Monday, March 30, 2009

O "charme" da Baixa


Era bom era que nesta gelataria de antanho evitassem colocar na mesma couvette sabores diferentes (!), honrando assim o nome de Luca Giovanni, e pugnando pela mais elementar regra de uma oferta de qualidade.

E na mais antiga pastelaria do Chiado ainda em actividade, a Benard', os seus funcionários não andassem a fumar dentro das instalações. É ilegal, anti-higiénico, feio, e faz mal.

Thursday, March 26, 2009

Discussão Pública do Plano de Mobilidade para a Baixa

in http://www.cm-lisboa.pt/

«A sessão de discussão pública do Plano de Mobilidade para a Baixa juntou, no dia 23 de Março, centena e meia de munícipes, para ouvir detalhes do novo modelo proposto e para apresentar as suas sugestões

Manuel Salgado, vereador do Pelouro do Urbanismo, Pedro Moutinho, Director Municipal de Segurança e Tráfego, e Valter Rossa, a quem se juntou o presidente da Câmara, António Costa, procederam à apresentação dos objectivos e métodos do Plano, que se propõe eliminar o tráfego de atravessamento, calculado em 70%, para diminuir os elevados níveis de poluição do ar e de ruído que afectam essa zona da cidade, aumentar a segurança dos peões, requalificar o espaço público, promover a ligação ao rio e atrair mais gente para viver na Baixa.

Contrapondo ao tradicional círculo vicioso um novo "círculo virtuoso", Manuel Salgado assegura que o novo Plano contribuirá para alcançar uma série de objectivos urbanísticos que culminem no repovoamento da Baixa: a sua "reconquista das funções comercial e de lazer", a atracção de novas actividades, "ligadas à criatividade e à inovação", a concretização de um "novo modelo de habitação". Para o efeito, estão em curso acções diversas, desde a finalização de instrumentos de ordenamento urbanístico (como o Plano de Pormenor para a Baixa ou a aprovação das medidas provisórias do PDM, que já permitiram 160 novos licenciamentos, desde o início do ano), às acções de requalificação do espaço público no âmbito da Frente Tejo, a busca de soluções para reformular a ocupação dos espaços no Terreiro do Paço (nomeadamente, encontrando novos usos para os pisos térreos), passando pela dinamização da Baixa como pólo cultural (com destaque para a instalação do Museu do Banco de Portugal, no largo de São Julião, do Museu da Moda e do Design, na Rua Augusta, ou, mais acima, a ampliação do Museu de Arte Contemporânea e da Escola de Belas Artes pela desafectação de instalações policiais no Convento de São Francisco, ou a activação do Museu de São Roque), a ocupação de espaços a recuperar para a Trienal de Arquitectura, a Moda Lisboa, o Centro Português do Design, etc., e a criação de um "centro comercial a céu aberto", beneficiando da conjugação de esforços nas áreas da segurança, da imagem e da logística.

Para que todas estas acções se tornem realidade e constituam o sucesso esperado é, contudo, necessário um "espaço público de excelência". Nesta óptica, vereador não duvida que "a revitalização da Baixa requer um novo modelo de mobilidade". Manuel Salgado sustenta esta afirmação com números e dados qualitativos que revelam ter estado a Baixa, até ao dia 15 de Fevereiro (antes dos cortes de trânsito derivados das obras que agora decorrem no Terreiro do Paço), sujeita à pressão de 4500 viaturas por hora (resultantes em 70% de tráfego de atravessamento), até porque ainda 19% da afluência de pessoas resulta da deslocação em transporte individual, utilizado na maioria (80%) para deslocação para o trabalho), quando é sabido que a Baixa é das zonas melhor servidas por transportes colectivos em toda a Lisboa. Daqui resulta uma qualidade do ar claramente abaixo dos parâmetros europeus, um volume de tráfego excessivo que dificulta a sua fluidez e penaliza a eficiência do transporte público, sobrecarregando pavimentos e outras infra-estruturas e degradando o edificado.

Face a esta situação, e na busca dos objectivos inicialmente identificados, o vereador Manuel Salgado considera fundamental que o novo Plano de Mobilidade para a Baixa desconecte as ligações entre a parte alta da cidade, por um lado, e o Terreiro do Paço e zona ribeirinha, por outro, para obstar a que a Baixa sirva o trânsito de atravessamento. Para o efeito, o Plano prevê alterar a estrutura radio-concêntrica da rede viária lisboeta, com intervenções que reforcem a capacidade das circulares internas (Poente-Nascente) e as grandes vias de atravessamento Norte-Sul, intervindo sobre a rede de transportes colectivos (mais corredores bus, novas paragens, nova gestão de percursos e frequências, criação de transportes de proximidade em zonas antigas e em modos "suaves", reforço da capacidade dos interfaces de transportes do Cais do Sodré e do Terreiro do Paço e das estações terminais do Rossio e de Santa Apolónia), um aumento da capacidade de parqueamento (actualmente nos 3800 lugares) com mais 2100 lugares, reservando uma importante quota do estacionamento de superfície para os residentes e para cargas e descargas e, finalmente, a requalificação do espaço público com uma crescente valorização das áreas pedonais, quer por via das intervenções físicas (fechamento de artérias ao trânsito automóvel, criação de áreas pedonais equipadas com adequado mobiliário urbano, criação de novas zonas de atrevessamento pedonal, conservação de passadeiras, pistas cicláveis, etc.), quer pela introdução de regras "amgas" dos peões e da mobilidade de cidadãos deficientes.

Coube ao Director Municipal de Segurança e Tráfego, Pedro Moutinho, apresentar alguns aspectos concretos dos esquemas de circulação viária a implementar, sublinhando que a desconexão entre a Baixa e a zona ribeirinha já efectuada desde o mês passado, por motivo das obras em curso no Terreiro do Paço, serviu de teste experimental, já que permitiu reduzir em 38% o tráfego nas Ruas do Ouro e da Prata e em 40% na Avenida 24 de Julho, ao mesmo tempo que a utilização dos transportes da Carris aumentou em toda a rede 5%, aumento que na rede do Metro foi de 3,5% mas com as percentagens a duplicarem nas estações que servem a zona da Baixa. Assim, Pedro Moutinho defende a manutenção do esquema de desconectar as duas zonas referidas, obviando o tráfego de atravessamento, e a permanência de encerramento ao tráfego das laterais da Praça do Comércio, mas com o recurso a pequenas aferições após a conclusão das obras, com a abertura do tráfego na Avenida Ribeira das Naus (em Julho), aliviando a pressão actual sobre a Rua do Arsenal, que ficará, tal como outros locais, para uso preferencial dos transportes públicos, incluindo os autocarros de turismo.Iniciando o período de debate, o professor Walter Rossa (especialista em questões da Baixa, tendo sido o comissário da exposição "Plano da Baixa, Hoje" e um dos responsáveis pelo dossier de candidatura da Baixa a Património da Humanidade), mostrou-se agradado por este "importante passo" embora defendendo que há que usar de soluções "não radicais", isto é, não se deve banir totalmente o transporte individual, mas buscar soluções de equilíbrio". Quanto ao Terreiro do Paço, defendeu a sua manutenção enquanto "terreiro, simples e com pavimento inerte", para acolher iniciativas efémeras e reforçando a ligação ao rio com o Cais das Colunas, recentemente reposto.

