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Friday, February 10, 2017

LISBOA, Capital Europeia da Demolição: Rua António Maria Cardoso 9-13




Está concluída a demolição integral de mais um interior de prédio pombalino no Chiado.

Este imóvel, mais do tipo palácio que prédio de rendimento pombalino, tinha bons interiores com pinturas murais e também nos tectos, para além de importantes vestígios arqueológicos no subsolo que estão agora a ser registados antes das máquinas sôfregas dos "investidores imobiliários" avançarem para destruírem o resto. Aqui passava a muralha medieval da cidade e isto foi chão do grande palácio urbano dos Duques de Bragança. Mas com certeza que no final das obras tudo vai ser "vendido" como obra exemplar, amiga da História e orgulhosa do Património único de Lisboa... Qualquer slogan do tipo «Venha viver de mãos dadas com a História do Chiado»? E querem apostar como até irá ganhar um prémio nacional do imobiliário?

Friday, June 12, 2015

Deitando ao lixo a Lisboa Pombalina: Rua da Padaria



Ontem, dia 11 de Junho, contentor na Rua da Padaria / Largo de Santo António da Sé com portadas pombalinas... que qualidade têm estas obras? Haverá fiscalização?

Friday, November 2, 2012

O exemplo de Braga: Mercado de Flores na Praça do Município




Praça do Município em Braga. Um bom exemplo de utilização de uma praça barroca. Em Lisboa a nossa praça do Município, pombalina, já pouco mais é que uma cobertura de um estacionamento subterrâneo: um grande edifício de betão armado para armazenar automóveis e onde já não é possivel crescer árvores. Muitas pequenas e médias cidades do país mostram mais vitalidade e competência em gestão urbana do que a capital. Bem perto de Braga a cidade de Guimarães apresenta um centro histórico com niveis de conservação e restauro à altura dos padrões europeus - ao contrário do centro histórico de Lisboa que tem vindo a perder terreno nesta área. Cada vez observamos mais soluções fáceis e superficiais, sem substância teórica suficiente. Lisboa está a ser vítima de demolições de interiores, "fachadismo" que estão a transformar os bairros históricos num cenário de cartão. Com cada demolição integral de interiores aprovada a CML está a contribuir para a importação de estilos de vida com características de subúrbio (a garagem, para o pópó individual, parece ser o mais importante dos apartamentos em bairro histórico!). Está na moda "regressar" ao centro da cidade e viver num "palácio" ou prédio pombalino - mas estes novos "habitantes" não estão dispostos a abandonar a vida suburbana que entretanto adoptaram nas últimas décadas. É o império da imagem a matar a cidade histórica.

Wednesday, August 15, 2012

«O FUTURO DA MEMÓRIA»?


Jornadas Europeias do Património 2012 - O FUTURO DA MEMÓRIA


Realizam-se este ano, a 28, 29 e 30 de setembro, as Jornadas Europeias do Património, sob o tema “O FUTURO da MEMÓRIA”.

As Jornadas Europeias do Património são uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, envolvendo cerca de 50 países, que tem por objetivo a sensibilização dos cidadãos para a importância da salvaguarda do Património. Neste sentido, cada país elabora, anualmente, um programa de atividades a nível nacional, a realizar em setembro, acessível gratuitamente ao público, na sua grande maioria.
A Direção-Geral do Património Cultural, entidade responsável pela coordenação do evento a nível nacional propõe, para as Jornadas Europeias do Património de 2012, o tema “O Futuro da Memória”, com o qual pretende promover a aproximação do público ao património cultural, no seu sentido mais amplo, realçando a sua importância enquanto memória e documento da história e do desenvolvimento das sociedades e também o seu papel para a construção do futuro.
Com este objetivo, e à semelhança dos anos anteriores, estendeu o convite aos vários agentes públicos e privados, no sentido de se associarem a esta iniciativa através da realização de atividades apelativas e diversificadas.
Tendo terminado, no passado dia 30 de julho, o prazo para envio das propostas de atividades, a Direção-Geral do Património Cultural promoverá a divulgação do programa nacional das Jornadas Europeias do Património de 2012, convidando todos a participarem nestas comemorações.
Para mais informações contactar:
Ana Catarina Parada

Carla Lopes 

Teresa Mourão

FOTO: Que «Futuro» para o Challet Mello, de 1905, no Alto do Varejão, 46?

