas não estão a ser bem recebidos pela população e até já há quem lhes chame, em tom de gozo, os “periscópios”. Os novos candeeiros públicos do Terreiro do Paço são uma espécie de cilindro metálico de traço minimal e moderno que, na óptica de Paulo Ferrero, do Movimento Fórum Cidadania Lisboa, “são um exemplo de mau gosto”.
O grupo de cidadãos acabou de enviar uma carta à autarquia na qual vincam o seu desacordo perante a medida da Câmara em “marcar uma praça barroca com o traço da contemporaneidade como se de nova zona urbana da cidade se tratasse”.
Paulo Ferrero admitiu ao JN que o novo Terreiro do Paço “está muito melhor do que estava” antes das obras de requalificação, mas sublinha que urge corrigir aquilo que, na carta à autarquia, é designado por “erro patrimonial”. O grupo de cidadãos sublinha ainda que não é a primeira vez que este executivo comete este erro, relembrando “experiências medíocres verificadas na Praça da Figueira ou no Campo Pequeno”.
“Não conseguimos compreender como é que a CML continua a abater os candeeiros de época, na sua maioria do século XIX”, questionam, criticando “a prática de aquisições de exemplares esteticamente dissonantes sempre que se leva a cabo uma operação de requalificação do espaço público”.
Contactada pelo JN, a Câmara remeteu esclarecimentos para a Sociedade Frente Tejo que, por sua vez, desvalorizou as críticas. “Eles são contra o Terreiro do Paço”, disse, impaciente, Maria João Rocha, do departamento de Comunicação da Sociedade Frente Tejo, lembrando “que os projectos foram aprovados em discussão pública”.»
Monday, July 12, 2010
Os novos candeeiros do Terreiro do Paço
Estes são os novos candeeiros do Terreiro do Paço. Primos direitos dos "magníficos" exemplares da Praça da Figueira e/ou do Campo Pequeno. Não se compreende nem aceita que a CML/Frente Tejo tenha pura e simplesmente deitado fora os candeeiros antigos e/ou não tenha encomendado réplicas de antigos, de maior dimensão (semelhantes aos da Praça do Município, Praça da Figueira e Rossio), de modo a embelezar o Terreiro do Paço, mesmo que apostasse numa fileira de exemplares modernos, altos e "amigos do ambiente" mas que passassem despercebidos. Não, preferiram deixar a "marca de designer" e torná-los o centro da atenção, qual elemento espúrio institucional. Uma palermice completa, exemplo de mau gosto e mau "fazer cidade". Na última foto pode-se ver uma das resistentes colunas de iluminação séc. XIX, possivelmente na calha para o abate como fizeram com as gémeas que pontilhavam as namoradeiras do muro ao longo do rio.
Sunday, May 9, 2010
Planos de pormenor no Terreiro do Paço
Grelhas quadradas completamente dissonantes aplicadas nos cruzamentos das bordaduras em lioz dos losangos. Como é possível esta situação?! Por que não mandaram fazer grelhas à medida, de modo a que o alinhamento fosse perfeito? Assim parece obra feita por empresa de vão-de-escada, em roda livre.
Cimento a rematar a aplicação da pedra junto ao plinto da estátua?!!


Pedra mal cortada nos remates da placa central junto aos cantos desta no enfiamento do Cais das Colunas e dos torreões (por que não mandaram cortar a pedra de modo a evitar-se esta coisa inacreditável? director de obra, existe ou faz que existe?)

Métrica mal calculada na aplicação das placas de lioz junto aos arcos, que permite que haja coluna sim, coluna não, completamente desalinhada com a linha de pedra lioz. Como é possível?
Espero que tudo isto seja remediado mais tarde, caso contrário é uma anedota, tratando-se, como se trata, de uma obra supostamente feita "com todos os matadores".
...
Assim como espero que a intervenção, que agora prosseguir, tratará de recuperar, por exemplo:

Os pináculos ao cimo dos cantos das fachadas com a Rua do Arsenal (lado da placa ao assassinato a D.Carlos) e com a Rua do Ouro (lado do STJ), que continuam presos por cabos...