A participação do público, a que se juntou no período final o presidente da Câmara, António Costa, foi grande com cerca de duas dezenas (entre a centena e meia que compunha a assistência que acorreu a um auditório no piso superior da Estação do Rossio) a interpelarem a mesa com questões, reservas, incentivos ou, simplesmente, a apresentarem as suas próprias sugestões. De individualidades conhecidas da vida pública, como o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que congratulou a Câmara pela iniciativa, à arquitecta e vereadora Helena Roseta, que exprimiu a sua satisfação pela participação dos cidadãos no processo, passando por autarcas das freguesias, responsáveis associativos, comerciantes, moradores ou simples cidadãos interessados, foram muitos os que quiseram intervir. Entre as questões mais suscitadas destacam-se o receio de que o novo esquema venha a sobrecarregar outras artérias, menos preparadas para grandes fluxos de tráfego e a desconfiança em relação à possibilidade de haver suficientes lugares de parqueamento para o que é proposto, por um lado, e as que incentivam soluções mais radicais, preterindo a possibilidade do uso do automóvel particular e benefício de outros meios de transporte nas mais variadas situações e zonas, por outro.

Foto: um exemplo típico da mobilidade insustentável na Rua dos Fanqueiros

Tuesday, March 24, 2009

AVENIDA DA LIBERDADE: mupis no meio do passeio

A obra de demolição do barracão-restaurante no jardim da Av. da Liberdade está quase terminada. Já se está a repor a calçada artística original, destruída na década de 80. Mas para que a recuperação daquela zona nobre da avenida seja plenamente conseguida, falta resolver uma situação particular que está a prejudicar a mobilidade pedonal. Ali ao lado, no passeio lateral em frente dos números 20 a 24, estão duas estruturas da JcDecaux implantadas mesmo no meio do canal pedonal. Julgo que isto é único em toda a avenida (mas não é único em Lisboa, a Baixa está cheia deles!). As fotos são reveladoras da localização anómala das estruturas - são apenas um obstáculo à circulação de peões (particularmente cidadãos com mobilidade reduzida). Foi solicitada à CML o abate destes dois mupis, no âmbito da requalificação a decorrer.

Monday, March 16, 2009

PUBLI-CIDADE: Rua do Ouro torneja Rua do Carmo

GRÁTIS? Nada é grátis. Para que você «receba grátis o 2º par», esteve a fachada de um prédio pombalino, classificado, parcialmente invisível com 2 telas de publicidade. Durante algumas semanas (talvez até apenas alguns dias) as telas de publicidade estiveram a tapar a fachada do prédio pombalino no gaveto da Rua do Ouro / Rua do Carmo. Eram ilegais? Se não, como foi possível licenciar isto? Lisboa está à beira de se tornar na «publi-cidade» da União Europeia. A continuar assim é melhor esquecer a classificação da Baixa-Chiado a Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Sunday, March 15, 2009

World-class city or grim ghost town?

By Tyler Brûlé

in Financial Times, 7 March 2009

If the past few weeks have been devoted to dropping in on cities up and down the length of Asia, then this one has seen me stick closer to home. On Monday I jumped on the Eurostar to Brussels and found myself going through what’s become a ritual task of rethinking and redesigning the experience.

As I passed through the X-ray machine at St Pancras International, questions raced along the ridge of my forehead. Why does this rail service need a business lounge? Why are there silly airline-style cut-off times? Surely the joy of rail travel is being able to walk down the platform just as the doors close? Why am I paying for a mediocre meal when it would be better to have a well-stocked trolley or a proper dining car? And what about those seats? They were uncomfortable when the service was launched and they haven’t been updated, save for new upholstery.

At Brussels Midi rail terminal a fresh set of questions started swirling around. Who the hell designed this facility? (It’s poorly signed. Traffic flow is dreadful. And the lighting is cold and far too dim.) Who thought it acceptable to install just two bank machines for a major transport hub? And who were the contractors? Tiles were coming off the floor and the whole place offered a series of first impressions that suggested Belgium’s not that interested in warm welcomes and isn’t too fussed about what visitors might think about the place. Departure from the city’s airport five hours later reinforces this message with an equally complicated terminal layout. I was left with a set of impressions that made me wonder if it might not be time to review whether this is the most appropriate home for the EU.

On Wednesday I descended into Lisbon and had one of those final approaches in crosswinds that had me pining for the Eurostar. Anyone who had to fly in and out of the Portuguese capital midweek will agree it was not the airport’s finest hour, though I did step off the aircraft with renewed respect for Portuguese pilots and their abilities to land an aircraft sideways in fresh Atlantic gusts. The parade of “non-brand” enterprises lining the boulevards was a curious and refreshing sight. Of all the capitals in the old EU, Lisbon is perhaps home to the lowest number of multinational retail brands. Sure, there are branches of Zara and El Corte Inglés but the majority of the shops are local, family-owned enterprises that are so frozen in time they almost seem modern. And indeed many of them are. Before I left London I took stock of a couple of its main shopping streets and soon found myself a little depressed by the number of shuttered store-fronts, “closing down” and “final reduction” signs and the number of shop spaces that have real-estate broker signs fixed on the front that are just longing for someone to dial the numbers listed and make an offer.

Perhaps one of the most dramatic areas is in west London’s Notting Hill, where in certain stretches it seems like every second shop has closed for business and you get the feeling that it would only take a few more high-profile closures and the whole area could easily capsize. Over the past weeks government agencies and the odd think-tank have been spelling out the dangers of ghost-town Britain (you can quite easily insert Australia, Canada or the US here as well).