Wednesday, April 4, 2012

Lisboa no "Benchmarking global city competitiveness"

http://www.citigroup.com/citi/citiforcities/pdfs/hotspots.pdf
Na categoria 'Social and Cultural Character' na página 7 é onde Lisboa ainda consegue marcar pontos pois de resto estamos muito atrás de outras cidades com as quais nos gostamos de comparar de uma forma ou de outra. O nosso património - tangível e intangível - faz de Lisboa uma cidade competitiva. Por isso é que no FCLX defendemos o conhecimento, a correcta preservação e a boa gestão, do património cultural, particularmente da arquitectura e urbanismo para um desenvolvimento sustentável de Lisboa. Sem o seu carácter e perfil cultural bem protegido, autenticamente reabilitado e gerido, Lisboa perderá competitividade.
Foto: antigo Hotel Braganza no Chiado, com projecto de demolição de interiores já aprovado pelo Vereador Manuel Salgado. Já nem respeito há pelas abóbodas de construção pombalina, pois irão ser demolidas! Com este tipo de projectos, "fachadistas", a CML tem vindo a promover a destruição irreversível de património um pouco por toda a cidade, faltando à sua obrigação moral de promover as boas práticas de preservação e salvaguarda da memória da nossa cidade.

Monday, April 2, 2012

The Historic Urban Landscape. Managing Heritage in an Urban Century

"The Historic Urban Landscape. Managing Heritage in an Urban Century".
Este nova publicação da UNESCO trata da questão muito contemporânea da reabilitação urbana e apresenta as recentemente adoptadas recomendações da UNESCO para a Paisagem Urbana Histórica. Um livro que o Arquitecto Manuel Salgado deveria ter na sua mesa de cabeceira:




Foto: Bairro da Estefânia, (Rua Rebelo da Silva) um dos Bairros Históricos que tem sofrido de sucessivas demolições aprovadas pela CML. No Bairro de Campo de Ourique o Vereador Manuel Salgado chegou ao cúmulo de aprovar a demolição integral de imóveis com fachadas de qaulidade, integralmente revestidas de azulejo da Fábrica Viúva Lamego. Destruir o património arquitectónico da nossa cidade é destruir recursos económicos vitais pois ajudariam a tornar Lisboa numa cidade mais competitiva no contexto das grandes cidades históricas do continente europeu.

Tuesday, February 28, 2012

«Olhos que Vêem, Coração que Sente»

Um exemplo de cidadania em Setúbal... Em Lisboa também temos muitos abutres destes... mas teremos suficientes cidadãos dispostos a defender o património da capital? Basta ver a ameaça de demolição do Cinema Odéon para percebermos como ainda é tão pobre o exercício, e o respeito, pela cidadania em Lisboa.

Wednesday, November 30, 2011

POMBALINO DE BETÃO: Rua Ivens 21-33

Está quase pronto mais um "pombalino de betão" no CHIADO, na Rua Ivens 21-33, e desta vez é uma iniciativa to BES imobiliário. Apenas foi mantida a fachada principal (para manter as aparências...) na Rua Ivens - tudo o resto foi demolido, incluíndo a fachada de tardoz. Se o Dr. Ricardo Espirito Santo estiver a ver o que o seu banco anda a fazer por esta Lisboa fora... das Avenidas Novas, passando pelo Princípe Real e no Bairro do Castelo, é só demolir e reconstruir novinho em betão, nada de restauro, nem sequer a mais elementar regra de recuperação/reabilitação é seguida, nenhum respeito pela autênticidade do património de Lisboa. «BES Reabilitação» dizem os cartazes! Que melhor exemplo de publicidade enganosa?