Estas lombas no asfalto, no cruzamento com a Rua do Ouro, totalmente absurdas, e que demonstram a total dissonância entre CML, Carris e, agora, Frente Tejo.
Saturday, October 24, 2009
Terreiro do Paço - "Cartas de Marear", não, por favor, Sr. Presidente da CML!

Thursday, October 15, 2009
A sangue frio
Sou completamente avesso a intervenções de arquitectos que desfigurem obra patrimonial de grandes construtores do passado - como é o caso da Praça do Comércio, obra genial de um dos mais maiores arquitectos de Lisboa.
Imagine-se que passava pela cabeça de um pintor contemporâneo propor uma intervenção que tornasse mais "modernas" AS TENTAÇÕES DE SANTO ANTÃO, ou pela de um cineasta minimalista cortar dois planos e introduzir um feito agora num filme do Chaplin ou do Hitchcock. NINGUÉM DE BOM SENSO ESTARIA DE ACORDO.
Porquê então haver quem pense que é legítimo amputar, remodelar, alterar o que tão rigorosamente foi planeado e construído por um grande arquitecto, autor de uma das mais belas Praças do mundo ?
Acabe-se de vez com a sanha interventora dos senhores arquitectos.
Mexer na Praça do Comércio é não entender a lógica da sua colocação naquele exacto ponto da Baixa Pombalina, onde de Norte se sai pelo rio para sul ou daqui se chega a Lisboa e, pelos flancos, se liga o Oriente a Ocidente.
A Praça do Comércio abre e liga Lisboa a novos Mundos.
Os arquitectos contemporâneos que intervenham naquilo que andam fazendo.
Já se esqueceram da vergonha que foi a destruição do Eden Teatro, dessoutro grande arquitecto de Lisboa que foi Cassiano Branco ?
Aprendam a descobrir Lisboa e a luz vinda do rio-mar em que se envolve, esse Rio Tejo misteriosamente aberto num mar mediterraneo a seus pés, um mar que começa exactamente no mais belo cais com que uma cidade ao mar se possa juntar.
Só que este foi o mar que nos levou a outros mundos e também não se conhece outro cais como o Cais das Colunas - essa nossa "saudade de pedra" cuja configuração ninguém tem o direito de alterar sob pena de estar a apunhalar Lisboa.
A sangue frio.
José Fonseca e Costa
Monday, October 5, 2009
«Terreiro do Paço renovado na Páscoa»

A requalificação do Terreiro do Paço, em Lisboa, ficará concluída até à Páscoa. O "timing" não é religioso, mas turístico. António Costa confessou que quer rentabilizar a Semana Santa e deixar os espanhóis "boquiabertos".Agora que a megaempreitada de saneamento terminou na Praça do Comércio, as atenções voltam-se para a requalificação de todo o espaço. É preciso, por exemplo, alargar passeios, pintar fachadas e libertar os pisos térreos para o comércio e hotelaria.
O presidente da Câmara de Lisboa desafiou a Frente Tejo a imprimir um ritmo mais acelerado para que tudo esteja pronto até à Páscoa. "Nesta altura, a cidade recebe muitos visitantes, sobretudo espanhóis. Queremos recebê-los com todo o esplendor", disse ontem António Costa na cerimónia que assinalou o fim das obras de saneamento e que contou com a presença dos ministros do Ambiente e da Presidência.
O projecto que vingou após o período de discussão, prevê que a transição da placa central para o Cais das Colunas se faça com dois degraus, uma plataforma e outros dois degraus, em vez do anterior desnível de cinco degraus.
A "passadeira" que marcava o percurso da Rua Augusta até ao Cais das Colunas, foi esbatida, fazendo-se agora ao mesmo nível, em lioz. Na placa central, não haverá losango verde nem degraus em redor da estátua de D. José I, mas um círculo de pedra, num tom suave, com cerca de 30 centímetros de altura.