Apparently, whole town centres are teetering on the brink of collapse and countless neighbourhoods could soon tip from being pleasant zones of commerce to derelict no-go areas. Unfortunately, much of the discussion concerning the perils of the empty store-front epidemic and the potential solutions is coming too late. For too long, landlords have been happy to see their once interesting neighbourhoods fill with deep-pocketed chain stores that bring a more transient workforce (gone are the locals who might remember you if you go in every day), façades that are unsympathetic to the local look, and with the cash to take over a series of spaces and turn them into one superstore. Many local communities up and down the country have seen the arrival of national brands as a sign of progress and have ushered them in with much fanfare only to see them undercut Mom-and-Pop shops and then pack up for greener pastures when a better rent or location offer comes along. With the collapse of a host of high street names, landlords and local authorities are wondering if all those mediocre chain stores were such a good idea. As empty retail blocks become magnets for nasty, idle urchins, some councils are thinking it might be clever to use the empty spaces for youth centres. This is a bad idea as it does nothing to solve the bigger issue of bringing locally owned businesses back to the community, and gives the badly-behaved heating and a roof over their hoodies.

Which brings me back to Lisbon. Portugal may not be the biggest exporter of international brand names but it should work hard to preserve its strong culture of family-owned and operated businesses. This binds together communities and makes the city more interesting for visitors.

Tyler Brûlé is editor-in-chief of Monocle

Foto: Baixa, «World-class historic center or grim ghost town»? Largo da Boa Hora

Monday, March 2, 2009

Decreto n.º 9/2009. D.R. n.º 42, Série I de 2009-03-02

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Declara área crítica de recuperação e reconversão urbanística a Baixa-Chiado, em Lisboa, e concede ao município de Lisboa o direito de preferência nas transmissões a título oneroso entre particulares dos edifícios situados nessa área

Sunday, March 1, 2009

AV. da LIBERDADE, 163 a 173: novo «prédio estore»

Esta imagem mostra uma intervenção recente nos vãos da Av. da Liberdade, 163 a 173. A fachada deste elegante prédio está assim desfigurada depois da instalação de estores. Este imóvel de qualidade dos finais do séc. XIX, para além de estar incluido numa zona Em Vias de Classificação (Avenida da Liberdade), tem como vizinho directo o Cinema São Jorge, classificado Imóvel de Interesse Público. É lamentável ainda acontecerem este tipo de intervenções desqualificadoras em edifícios património. Alguém imagina isto nas avenidas centrais de Barcelona ou Madrid? Já para não falar em Paris, Londres, Viena...

A instalação de caixilharias e estores de alumínio/plástico em edifícios património é um problema que se tem vindo a intensificar com consequências negativas nos bairros e zonas históricas das cidades portuguesas. O ambiente urbano histórico está a perder os seus detalhes, a sua autenticidade. O genuíno e único é substituído por banalidades escolhidas por catálogo e ao sabor do freguês. Não é possível ambicionar por um turismo de qualidade com centros históricos feitos de plástico, alumínio e cimento.

Thursday, February 26, 2009

Wednesday, February 25, 2009

Cada vez mais o "cidadão-carro" é que decide a cidade

Um sinal de estacionamento proibido, no lixo. De facto, em Lisboa, o lugar certo para os sinais de proibição de estacionamento parece ser o lixo. Basta ser peão, e passear por qualquer freguesia da cidade, para o constatar diariamente. Talvez nenhuma outra sinalética na cidade seja mais desrespeitada do que esta. Sem um investimento nos transportes públicos, à escala metropolitana e em sintonia com o planeamento urbano, veremos melhores dias na nossa capital. A ficar para trás de ano para ano, de nada valem os mega projectos típicos de uma cidade com complexo de inferioridade. Não será uma torre do Arquitecto Foster, ou uma ostensiva terceira travessia do Tejo que vai por Lisboa a par das capitais desenvolvidas.

Voltando à escala da rua, não serão os pilaretes, nem muito menos a proliferação de sinalização vertical a proibir o estacionamento, que poderão alterar os comportamentos insustentávies cada vez mais enraízados na sociedade portuguesa. As questões estruturais da mobilidade urbana sustentável continuam por implementar. A crónica falta de visão apartidária do planeamento urbano estão a comprometer o futuro de Lisboa. Assim, e até que Município e Estado acordem e actuem, assistiremos ao agravar dos problemas da mobilidade. No vazio criado, vai crescendo a importância do transporte individual - porque os cidadãos não podem esperar 48 minutos por um autocarro.

Cada vez mais o "cidadão-carro" é que decide a cidade. É ele que decide que ali se constroi um parque estacionamento em vez de um jardim. É ele que decide que aquele arruamento vai ter o dobro das faixas de rodagem em vez de árvores de alinhamento. E é ele que agora quer decidir se pode ou não atravessar a Baixa, em prejuízo dos outros, do património, nas próximas décadas. Basta deste cidadão principal de Lisboa.

Foto: Terreiro do Trigo, Freguesia de São Miguel.

Sunday, February 22, 2009

I Congresso Internacional sobre Cidades, Culturas e Sociabilidades

I Congresso Internacional sobre Cidades, Culturas e Sociabilidades
Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 17 e 18 de Abril de 2009

Objectivos
As políticas da desindustrialização e a reconstrução dos espaços urbanos promoveram o aparecimento de novas infra-estruturas urbanas cujos símbolos são os centros comerciais, os hipermercados, os espaços museológicos, as zonas ribeirinhas de lazer ou os parques temáticos. Um dos traços distintivos da arquitectura destes espaços é a sua função lúdica sendo o espaço colectivo cada vez menos um espaço público, face à entrega sistemática destes à administração privada. Os "novos" centros das cidades apareçam abstraídos do espaço e tempo exteriores, excluindo todos os aspectos negativos da cidade como a sujidade, a toxicodependência, o trânsito e a pobreza.

O I Congresso Internacional sobre Cidades, Culturas e Sociabilidades pretende mobilizar perspectivas interdisciplinares para reflectir e debater a(s) cultura(s) urbana(s) bem como as sociabilidades que se geram nas cidades, tendo em conta a potenciação que as mesmas geram na sociedade como um todo.