Sunday, November 6, 2011

FALSA REABILITAÇÃO: a patética "nova" antiga Engomadoria Ramiro Leão

Na Travessa da Pena existia um interessante edifício industrial dos finais do séc. XIX: era a antiga engomadoria Ramiro Leão. O imóvel estava identificado no PDM na carta municipal do Património. Mas um dia o proprietário resolveu demolir o imóvel na sua totalidade - um acto da maior barbaridade, um exemplo de ilegalidade total. Mais tarde a CML "obrigou" à sua "reconstrução"... mas nos ridículos moldes em que foi feito - sem qualquer atenção a valores de autenticidade (vejam as pobres caixilharias de alumínio lacado)! Para "reconstruir"assim, à Disneilândia, mais valia estarem quietos e pensarem num edifício novo de qualidade que não fosse uma vergonha para as futuras gerações. Isto que lá está é uma ofensa ao património. Não tem valor patrimonial nenhum - é tudo 100% novo, nada resta da fábrica original do edifício. Falsa reabilitação no seu pior!

Saturday, August 27, 2011

FREDERICO RESSANO GARCIA (Lisboa, 12 Novembro 1847 - Lisboa 27 Agosto 1911)

O dia de hoje é relevante para a história da arquitectura e do urbanismo da capital e até do país:
Faz hoje exactamente um século que morreu o Engenheiro Ressano Garcia (Lisboa, 12 Novembro 1847 - Lisboa 27 Agosto 1911), autor de vastas zonas urbanas da capital onde actualmente vivem e trabalham milhares de cidadãos (Avenidas Novas, Campo de Ourique, Bairro Barata Salgueiro, Bairro Camões, Bairro da Estefânia, Avenida 24 de Julho). A sua obra de planeamento 'progressista' está em risco? Como é hoje viver ou trabalhar na Lisboa planeada por Ressano Garcia? O que é que sobreviveu? E o que faremos do que resta dela no futuro próximo? A CML tem a obrigação moral de incentivar os lisboetas a olhar para o legado de Ressano Garcia com mais atenção e sentido crítico. Esta é uma questão urgente no contexto dos cada vez mais frequentes pedidos de demolições em toda a zona das Avenidas Novas e outros bairros de génese idêntica. A divulgação deste valioso e único espólio arquitectónico e urbanístico do país (nenhuma outra cidade do país desenvolveu e implementou planos urbanos desta escala) pode ajudar-nos a encontrar melhores respostas para o futuro da nossa cidade.

Recentemente Lisboa deixou passar em branco duas datas importantes:

120 ANOS DO PLANO DAS AVENIDAS NOVAS (1888-2008)
Hoje em dia é já unânime que o Plano das Avenidas Novas de Ressano Garcia está numa situação de crise porque os seus princípios fundadores foram esquecidos ou até mesmo desvirtuados. Um exemplo bem revelador é dado pelo estado em que se encontram as placas centrais dos arruamentos, criados à maneira de Alamedas arborizadas para o conforto dos peões. Actualmente estão todas, sem excepção, invadidas pelo estacionamento de viaturas de transporte individual ou foram prontamente destruídas pelos engenheiros de tráfego para dar lugar a mais faixas de rodagem. A outrora densamente arborizada Avenida da Republica, que podemos ver nas imagens de arquivo, está hoje reduzida a poucas dezenas de árvores de alinhamento. Os interiores dos quarteirões foram destruídos com a ocupação selvagem de novas construções onde se incluem garagens em caves. Quanto à Arquitectura, ao parque construído do periodo Romântico, a situação é muito preocupante. Desde a década de 70 do séc. XX que se iniciou uma fase galopante de demolições de imóveis e quarteirões de referência da arquitectura da capital (vários prémios Valmor foram já demolidos). Salvo raras excepções, a capital entrou em perda sempre que as pioneiras construções deram lugar a novos imóveis. A embaraçante baixa qualidade arquitectónica do que se tem erguido é um facto. Com o aproximar do final do séc. XX, o Plano das Avenidas Novas foi sendo amputado de páginas importantes da sua história, desvirtuado nos seus princípios urbanísticos, e desqualificado com novas intervenções sem mais valias para o futuro da cidade.