António Costa e a Sociedade Frente Tejo aproveitaram ainda a cerimónia de ontem para apresentar publicamente a maqueta do futuro parque urbano da Ribeira das Naus, junto aos edifícios da Marinha. Um parque que será complementar ao novo Terreiro do Paço, definido como um espaço acolhedor, com sombras e onde houve a preocupação cultural de "desenterrar património".
Biencard Cruz, presidente da Frente Tejo, revelou que será desenterrado o antigo cais da Caldeirinha. A doca seca também ficará à mostra, o mesmo acontecendo com as fundações do Palácio Corte Real (que ruiu no terramoto), que tomam a forma de uma estação arqueológica acessível ao público.
Segundo o desenho ontem apresentado, serão ainda recriadas as antigas rampas de lançamento dos barcos (vão ter relva para servir de espaço de lazer) e uma praia urbana a lembrar a que existiu antes de 1755, com uma escadaria para permitir que os lisboetas possam molhar os pés no rio Tejo.
Falta agora acertar um perímetro de protecção ao edificado da Marinha, que ficará inacessível para o público, e concluir o projecto para que a obra esteja pronta em 2011. O estudo prévio tem tido "uma boa aceitação geral" e a Câmara já deu parecer favorável.
in JN, 29 de Setembro de 2009
Thursday, October 1, 2009
VOLUNTARIADO DE APOIO AOS SEM-ABRIGO: 2 de Outubro
VOLUNTARIADO DE APOIO AOS SEM-ABRIGOINFONATURE.ORG - NÚCLEO DE SOLIDARIEDADE
Projectos de apoio aos sem-abrigo e pessoas carenciadas
DIA 2 DE OUTUBRO
Ponto de encontro: 20.30h no Jardim Constantino (Metro Saldanha ou Arroios)
Contactos: Marta Leandro 96 424 68 98 (é necessário confirmar presença)
O que pode levar: alimentos como frutas / bolachas / sandes / chá / etc (p.f. não cozinhe carnes de propósito para levar, somos uma organização que promove o vegetarianismo. Saiba porque em http://www.avp.org.pt/ ), roupas, calçado, livros, cobertores, entre outros objectos que achar útil para distribuir pelos sem-abrigo.
Saiba mais do que pode levar, do que se vai fazer e do projecto em si através do link http://infonature.org/site-pt/node/19
Foto: Sem-abrigo nas arcadas da Praça do Comércio (2006)
Saturday, July 25, 2009
Praça do Comércio: o que se falava em Novembro de 2007
Por Alexandra Prado Coelho A florista acha que vendia mais no Cais do Sodré. Os vendedores de artesanato urbano estão dispostos a esperar para ver. Os curiosos passeiam-se por ali, espreitam os espectáculos. Há quem se queixe da falta de cafés. Há quem comente "isto com árvores é que era fixe".
A discussão sobre o que fazer no Terreiro do Paço está instalada - pelo menos entre os que por ali passam aos domingos desde que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu que nesses dias a praça é fechada ao trânsito e "devolvida às pessoas".
Para já, e durante um ano, há animação - grupos a tocar, jogos tradicionais, feira do livro, uma carruagem com cavalo para dar a volta à praça, espectáculos e exposições no claustro do Ministério das Finanças, filmes (no redescoberto Páteo da Galé, por baixo das arcadas) para ver como era dantes aquela que muitos consideram a mais bela praça de Portugal e até da Europa.
A esplanada - a única que existe - com café e um euro e vinte está cheia. Não há carros a passar, mas há várias carrinhas de apoio estacionadas no meio da praça, que durante anos foi um parque de estacionamento, depois um estaleiro de obras e que, mesmo depois de se ter libertado de tudo isso, parece ter continuado esquecida pelos lisboetas. Discuta-se, então, o futuro.