Temas
Barreiras Arquitectónicas
Campus Universitários
Centros Comerciais
Centros Históricos
Cidades Sustentáveis
(Des)industrialização Urbana
Espaços Museológicos
Género e Urbanismo
Habitação Urbana
Memória Histórica
Ordenamento dos Territórios Metropolitanos
Parques e Espaços Públicos
Parques Tecnológicos
Parques Temáticos
Renovação Urbana
Sociabilidades
Tribos Urbanas
Urbanismo e Turismo
Violência Urbana

Organização: AGIR – Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural
Apoio: Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Comissão Científica
António Pedro de Andrade Dores, CIES/ Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Portugal)
Beatriz Santamarina, Departamento de Sociología y Antropología Social/ Facultad de Ciencias Sociales/ Universidad de Valencia (Espanha)
David Coronado, Universidad de Guadalajara (México)
Dulce Magalhães, Instituto de Sociologia/Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal)
Ester Massó Guijarro, Departamento de Filosofia da Universidade de Granada (Espanha)
Fernando Cruz, Instituto de Sociologia/Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal)
Graciela Sanchez Guevara, Universidad Autónoma de la Ciudad de México (México)
João Antunes, Universidade Fernando Pessoa (Portugal)
João Teixeira Lopes, Instituto de Sociologia/Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal)
Júlia Petrus, Universidade Federal do Maranhão (Brasil)/ Universidade de Barcelona (Espanha)
Virgílio Borges, Instituto de Sociologia/Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal)
Xerardo Pereiro, CETRAD/Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Portugal)

Resumos e Comunicações
Resumos: Os resumos deverão ser elaborados em duas das línguas oficiais do Congresso (Português, Espanhol, Inglês e Francês) e deverão conter 250 a 350 palavras, título provisório, tema, nome do autor, instituição, palavras-chave. O texto do resumo deverá indicar sumariamente os objectivos da comunicação, enquadramento teórico, metodologia empregue na investigação e resultados eventualmente obtidos.
Envio do resumo por e-mail (em alternativa: disquete ou CD-Rom), até 20 de Março de 2009.
Apresentação dos textos (resumos e comunicações): Word 97/2000/XP; Times New Roman; tamanho 12; espaçamento entre linhas de 1,5 linhas.

Comunicações escritas: Título definitivo, nome do autor, instituição, palavras-chave, referências bibliográficas, até 30 páginas A4, em disquete/CD-Rom ou e-mail, Word 97/2000/XP, Times New Roman, tamanho 12, espaçamento entre linhas de 1,5 linhas.
Envio das comunicações escritas por e-mail (em alternativa: disquete ou CD-Rom), até 30 de Abril de 2009.

Comunicações orais: serão seleccionados para comunicações orais com duração mínima de 12 minutos, os resumos que obedeçam aos requisitos gerais enunciados para os mesmos e cujos participantes se encontrem inscritos no evento, apenas para esta modalidade, até 20 de Março de 2009.

Outras informações:
Para todas as apresentações orais serão disponibilizados os seguintes meios: projector multimédia e computador, projector de diapositivos e retroprojector de acetatos.
A avaliação dos resumos será feita pela Comissão Científica e os resumos seleccionados serão publicados nas actas do Congresso. Os autores com resumos seleccionados serão informados por e-mail da aceitação dos mesmos. A Comissão Organizadora informa ainda que reserva a aceitação definitiva dos resumos de pessoas inscritas no mesmo. Mais informa que não dispõe de recursos para financiar os participantes, pelo que solicita aos mesmos que providenciem recursos, para garantir a sua vinda.

Inscrição - Até 20 de Março de 2009:
Associados: 15 euros
Membros do Instituto de Sociologia: 15 euros
Participantes com comunicação: 40 euros
Participantes sem comunicação: 20 euros
Estudantes de licenciatura (sem comunicação): 10 euros
Estudantes de licenciatura – FLUP (sem comunicação): isentos

AGIR - Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural
Rua do Juncal, n.º 465 r/c frente esquerdo
4445-489 Ermesinde
Portugal

Wednesday, February 18, 2009

MUSEUS: Petição quer "travar" projecto do novo Museu dos Coches e transferência da Arqueologia para a Cordoaria Nacional

Lisboa, 18 Fev (Lusa) - Uma petição acessível na Internet reclama a intervenção do Presidente da República "no sentido de travar" o projecto do novo Museu dos Coches e a transferência dos serviços arqueológicos para a Cordoaria Nacional.
Os cerca de 200 subscritores "requerem uma intervenção rápida" de Aníbal Cavaco Silva, do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, do Primeiro-Ministro, José Sócrates, e do Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, "no sentido de travar o projecto em curso do novo Museu dos Coches".
O texto da petição, cuja primeira subscritora é a museóloga Raquel Henriques da Silva, refere que o novo museu custará 31,5 milhões de euros e "constitui um verdadeiro 'terramoto' de efeito de ricochete na museologia nacional".
Os autores da petição, disponível em http://www.gopetition.com/petitions/salvem-o-museu-dos-coches, exigem "a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional".
Recentemente, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, afirmou no Parlamento que os actuais serviços de arqueologia, a funcionar em Belém, seriam transferidos para a Cordoaria Nacional, à Junqueira, e também para o Museu de Marinha.
Alerta o texto da petição que "a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado".
Na óptica dos peticionários, o projecto em curso é "completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente", como - exemplificam - "a renovação dos outros museus nacionais sedeados em Lisboa, recuperação dos Monumentos Nacionais em perigo de desclassificação pela UNESCO, ou a qualificação da Cordoaria Nacional como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa".
Entre os cerca de 200 subscritores da petição figuram o secretário-geral da European Federation of Associations of Industrial and Technical Heritage, Adriaan Linters, e os arquitectos Nuno Teotónio Pereira, José Morais Arnaud e Luis Raposo.
NL.
Lusa/Fim

«Fuga ao trânsito na Baixa encheu metropolitano»

O corte de trânsito no Terreiro do Paço e na Avenida Ribeira das Naus, em Lisboa, não mergulhou a cidade no caos, como esperavam os pessimistas. O trânsito fluiu, mas também houve mais pessoas a recorrer ao metro.

Devido às obras de consolidação do Torreão Poente e de saneamento no Terreiro do Paço, a primeira manhã sem carros na Avenida Ribeira das Naus gerou estrangulamentos em pontos "já esperados" na Baixa, como a Rua do Arsenal, mas "foi uma situação de grande normalidade em toda a cidade", assumiu o presidente da Câmara, António Costa, ao princípio da noite de ontem.

Apenas nos próximos dias será possível aferir se as alternativas criadas são suficientes para escoar os largos milhares de automóveis que atravessam a cidade, até meados de Junho. Mas Costa deixou o alerta: "a minha esperança é que as pessoas não se entusiasmem com as notícias e queiram fazer aquilo que não puderam fazer hoje [ontem]".

Segundo dados do município, a Avenida de Ceuta registou um aumento de 10% no volume de tráfego, distribuindo-o para o Eixo Norte-Sul. As avenidas da República, de Berna e Almirante Gago Coutinho foram outras das artérias a receber mais trânsito.

A fuga ao primeiro dia das alterações no trânsito traduziu-se num aumento de utilizadores do metro. Só as estações de Sete Rios e da Praça de Espanha tiveram mais 10% de passageiros. Quanto à Carris - que prometeu um balanço para amanhã - verificou um aumento de velocidade nos corredores BUS. "É fundamental manter a mesma atitude de procurar caminhos alternativos e usar os transportes públicos. Não pensem que afinal dá para passar", alertou António Costa.