130 ANOS DA INAUGURAÇÃO DA AV. DA LIBERDADE (1879-2009)
Estamos perante mais uma obra planeada por Ressano Garcia. É outro arruamento emblemático da capital em crise, com graves problemas ambientais e em rápida transformação - raramente sinónimo de qualidade. Parece não existir a reflexão teórica prévia que a sua importância histórica naturalmente exige. Exemplo disso é a recente intervenção pueril (e ilegal) no mobiliário urbano oitocentista da avenida levado a cabo pela própria CML de mãos dadas com uma marca de tintas ávida de publicidade.

Fotos: Dois entre muitos condenados para demolição: R. Duque de Palmela 21 e R. Camilo Castelo Branco 25

Saturday, August 13, 2011

DEMOLIÇÃO INTEGRAL até na Praça da Estrela?

Mais um exemplo, proposto para demolição integral, desta vez em plena ZEP da Basílica da Estrela! A destruição do património arquitectónico do séc. XIX/XX não parece ter fim. O que restará de Lisboa se a CML e o IGESPAR aprovarem a demolição de todos estes imóveis correntes da Lisboa Romântica? Tomados isoladamente são banais e simples mas é no papel que desempenham num conjunto urbano que reside a sua importância para o bairro e cidade. Porquê demolir este prédio recuperável? Sabemos que é possível - e corrente nas cidades da Europa desenvolvida - reconverter, adaptar, remodelar, modernizar os interiores deste tipo de imóveis. Mas em Lisboa cada vez mais se opta pela lógica da tábua rasa, pelo apagar da memória colectiva. Lisboa é cada vez mais uma cidade anti-restauro, anti-conservação. E já são poucos os casos que consideram a outrora popular "solução" simplista e pueril da "manutenção da fachada" (salvo na Baixa e Chiado, por enquanto!). Afinal, tudo se reduz à especulação dos solos da cidade e à imposição de estilos de vida contrários à cidade histórica. E isso fica bem claro pelo modo como os proprietários estão a vender este prédio, considerado apenas como mero "lote de terreno" para construção nova:
«Edifício para demolição integral com projecto em apreciação na CML para 2 T4 Duplex com estacionamento. Área de construção 716 m2. Excelente localização.»

Sunday, May 1, 2011

Reconversão Urbana «BES STYLE»: Palácio do Contador Mor

Mais um lamentável exemplo da FALSA reabilitação que está a ganhar terreno nos Bairros Históricos. O PDM, e o Plano de Urbanização da Colina do Castelo & Alfama, proíbem a demolição integral dos interiores dos edifícios (a não ser em caso de ruína iminente o que não era o caso). Acresce ainda que este antigo Palácio faz parte da Carta Municipal do Património, anexa ao PDM o que lhe conferia ainda maior protecção. Os pareceres obrigatórios e vinculativos do IGESPAR foram de início negativos mas mais tarde, não se percebe como, fecharam os olhos à demolição. De facto, de nada lhe valeram as supostas protecções legais pois o seu proprietário parece que esteve acima da lei do comum dos mortais: os interiores foram integralmente demolidos sem um pestanejar. E para piorar a situação, está a ser reconstruído com recurso a tecnologias modernas, isto é, atrás das fachadas antigas estão a surgir uma construção nova totalmente em estrutura de betão armado (até a estrutura da cobertura é em aço). O proprietário é o BES e os autores do projecto de arquitectura: Atelier Aires Mateus e Frederico Valssasina. Que diferença existe entre este palácio reconvertido em prédio de habitação de luxo e um prédio 100% novo na Alta de Lisboa desenhado por Frederico Valsassina ou Aires Mateus? Apenas a fachada é diferente. O que têm em comum? A máquina municipal que aprova e os autores do projecto de Arquitectura. Esta obra do BES é um verdadeiro crime contra o património de Lisboa.