As árvores, por exemplo. Pode-se começar por aí. Walter Rossa, investigador da história da arquitectura, urbanismo e património e autor de, entre outros livros sobre o tema, Além da Baixa, Indícios de Planeamento Urbano na Lisboa Setecentista (edição do Ippar) sublinha que ainda não passou pelo Terreiro do Paço aos domingos desde que a iniciativa começou, mas não tem dúvidas quanto a essa questão: "Não passaria pela cabeça de ninguém plantar um bosque em torno das Pirâmides. Se as pessoas querem andar à sombra podem andar por baixo das arcadas [em redor da praça].
"Já houve, no passado, árvores em redor da praça e, explica a vereadora da Câmara Municipal para a Educação, Juventude e Cultura, Rosália Vargas, a intenção da Câmara é fazer essa experiência novamente - por isso, em Março, no início da Primavera, serão colocadas árvores, mas em vasos, apenas para estudar o efeito. Porque a praça é, neste momento, "um grande campo experimental de ideias".
Trânsito "opressivo"
Duas coisas parecem unânimes entre os arquitectos ouvidos pelo P2. A primeira é que o grande problema do Terreiro do Paço é o trânsito (o acidente com duas vítimas mortais e um ferido grave, há uns dias, veio mostrar que este é um problema com consequências muito mais graves do que a de afastar as pessoas do local). É a "cintura de trânsito, muito intenso, opressivo" que torna a praça muito pouco convidativa para passear ou estar numa esplanada, diz Pedro Reis, responsável pela recente reabilitação do Museu de Elvas e morador na Baixa, a curta distância do Terreiro do Paço. O actual problema dos domingos - em que o coro de buzinas dos carros que ficam presos em engarrafamentos rivaliza com a música que se toca na praça - tem a ver, segundo Pedro Reis, com problemas de organização. "Quando há cortes de trânsito é preciso informar as pessoas a tempo de elas poderem alterar o percurso.
"Pode haver algum trânsito local, mas pensar naquela zona como uma via rápida é a morte", defende o também arquitecto Pedro Ressano Garcia, que há muito tempo tem vindo a pensar a zona ribeirinha de Lisboa. Reduzir substancialmente o trânsito é, aliás, para Ressano Garcia, a única intervenção de fundo que necessita o Terreiro do Paço, o único ponto da zona ribeirinha que não sofreu nos séculos anteriores as alterações profundas que acabaram por afastar Lisboa do rio. "Tínhamos uma cidade toda aberta para o rio. O Terreiro do Paço foi o único que sobrou e é por isso que adquiriu um estatuto icónico."
Também Walter Rossa lamenta "a manutenção da Rua do Ouro e da Prata como vias rápidas, em que nem um táxi pode parar", o que, diz, lhes impede de "terem uma vivência que podia contribuir para a dinamização da Baixa"."Atentos às buzinadelas"Ao cortar o trânsito aos domingos, a câmara está, de certa forma, a testar possibilidades. "Estamos muito atentos às buzinadelas que ouvimos", garante a vereadora, "e que querem dizer que o trânsito não está a fluir como gostaríamos". Mas todas as semanas são feitas reuniões de avaliação e a questão do trânsito tem estado no centro das discussões.
Outro ponto consensual é que nada deve acontecer de forma permanente na placa central da praça, um espaço que Walter Rossa descreve como "essencialmente de contemplação e de afirmação do poder". "Não há em todo o mundo nenhuma praça com aquela natureza, de ostentação do poder, aberta para o rio", explica. O crítico de arquitectura Diogo Lopes, que está temporariamente ausente de Portugal e por isso ainda não viu o Terreiro do Paço aos domingos sem trânsito, defende também que "aquele espaço passa pela vivência daquele vazio" e que "criar pequenos acontecimentos vai contra a sua natureza".
Diogo Lopes confessa mesmo que lhe agrada "saber que ainda ali estão ministérios", porque acha importante que se salvaguarde "a continuidade funcional e temporal daquela estrutura para que ela continue hoje a fazer sentido". Mas se esse lado de representação do poder é importante, ele deve ser "compatibilizado ou interceptado com outros tipos de usos".