In JN, 17 de Fevereiro de 2009

Foto: Vista aérea da Praça do Comércio na década de 40 do séc. XX.

Tuesday, February 17, 2009

PETIÇÃO: "SALVEM OS MUSEUS NACIONAIS DOS COCHES E DE ARQUEOLOGIA E O MONUMENTO DA CORDOARIA NACIONAL"


Exmos. Senhores,

Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Presidente da Assembleia da Republica, Dr. Jaime Gama
Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa

O Museu Nacional dos Coches sendo de génese monárquica foi com a República que adquiriu o carácter de organização museológica, transformando-se na instituição fundadora da museologia portuguesa, de carácter nacional e com projecção internacional.O valor artístico do espaço (antigo Picadeiro Real), a raridade da sua colecção (considerada universalmente como a mais notável no seu género, com especial destaque para os três coches monumentais da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI, construídos em Roma em 1716 e únicos no mundo, bem como o raro exemplar de coche de viagem de Filipe II, construído em Espanha – Século XVI- XVII – e um dos modelos de coche mais antigos de que há conhecimento), e o sistema desenvolvido de exposição desta última, correlacionando-a com imagens e pinturas de época, garantiram-lhe a reputação europeia sem precedentes na história dos museus portugueses e na própria evolução da museologia, através de uma orientação estratégica pioneira pautada por princípios europeus modernos, criando um ambiente de exigência e trabalho de que os próprios republicanos se orgulhavam.O projecto entretanto surgido para a construção de um novo Museu dos Coches pretende esvaziar o actual edifício e transferir a colecção para um novo espaço a construir, onde se erguem agora as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que serão demolidas. Não pondo em causa a qualidade do projecto de arquitectura, estima-se, no entanto, que este projecto terá um custo actual estimado de 31,5 milhões de euros.Considerando a actual magnitude internacional do Museu Nacional dos Coches, que é o museu mais visitado de Portugal, muito significativamente por estrangeiros a quem não será indiferente a dignidade e o ambiente do espaço actual de notável valor formal e de antiguidade. Note-se que não é por acaso que em São Petersburgo se optou recentemente pela colocação de um espólio similar no antigo picadeiro real;Considerando que o actual edifício do Museu, por imperativos técnicos e artísticos (vide, pareceres técnicos de finais dos anos 90), está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre, temendo-se, portanto, caso avance o projecto de novo museu, a sua subutilização;Considerando que o projecto do novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro 'terramoto' de efeito ricochete na museologia nacional, pois implicará a obrigação de deslocar os serviços do antigo IPA (actual IGESPAR) da arqueologia subaquática, do depósito de arqueologia industrial, para a Cordoaria Nacional e, por esta via, uma eventual transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a mesma Cordoaria, que é Monumento Nacional desde 1996 (DL 2/96, DR 56, de 06-03-1996);Considerando que a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado;Considerando, portanto, que o projecto em curso se nos afigura completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente (ex. renovação dos outros museus nacionais sediados em Lisboa, recuperação dos MN em perigo de desclassificação pela UNESCO, qualificação da Cordoaria Nacional, como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa, etc.);Os abaixo-assinados requerem a Vossas Excelências uma intervenção rápida no sentido de travar o projecto em curso do novo museu dos coches, garantindo assim a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional.

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Jorge Santos Silva, Fernando Jorge, Luís Marques da Silva e Renato Grazina

S.F.F, Assine e DIVULGUE:Petição 'Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!', em http://www.gopetition.com/petitions/salvem-o-museu-dos-coches.html

Monday, February 16, 2009

ESPECIALIDADES DO TERREIRO DO PAÇO: «OBRAS»


Será que ninguém vê o absurdo que é continuar com a campanha "Aos Domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas" agora que a praça se encontra em obras profundas? Será que não há ninguém no actual executivo da CML que tenha bom senso? E os partidos da oposição vão tolerar isto? Até quando é que vão sujeitar a Praça do Comércio e os cidadãos a estas indignidades? Estas imagens absurdas são da última edição do "Aos Domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas" - uma ideia que, apesar das boas intenções, é desastrosa para a imagem da capital em geral e da Praça do Comércio em particular.

Sunday, February 15, 2009

Especialidades do TERREIRO DO PAÇO: «O Pançudo da Bifanas»




Depois da barraca das «Porras & Churros» agora temos o «Pançudo das Bifanas»
Que outra capital da Europa faz isto à sua mais nobre e monumental praça?

Friday, February 13, 2009

VÃO MAS É DE CARRINHO

In Diário de Notícias (13/2/2009)
Fernanda Câncio
Jornalista - fernanda.m.cancio@dn.pt

«No último fim de semana, com parte da Baixa fechada ao trânsito por causa da repavimentação da Rua da Prata - e como tardou -, um taxista comentava, escarninho: "Vêm aí as eleições, já começam as obras". Pode ser que o taxista tenha razão e que a equipa de António Costa, ao fim de um ano e meio a governar Lisboa, tenha só agora arrancado para a acção por motivos que se devem também ao calendário eleitoral. Mas, seja qual for o motivo, é de celebrar que finalmente haja uma empreitada para tapar buracos - e como os lisboetas, mais os saltos dos sapatos, pneus e jantes agradecem - , que se iniciem as obras para certificar o fim do despejo directo dos esgotos no Tejo (um escândalo q ue envergonha toda a gente) e, jóia da coroa no que respeita aos moradores e amantes da Baixa, entre os quais me incluo, um plano para acabar com o trânsito de atravessamento na zona. [...]»

O problema não está resolvido, cara Fernanda. Acontece que a colocação de um tapete sobre outro tapete pode resultar 1-2 anos, mas com o tempo vai esburacar e torcer facilmente e de forma mais regular do que até aqui. Deviam ter levantado tudo ... mas a CML é recorrente nesta mania de cobrir com tape sobre outro e outro tapete até que os passeios fiquem da altura de 1 cm. É sempre a opção mais fácil e mais barata, mas nem por isso perene. Que me lembre, apenas a Rua de São Bento teve uma intervenção de fundo, nos últimos anos. É pena. Compreende-se a urgência mas não é a solução ideal. No resto, 100% de acordo.