Thursday, April 28, 2011

VENDE-SE: «Garagem com Apartamento» na Rua Ivens

É este modelo insustentável da «garagem com apartamento» que queremos para a nossa cidade? Basta! É preciso sair de Portugal e olhar com atenção para o que as outras cidades da Europa estão a fazer em matéria de MOBILIDADE! Questione o modelo que lhe está a ser imposto! Vamos pedir que o próximo PDM da capital adopte outro modelo de mobilidade, outros estilos de vida. Basta deste modelo insustentável que se centra na posse de uma viatura de transporte particular! PARTICIPE NA REVISÃO DO PDM!

Tuesday, August 10, 2010

AMESTERDÃO: Zona de canais concêntricos do séc. XVII classificada Património da Humanidade pela UNESCO

Desde o dia 2 de Agosto de 2010 que a «Zona de canais concêntricos do séc. XVII delimitada por Singelgracht em Amesterdão» é Património Mundial da Humanidade.

O Comité do Património Mundial da UNESCO, que este ano reuniu em Brasília entre o dia 25 de Julho e 2 de Agosto, anunciou os 21 novos sítios que passam a fazer parte da lista do Património Mundial.

«O conjunto urbano histórico do bairro de canais de Amesterdão é fruto do projecto de construção de uma nova “cidade-porto”, que se levou a cabo em finais do séc. XVI até ao séc. XVII. Foi criada uma rede de canais que rodeava o antigo centro histórico e medieval da cidade e que se foi expandindo até ao canal de Singelracht. Este projecto de larga duração ampliou a superficie da cidade, drenando as águas com canais traçados en arcos concêntricos e aterrando os intervalos entre canais. Os espaços assim criados permitiram erguer um conjunto urbanístico homogéneo constituido por numerosos monumentos e casas. Esta ampliação urbana foi a de maior envergadura e homogeneidade da época. O sítio constitui um exemplo de planificação urbanística em grande escala que serviu de modelo arquitectónico de referência no mundo inteiro até ao séc. XIX.»


Fotos: por estas imagens se percebe bem porque é que este bairro de Amesterdão foi classificado pela UNESCO e porque razão temos muitas dúvidas em relação à candidatura da Baixa Pombalina ao mesmo estatuto. Apesar das semelhanças em termos da relevância urbanística para o Património da Humanidade, as diferenças são óbvias. Por exemplo, neste bairro de Amesterdão não se encontram imóveis abandonados e nem pensar em demolições, caves para estacionamento e "fachadismo" como na Baixa / Chiado em Lisboa.

Saturday, May 29, 2010

REPÚBLICA DE FACHADA: Calçada da Estrela 129

Esta obra, que visa a manutenção do uso habitacional, recebeu da CML licença para demolir integralmente o miolo do edifício a fachada tardoz e as duas empenas. Motivos? Dizem que apresentava um medíocre estado de conservação geral. Afirmam que a empena lateral apresentava ausência total de tinta. E dizem ainda que no interior, já adulterado, havia fendas, manchas negras de humidade e tectos com zonas de estuque caído, etc.. Mas a razão central para esta opção pela demolição em vez da reabilitação autêntica é outra já bem conhecida: o modelo de mobilidade insustentável que a CML, Estado e sociedade em geral continuam a alimentar cegamente. Porque afinal foi também aprovada pela CML a ampliação da área de implantação do edifício sobre o logradouro para permitir o habitual estacionamento subterrâneo para as viaturas de transporte individual. Por essa razão será mantido apenas uma parcela permeável do logradouro. E no alçado principal uma porta original dará lugar a esse simbolo ainda tão adorado, o "portão de garagem". De que vale então ser um imóvel em "Zona Histórica Habitacional" e em "Núcleo de Interesse Histórico" (PDM) e ainda estar na "Área de Protecção especial" de um "Monumento Nacional" (Palácio de S. Bento)? Em Portugal esta pergunta tem quase sempre a mesma resposta: «Fachada». Este será mais uma construção nova em Lisboa com uma máscara antiga.
É preocupante constatar que a arquitectura pombalina na BAIXA e CHIADO está a ser vítima também deste fachadismo, desta desvalorização dos conteúdos dos edifícios.