Deixar o centro livre foi o que propuseram José Adrião e Pedro Pacheco quando, em 1992, venceram um concurso para a reabilitação do Terreiro do Paço (projecto ainda por concretizar e substituído por outro provisório, dos mesmos arquitectos, e que é o que ainda hoje se mantém): "O Terreiro do Paço é um espaço de silêncio e contemplação para a leitura do rio, que é o quarto alçado daquela praça. O espaço central deve ser sempre de silêncio", diz Adrião. A ideia dos dois arquitectos era que no terreiro fossem instaladas caixas elevatórias que podiam subir e descer, com ligações para cabos eléctricos, para eventos lúdicos pontuais.
Contra o "horror ao vazio"
Diogo Lopes - sublinhando sempre que não viu ainda a animação dos domingos - é de opinião de que deve haver "momentos pontuais de apropriação", mas não se deve "instaurar um programa permanente de animação". Há em Portugal um certo "horror ao vazio", mas "há tantos sítios em que não se passa nada, e aquele é um sítio para não se passar nada na maior parte do tempo".
Concordando que "na placa central não deve acontecer nada", Pedro Reis compreende, no entanto, que "numa fase de arranque" seja necessário criar alguma animação na praça (embora pense que é importante a Câmara dar mais indicações sobre os planos que tem para o futuro do Terreiro do Paço). "Ter uma praça disponível na cidade é uma coisa nova. E as pessoas não estão habituadas a usar aquele espaço, que durante muito tempo foi um parque de estacionamento e depois esteve em obras", diz Pedro Reis. O que lhe parece mais interessante, contudo, é explorar o "potencial enorme" que existe em redor da praça, debaixo das arcadas, nos pátios dos ministérios, durante décadas escondidos dos lisboetas e agora (pelo menos alguns) reabertos.
Alguns desses locais, como o Pátio da Galé, são o que a vereadora Rosália Vargas chama as "âncoras" do projecto de animação. Mas nada do que se passa no Terreiro do Paço - e que está previsto até Setembro de 2008, com reforço de programação em domingos que coincidam com datas mais significativas, como o São Martinho - é definitivo, sublinha.
O que quer a câmara? E o que é que a câmara gostaria de ver naquele espaço? "Restauração de qualidade, bons cafés, bares, um hotel, um museu, lojas de qualidade." Quanto à placa central, "deve ser preenchida de quando em quando, ninguém aguentaria uma programação permanente de grande dimensão para aquele espaço".
Durante os próximos meses, a câmara está aberta a propostas de grupos, organizações, artistas, todos os que tenham ideias para animar a praça aos domingos (foram, por exemplo, enviadas cartas a todas as escolas de música da cidade convidando-as a apresentarem-se ali). Todos concordam que o Terreiro do Paço não pode transformar-se naquilo que Walter Rossa descreve como "uma espécie de Luna Park da cidade". Mas que deve ser pensado, planeado e objecto de um plano integrado de toda a Baixa. "Não vejo mal nenhum em que se façam experiências e se corram riscos", conclui José Adrião - que no seu projecto de 1992 com Pedro Pacheco já previa galerias e cafés nos pisos térreos e a transformação dos claustros em espaços públicos - "mas essas experiências devem ser utilizadas com um fim muito explícito", diz Adrião. "Há 15 anos que se anda a falar disto. Porque é que demora tanto tempo é um mistério."
Fotos: aspectos da infeliz iniciativa municipal «Aos Domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas»
Friday, July 17, 2009
Wednesday, June 17, 2009
Presidente do ACP desvenda o seu sonho para a Av. Ribeira das Naus
O presidente do ACP, Carlos Barbosa, desvendou ontem o seu sonho para a Avenida da Ribeira das Naus, Avenida Vinte e Quatro de Julho e Avenida Infante D. Henrique (ver visualização em cima): um total de 20 faixas de rodagem, sobre um mega-estacionamento subterrâneo com capacidade para 55 mil lugares.Tuesday, June 9, 2009
Friday, June 5, 2009
Projecto para o Terreiro do Paço "desvirtua con ceito de praça barroca"
«A directora do Museu dos Coches, Silvana Bessone, entende que o projecto de reformulação do Terreiro do Paço "desvirtua o conceito de praça barroca" que presidiu à criação da Praça do Comércio após o terramoto de 1755.