Thursday, February 12, 2009

Boa-Hora como hotel de charme até poderia melhorar a Baixa

In Público (12/2/2009)
Ana Henriques

«"Seria um erro manter o edifício do tribunal nas mãos do Estado, que não cuida do seu património", diz o juiz Fernando Negrão, hoje vereador

A indignação que se vive nos meios judiciais por causa da anunciada transformação do Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, num hotel de charme, não tem eco entre os especialistas ligados ao património. É pelo menos essa a conclusão das conversas que o PÚBLICO teve com alguns deles. Actualmente a desempenhar funções de vereador da Câmara de Lisboa pelo PSD, o juiz Fernando Negrão acha que a melhor solução é mesmo tirar o antigo convento das mãos do Estado, "porque este não cuida do seu património".
Os ratos que nunca se coibiram de partilhar os gabinetes com os magistrados dos juízos criminais ao longo das décadas chegaram a ser pretexto para uma crónica de Paquete de Oliveira. O sociólogo pensa que a solução ideal passaria por recuperar o edifício mantendo-lhe funções na área da justiça. É isso que defende a Associação de Juízes pela Cidadania, que promove uma petição a condenar a venda do antigo convento a privados, pelo que isso significa em termos de perda de memória. O protesto já recolheu mais de mil assinaturas.
"Um Estado em situação de penúria abre mãos dos meios que tem" para fazer dinheiro, reconhece Paquete de Oliveira. O investigador notou algumas diferenças entre o discurso dos funcionários de justiça da Boa-Hora, "mais sensíveis às condições de trabalho", e o dos magistrados, "mais virado para a carga simbólica do edifício".
Já o olisipógrafo José Sarmento de Matos mostra pouca paciência para posições "um bocadinho saudosistas". Na sua opinião, "a história não pára, e não se pode ficar eternamente preso a uma memória", se se concluir, como parece ser o caso, que o edifício junto à Rua Nova do Almada já não serve para as funções que desempenha há mais de século e meio. Um hotel? "Pode trazer benefícios, embora nesta conjuntura possa haver dificuldades em arranjar investidores", avisa.
A ocorrer sob a égide da Sociedade Frente Tejo, entidade de capitais públicos encarregue de recuperar a frente ribeirinha, a transformação do tribunal em hotel constitui para o historiador de arquitectura Sérgio Rosa de Carvalho uma oportunidade de revitalizar a Baixa. Tem é de ser uma intervenção exemplar do ponto de vista da preservação patrimonial: "É essencial manter aspectos como as janelas de guilhotina ou os azulejos. Não pode ser escolhido para o projecto um arquitecto que se queira afirmar pela sua criatividade." "O edifício tem de ser convenientemente restaurado", diz também Sarmento de Matos.

"Façam um convento" Cáustico, o advogado José Miguel Júdice, que durante algum tempo liderou a Sociedade Frente Tejo, lança mais uma acha para a fogueira da polémica da Boa-Hora, cuja transformação o ex-Presidente da República Mário Soares considera "uma pouca-vergonha". "Que transformem o edifício num convento", desafia Júdice. Afinal, foi para isso que o edifício foi construído no séc. XVIII.
A concentração de serviços no Parque das Nações que está a ser feita pelo Ministério da Justiça, e que implicará a mudança deste tribunal em Julho para o antigo recinto da Expo, faz todo o sentido, defende o causídico - tal como a abertura do hotel no edifício que será deixado vago na Baixa. Há contestação? "A Boa-Hora dá jeito aos advogados com escritório lá perto", observa.
Sem conseguir optar por nenhum dos lados da barricada, o urbanista Walter Rossa argumenta que a saída de serviços públicos da Baixa é sempre negativa, pela redução de actividade que implica. Por outro lado, "diz-se há tanto tempo que o tribunal ali não tinha condições de funcionamento". A clientela do hotel de charme não conseguirá compensar o desaparecimento dos juízes, réus, funcionários e advogados? "Não sei", responde Walter Rossa. Um museu ali é que não: "Não podemos ocupar sistematicamente com museus os edifícios da Baixa com valor patrimonial, senão estamos na mesma a matar esta zona da cidade."
"De há uns tempos a esta parte surgiu a mania dos hotéis de charme", critica outro olisipógrafo, Appio Sottomayor. Planeada há vários anos, pelo menos desde o tempo em que João Soares era presidente da câmara, esta é uma transformação chocante? "Dizer que estou indignado é forte de mais. Mas os lisboetas tradicionais como eu não vêem a coisa com bons olhos", responde. "No dia em que tirarem os bancos da Rua do Ouro e as repartições do Terreiro do Paço a Baixa morre." Depois de ter passado cinco anos da sua carreira de juiz na Boa-Hora, o agora vereador de Lisboa Fernando Negrão deixou de ter dúvidas: "Seria um erro manter a Boa-Hora nas mãos do Estado, que não cuida do seu património. Se a transformação em hotel for rápida e preservar os traços do edifício, é preferível."
Depois de cinco anos a trabalhar no degradado tribunal, Fernando Negrão acha preferível o edifício ser hotel»

Monday, February 9, 2009

Thursday, February 5, 2009

Tribunal da Boa Hora

Cerca de mil assinaturas foram recolhidas no abaixo-assinado que circula há dois meses em vários tribunais de Lisboa contra a saída da alçada da Justiça do edifício do Tribunal da Boa-Hora, que será transformado em hotel.
Mais informação aqui.

Monday, February 2, 2009

Mais um andar encapuzado?


Já tinha chamado a atenção desta ampliação encapotada, aqui. E agora, esta foto recebida por email comprova o facto. Ou seja, que neste edifício [que partiu de um convite que a CML fez em 1945 ao Arq. Cristino da Silva para um «Plano Parcial de Urbanização da zona compreendida entre a Praça dos Restauradores e a Praça D. João da Câmara», cujo projecto para este novo edifício da Sociedade Industrial Aliança estaria pronto em 1948, segundo os desenhos do projecto original (publicados no catálogo da expo na Gulbenkian), em que sempre houve um piso recuado conforme se vê nesta foto], se acrescentou um novo "piso" para as instalações técnicas (ar-condicinado, antenas de telemóveis, etc.).

Os perfis de ferro são para uma cobertura de esplanada? É que, dependendo do aspecto final, isto poderá resultar num volume mais ou menos pesado/fechado e não respeita o equilíbrio projectado entre as cérceas de um lado e de outro, do Hotel Palace.

Uma coisa é muito certa: o Cristino projectou este edifício exactamente com a mesma cercea do Hotel Palace. Há alguém que pare esta espécie de "livre-trânsito" que todos os projectos de hoteis recebem na CML?


Info: FJ

Friday, January 30, 2009

«Queria passar com o carrinho de bebé e tinha de ir para o meio da estrada» - Rua da Emenda

Agora já nem repara, mas antes «achava uma tortura» ter de serpentear passeios estreitíssimos pejados de carros mal estacionados: «Queria passar com o carrinho de bebé e tinha de ir para o meio da estrada. Isso nunca me aconteceria na Rússia.»