Tuesday, January 26, 2010

REPÚBLICA DE FACHADA: Rua Ivens 1 a 15


Rua Ivens, 1 a 15. É mesmo só fachada! E neste caso só mesmo a fachada virada para a rua para manter as aparências. Tudo aprovado e benzido pela CML e IGESPAR. Entretanto a nova construção está quase pronta. Os novos residentes que com certeza afirmam "amar" o Chiado (e que vão trazer talvez mais de 2 carros por fogo) poderão brevemente ocupar a luxuosa estrutura de betão armado. Lisboa, uma cidade com um centro histórico cada vez mais esvaziado de conteúdos.

Wednesday, January 13, 2010

RUA CAPELO, 14, 16 e 18




Para este imóvel pombalino em pleno Chiado existe um projecto aprovado e licenciado (processo 2282/OB/2001 e 960237/EDI/2001, com o Alvarás de Construção nº 2/O/2008 e Alvará de Demolição n.º 2/D/2008). O edifício encontra-se nas seguintes áreas do PDM:

Área Histórica Habitacional; Áreas de Potencial Valor Arqueológico (Nível de Intervenção 1) e Núcleo de Interesse Histórico. Encontra-se também incluído numa zona urbana classificada como Imóvel de Interesse Público (IGESPAR).

A proposta aprovada apenas manutem as fachadas, cercea e cumeeira do edificio. Os interiores foram integralmente destruídos, incluíndo as características abóbadas pombalinas do piso térreo. São criadas 5 fracções de habitação, uma por piso, e no piso térreo, uma fracção destinada ao uso terciário.

Motivo da opção da destruição dos interiores? A construção de duas caves para área de estacionamento e de arrecadações (25 lugares de estacionamento!).

O logradouro foi completamente impermeabilizado para permitir a construção de caves mais amplas de estacionamento.

Concluindo, estamos perante mais um triste exemplo do paradigma do imobiliário do centro histórico de Lisboa: demolição dos interiores, impermeabilização do logradouro, mobilidade centrada na viatura de transporte partricular e ênfase na habitação de luxo.

Este paradigma de desenvolvimento urbano insustentável é sistematicamente aprovado tanto pela CML como pelo IGSPAR.

Um imóvel integrado num bairro histórico, classificado de valor nacional, e com pretensões a ser classificado Património Mundial da Humanidade, está reduzido a uma fachada.

Alguns consideram estes projectos como uma mais valia porque se mantem a aparência de um Ambiente Histórico. Para nós é apenas uma Lisboa superficial, autista e no caminho da auto-destruição.

Saturday, December 19, 2009

demolição + 5 caves + fachada centenária = Reabilitação à Portuguesa



Edifício centenário de Lisboa dá origem a projecto de escritórios

Um edifício datado do início do século XX, na Avenida da República, em Lisboa, vai dar lugar a um empreendimento de escritórios. Trata-se de uma operação de reabilitação urbana [sic], levada a cabo pela construtora Rui Ribeiro, que preservará as fachadas daquele edifício, demolindo todo o seu interior [sic].

Com conclusão prevista para 2011, este novo projecto, com 6.700 m² acima do solo, compreenderá sete pisos, cinco caves e 100 lugares de estacionamento. Cada piso disporá de uma área de 950 m².

Segundo revelou a construtora Rui Ribeiro, o edifício de escritórios poderá ser ocupado por uma empresa ou por várias, conforme o desfecho do processo de comercialização em curso.

“A escolha desta localização para a atracção do sector terciário deve-se às boas acessibilidades que o imóvel apresenta, encontrando-se o mesmo numa das zonas mais nobres de Lisboa” [sic], revelou aquela empresa. in Público 16-12-2009

Nota: manter uma fachada descontextualizada, destruir a totalidade dos interiores e impermeabilizar logradouros com caves para estacionamento é «reabilitação urbana»? Não. Isto é uma construção nova, muito mal disfarçada. Isto foi mais um crime contra o Património Cultural de Lisboa. Este artigo é um paradigma das confusões e ignorâncias que reinam na nossa sociedade. Só faltava dizer que isto também é uma obra "green", com uma pegada ecológica pequena!