"Achei o desenho horrível e como historiadora de arte fiquei impressionada", diz Silvana Bessone, que assinou ontem a petição online a exigir a abertura de uma discussão pública sobre o futuro da principal praça do país. Uma pretensão que não é bem acolhida pela Sociedade Frente Tejo, entidade de capitais exclusivamente públicos criada pelo Governo para reabilitar este e outros troços da zona ribeirinha de Lisboa. "Pela lei não somos obrigados a fazê-lo, uma vez que se trata de um projecto e não de um plano. Mesmo assim, abrimos um processo de participação pública nesta fase inicial do projecto, que é a do estudo prévio", refere a porta-voz da sociedade, Maria João Rocha.
A directora do Museu dos Coches explica que a Praça do Comércio "foi feita de propósito para ali fazer passar os grandes cortejos do fausto barroco [com carruagens puxadas por cavalos], que davam voltas em redor da placa central e subiam depois pela Rua da Prata ou pela Rua do Ouro". Por isso, "transformar aquilo novamente num terreiro", o Terreiro do Paço que ali existia antes do terramoto, "não faz sentido". Da mesma forma, o corredor de pedra que o projecto prevê que venha a ligar o arco da Rua Augusta ao Cais das Colunas "é um disparate", tal como a anunciada valorização da estátua de D. José com alguns degraus em seu redor.
Silvana Bessone faz um apelo: que antes de ser tomada qualquer decisão precipitada o assunto seja discutido não apenas pelos cidadãos como por um painel de especialistas - historiadores de arte, arquitectos, urbanistas, olisipógrafos - que possa indicar um rumo a seguir na reabilitação da praça. De facto, existe um painel de especialistas que já transmitiu ao autor do projecto, o arquitecto Bruno Soares, as suas impressões sobre o seu trabalho. E o PÚBLICO sabe que levantaram várias objecções. "Não vamos revelar publicamente o conteúdo deste debate interno com os especialistas, senão ele deixaria de ser produtivo", diz a porta-voz da Sociedade Frente Tejo. Objecções ao projecto levantaram igualmente vários serviços camarários. Num parecer que emitiu sobre o assunto, o director municipal de Conservação e Reabilitação Urbana, Catarino Tavares, entende que a sobriedade e a simplicidade da imagem pombalina dificilmente se coadunam com a variedade de materiais e de cores que Bruno Soares previa inicialmente que fossem usados no pavimento - "lioz, basalto, calcário, vermelho e amarelo, granito, saibro e mármore verde". Este será um dos aspectos que o arquitecto estará a reformular até ao próximo dia 26 (ver outro texto).
"Deverá meditar-se sobre os materiais a aplicar e as soluções propostas para os desníveis [previstos para o pavimento] junto do torreão poente", conclui o responsável camarário, que elogia a prioridade que o projecto confere aos peões, "não incluindo qualquer obstáculo" à sua circulação. A.H.»
Wednesday, May 27, 2009
Câmara emite parecer favorável ao estudo prévio de requalificação do Terreiro do Paço
O presidente da Câmara Municipal, António Costa (PS), foi obrigado a exercer o voto de qualidade para que o parecer favorável sobre o estudo prévio fosse aprovado, já que votaram contra dois vereadores de "Lisboa com Carmona" (Carmona Rodrigues estava ausente no momento da votação), três vereadores do PSD e as duas vereadoras do movimento "Cidadãos por Lisboa", enquanto os dois vereadores do PCP se abstiveram e os seis vereadores do PS e o vereador José Sá Fernandes votaram a favor.
(...)
In RTP.pt