Anna Sokolova
34 anos Russa, Médica

In Notícias Magazine, 26 de Outubro de 2008 (pág. 51)
Welcome to Portugal! Welcome to the capital city, Lisbon!

Foto: Proibida a circulação pedonal na Rua da Emenda? (Foto de FT)

Thursday, January 29, 2009

As escalas de Lisboa, Morfologia, população e identidades

Actas IV Colóquio Temático
“As escalas de Lisboa, Morfologia, população e identidades”

As Actas do IV Colóquio Temático "As escalas de Lisboa, Morfologia, população e identidades", apresentam escalas de observação sobre a cidade, bairros e ruas, o espaço urbano, a persistência de ruralidade nalguns bairros antigos, a heráldica autárquica, a preservação do património e a concepção e concretização de novos modelos urbanísticos. As actas do IV Colóquio Temático remetem-nos para a população e identidades, para os bairros, para a história e património de Lisboa, uma cidade em que as formas urbanas atingem outras escalas e outros valores.

Já se encontra disponível para download gratuito na loja do site do Arquivo Municipal de Lisboa:


http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/

Wednesday, January 28, 2009

CRITÉRIOS DA BAIXA: Praça da Figueira, 6B-6C


De acordo com a informação que me foi enviada pela CML no dia 30 de Dezembro de 2008, estes equipamentos de publicidade foram instalados ilegalmente, pelo que os serviços municipais procederão em conformidade, promovendo a instauração do respectivo processo contra ordenacional e notificando os responsáveis para procederem à respectiva remoção.

Também o IGESPAR em resposta datada de hoje, dia 28 de Janeiro, confirmou a ilegalidade destes equipamentos e informou que foram pedidos esclarecimentos à Câmara Municipal de Lisboa, através do ofício nº 149/2009, de 15 do corrente.

Ontem ao final da tarde, e quase 6 meses após a sua aparição ilegal, os reclames ainda iluminavam... Em Lisboa o crime compensa?

Nota: para ver o nosso primeiro alerta clik no título

«UMA FARTURA DE LOUCURAS EM LISBOA»

Recente e repentinamente fomos surpreendidos por uma súplica ansiosa exprimida pela vereadora da Cultura na CML, Rosalia Vargas, onde pedia ideias, mesmo que fossem loucas. Creio que, no balanço do ano, a vereadora terá largas razões para alívio e contentamento... A total ausência de visão, sensibilidade estratégica e perspectiva cultural na cidade de Lisboa, e a abundância de ideias loucas dominaram.

1. Real Praça do Comércio. Depois de campanhas de "animação" que demonstraram um talento inimitável em conseguir o impossível, ou seja, a transformação de uma das grandes Places Royales da Europa no Campo das Cebolas, seguiram-se as campanhas de iluminação de Natal, que já fizeram correr rios de tinta. Com efeito, a grande axialidade das iluminações apresentou grandes imagens culturais, competindo entre o tema "Barbarela" da Praça do Comércio e do Marquês, e o tema "Barbie-Bela Adormecida" do Rossio. Foram momentos inesquecíveis, só superados pelo momento culminante das ideias loucas, que foi inaugurar o tão esperado retorno do Cais das Colunas, para imediatamente anunciar para Janeiro a transformação da praça num novo estaleiro de obras, depois de anos de obras e milhões de euros que têm que ser devolvidos à UE por incompetência e mau planeamento.

Definitivamente e concluindo, António Costa não sabe o que é uma praça real, não sabe utilizar o potencial de dignidade do seu espaço público nem a imponência da sua arquitectura e demonstra-o todos os dias aos turistas europeus, que teimam em nos visitar.

2. Com o alargamento das responsabilidades dos pelouros, o vereador Manuel Salgado ficou agora com a responsabilidade do licenciamento na área do urbanismo comercial. Responsabilidade não é um termo desajustado, pois é nesta importantíssima área que muito da imagem de qualidade na vivência de um centro histórico reside.

Fazendo a comparação entre a curva ascendente da vivência e da qualidade do comércio no Chiado e a acentuada e progressiva decadência na Baixa, teremos que reconhecer que os mesmos turistas que nos visitam sabem encontrar a loja da Catarina Portas na Rua Anchieta, reconhecem de imediato o atractivo do Largo do Teatro de São Carlos, descobrem o Café no Chiado, etc... Enquanto na Baixa, estabelecimentos com verdadeira qualidade, como a Confeitaria Nacional, tornaram-se "ilhas"cercadas por comércio híbrido e descaracterizado, bem ilustrado pela ofensiva em massa do fenómeno "Chíndia".

Ao apercebermo-nos que mesmo o eixo fundamentalmente estratégico, que se inicia na Rua da Conceição, passa pela Sé até ao Largo das Portas do Sol, seguindo o percurso do eléctrico 28, zona anteriormente consolidada com comércio de qualidade e antiquários, começa a tornar-se zona de expansão estratégica do híbrido, representado pela "tralha" e quinquilharia pseudoturística "Chíndia", temos que perguntar directamente ao vereador Manuel Salgado o que é que anda a fazer... Provavelmente ele irá dizer-nos que a sua total ausência de estratégia na área do urbanismo comercial, encerra uma atitude subtil de resposta ao tal apelo de ideias loucas da vereadora.

3. Entretanto, a exposição sobre a Baixa Pombalina encerrou, como marco da total inactividade na área fundamental da reabilitação urbana. Vem o vereador Manuel Salgado anunciar a suspensão do PDM, para desenvolver não mais do que obras dispersas e empíricas, sem uma concentração pedagógica e estimulante numa zona. Além disso, por aquilo que conseguimos adivinhar nas imagens relâmpago e sem qualquer explicação que tentámos descodificar nas vídeo montagens dos projectos para o espaço público e intervenções em monumentos nacionais na Baixa, ficámos sem saber qual o grau de rigor das intervenções na perspectiva patrimonial.

Assim, sabemos que no Largo de Trindade Coelho pretende-se retirar o gradeamento na entrada da Igreja de São Roque, com o pretexto de fazer retornar a praça a uma situação original e pura... quando a Carta de Veneza nos diz claramente que o património posterior (gradeamento do século XIX) acumula as memórias de vivência do local.Poderemos então perguntar... Seguem-se os gradeamentos das igrejas de São Nicolau e de São Julião? No caso da Igreja de São Julião e no plano conjunto com o Banco de Portugal parece que sim, além de que a depuração minimalista nos interiores pretende criar uma abertura envidraçada (!) no canto direito da fachada da Igreja de São Julião.

Definitivamente, desistiu-se totalmente da candidatura da Baixa a Património Mundial e do master plan rigoroso na perspectiva patrimonial, ao nível da imagem histórica, tipologias e materiais que tal candidatura exigia e implicava.Resta-nos a consolação da promessa de mais ideias loucas na gestão de uma cidade com um potencial histórico, patrimonial e cultural único entregue a eleitos sem capacidade para o reconhecer, valorizar e aproveitar.

Artigo de opinião de António Sérgio Rosa de Carvalho, Historiador de Arquitectura, publicado no PÚBLICO 25.01.2009

FOTO: a já clássica barraca de farturas do Terreiro do Paço, caso talvez único na Europa da UE, introduzido pelo Presidente da CML no âmbito da iniciativa «Aos domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas»

Tuesday, January 27, 2009

RUA AUGUSTA: «Molinhas Felicio - Hand Made in Portugal»

LEGENDA: «Molinhas Felicio - Hand Made in Portugal», «Por favor Não Puxar / Don't Pull Please»


URGENTE: URBANISMO COMERCIAL PARA O CENTRO HISTÓRICO DE LISBOA!

Friday, January 23, 2009

LARGO DO CARMO: largo da circulação rodoviária?


Placa toponímica no Largo do Carmo parcialmente obstruída por sinalização rodoviária. Trata-se de mais uma lamentável prova de como em Lisboa ainda se priveligia a mobilidade rodoviária em detrimento da pedonal. As "sacro-santas" necessidades dos automobilistas estão acima de quase tudo e todos (basta ver a recente furiosa reacção do ACP à proposta de devolver parte da Baixa / Praça do Comércio aos peões). Mas a falta de visibilidade desta placa toponímica, devido a sinalização de trânsito, não é caso único na nossa cidade. Na hora de escolher o que é mais importante, Lisboa raramente hesita: os carrinhos de transporte individual.

Sunday, January 18, 2009

«LISBOA, CAPITAL do CHARME» - Largo da Igreja de S. Domingos

"Objecto Degradado Estacionado" no Largo da Igreja de São Domingos (Freguesia de Santa Justa). Fotografia tirada no dia 14 de Janeiro de 2009.

Tuesday, January 13, 2009

LISBOA É...

...uma sinalização pública reduzida à patética função de poste de publicidade privada - no gaveto da Travessa do Almada com a Rua de Santo António da Sé

Que muitos automobilistas não respeitem os sinais de proibição de estacionamento não constitui novidade nenhuma. Mas ver sinalização vertical a ser ilegalmente apropriada para publicitar venda de imóveis isso sim, já é um fenómeno relativamente novo. Como é possível que isto aconteça em pleno centro histórico? Uma triste ironia é o facto desta esquina corresponder a um prédio construído pelo próprio Marquês de Pombal (as armas da família podem ser vistas no cunhal mais acima).

Não existe um regulamento que estabelece regras para a publicitação da venda de imóveis no concelho de Lisboa?

Como se pode observar na fotografia, estamos perante um abuso inaceitável - da parte de uma das maiores empresas do ramo.

Se a CML não intervir junto das empresas responsáveis iremos ver estas más práticas proliferarem no espaço público da nossa cidade.

Monday, January 12, 2009

LISBOA É...



...placas toponímicas desdentadas. No Bairro Alto, em São Bento, no Chiado e em muitos outros bairros. Já para não referir as cada vez mais numerosas placas toponímicas desfiguradas com graffiti. A TMN poderia pagar o seu restauro no âmbito dos lucros da publicidade «natalícia» na Praça do Comércio e Praça Marquês de Pombal...

«Portuguese Brands: Why the Past is the Future»

12 de Janeiro de 2009

Tucked down the Rua Anchieta is A Vida Portuguesa, a boutique filled with a huge selection of Portugal’s historic and still-thriving brands. For anyone interested in a brand-wise archaeological dig of this country’s last century (even more time than that, actually) and a study on how to take age-old brands and turn them into luxury goods, this is the place. The store’s brochure indirectly boasts that it is full of Proust-worthy madeleines, which would be a painfully dumb claim if it weren’t true.

Owner Caterina Portas started the digging several years before the store opened in May 2007. As such, she’s an expert on the country’s best brands and what makes them tick.

“I started looking for products that were at least 40 years old,” she says, “where the quality of the product was important and the packaging was beautiful.”

Her shop is a shrine to the past, but curiously and cleverly in tune with the present. It exalts everything from ceramic swallows, which are a national symbol, to a soap that Oprah can't get enough of, to Coração metal polish, which still uses its original 1928 logo of a heart pierced by an arrow.

“Brands spend millions to create a history for themselves. Normally items that are 60 to 80 years old won’t be bad things,” she says with a touch of irony. “If they’ve lasted this long, they’re bound to have a certain quality.”

The objects Portas stocks are iconic brands and part of the greater "national brand”—each one having reached a hallowed status where it can be equated with what it means to be Portuguese—each possessing little bits of the country’s collective soul and the reverence that brand managers around the world would die for. The products trace the arc of the 20th century, including the 42-year reign of dictator Antonio de Oliveira Salazar, up to the country’s 1986 inclusion in the European Union and the rapid modernization that followed.

Now many say the country is going through a reflective period where people are weeding out the globalized products they don’t want and keeping what they’ve been doing right the whole time.
"My feeling was that with globalization, we were all starting to be alike, to dress alike, to use the same products. It was clear that we'd see a resurgence of the local," Portas says.
“A chocolate manufacturer told me the other day, ‘We’re successful today for the same reasons we had trouble ten years ago: we’re small, local, have a tiny production, are artisanal and have an old-time image and packaging.”

Portas is conscious of the blooming nostalgia of older Portuguese citizens for the good products from their past and of a younger generation’s newfound appreciation of them.

Some of A Vida Portuguesa’s clients are of the generation that grew up with these products and sees them as practical, nostalgic and part of something good that came from a tough time. Younger clients seek a connection to the past and often use the products simply because they work well.

“Our clients are old, young, rich, poor, people from Lisbon, Portuguese, foreigners and old ladies who still want their favorite hand cream,” Portas recounts. After the better part of a century, her brands are still expanding. “Couto toothpaste is 75 years old and still finding new clients,” she says, citing one example: “Now vegans like it because it was never tested on animals.

“When you get to investigate products from daily life, you touch on a lot of subjects,” she says, explaining that many of her products are still in production thanks to their quality and connection to the Portuguese past. “It’s quite possible to tell the story of a country from the products they use.”
Para ler o artigo completo, Portuguese Brands: Why the Past is the Future, visite:

http://www.brandchannel.com/start1.asp?fa_id=459