Friday, May 15, 2009

4ª F, vai a discussão de CML:



Trata-se do projecto de acesso mecânico previsto no âmbito da mobilidade na Baixa (e uma das 4 justificações para a suspensão do PDM na Baixa) e que é uma batalha de há muito, do Arq. Alves Coelho, do Arq. Tudela, entre outros, hoje reformados da CML … e que o Fórum Cidadania Lx pegou em tempos.

Só que isto que a CML apresenta agora é ... NADA.

Poderá servir para manchete publicitária mas:

1. Não resolve minimamente o acesso ao Castelo. Pois a ideia/projecto original previa o acesso por escada rolante dentro da plataforma/maciço da praça central do castelo onde está a estátua de D.Afonso Henriques. Este projecto diz zero sobre isso (podia-se inclusive usar um terreno sem dono na matriz que existe mesmo em frente ao Chapitôt).

2. A ideia inicial era usar-se sempre escadas rolantes (dentro do edif. da Rua Fanqueiros/R.Madalena e lado a lado no mercado/silo automóvel, nas Escadinhas aí existente. Mas nunca, por nunca fazer-se elevadores de carregar no botãozinho (implica tempo de espera, filas de pessoas, insegurança, etc.) o que NÃO SERVE OS MORADORES. As escadas possibilitam que se possa apanhá-las continuamente, sem tempo de espera e com muito maior capacidade de carga. Implica manutenção, sim, claro, e depois?

Além do mais, o desenho apresentado por este projecto é feio, pois faz nascer um corpo, ainda que transparente, paralelo à fachada lateral do edifício do mercado, que inclusivamente será um obstáculo às vistas desde a esplanada no cimo das escadinhas.

Além disso, na introdução, faz referência à requalificação do Lg.Amaro da Costa (que neste momento é um local para estacionar, apenas isso, e que não tem uma única árvore e um simples elemento que o valorize em termos de espaço público), mas depois nada diz de concreto sobre ele.

À parte estes aspectos, há um outro, a montante do problema: por que carga de água a EMEL está metida nisto?

...

Excelente artigo. Mas fica o alerta:

- Qual é o tipo de piso e de material em preparação para o resto da intervenção na FR (Ribeira das Naus, Corpo Santo, Rua do Arsenal, etc.)? Betão? A intervenção global é una ou uma manta de retalhos de intervençõezinhas, cada qual com a sua "marca de autor", o seu desenhinho, o seu material, o seu espaço público, a sua espécie de árvore, etc.?

- A transformação da placa central num plinto gigantesco, debruado a 2 degraus, cada qual com 45 cm de alto, além de ser inestético e indecoroso para aquela praça, é uma uma barreira arquitectónica que transformará o Terreiro do Paço numa espécie de Praça da Figueira II

Ainda outro alerta, este a quem de direito:

O chamado "estudo prévio" (que a mim me parece um projecto final) do TP vai a aprovação da CML na próxima 4ª F. Cadê a discussão pública? O "debate" limita-se a 2 arigos num jornal diário e a um debate na corporação?

Não, não, isso deve ser como se fosse um plano de pormenor, no mínimo ... faz favor de abrirem período de debate público e de solicitar pareceres a especialistas, que por sua os divulgem junto da opinião pública. O Terreiro do Paço é demasiado importante para ser tratado como uma praceta de beco.

Tuesday, May 12, 2009

Losangos para o Terreiro do Paço pouco consensuais mas calçada não é obrigatória

In Público (12/5/2009)
Ana Henriques

«Falámos com vários especialistas sobre o projecto apresentado por Bruno Soares
para a Praça do Comércio e ouviu alguns elogios mas também algumas críticas


Não são lá muito consensuais os grandes losangos que o arquitecto Bruno Soares desenhou para o futuro chão do Terreiro do Paço. Mas nenhum dos especialistas contactados pelo PÚBLICO se mostra chocado com o desaparecimento da calçada portuguesa - que, aliás, há muito que já não ornamenta a placa central da Praça do Comércio.

Recusando-se a comentar o trabalho de Bruno Soares por desempenhar nesta altura as funções de presidente da Ordem dos Arquitectos, João Rodeia recorda o que sempre defendeu em relação à praça: "O pavimento deve ser o mais neutro possível". Uma opinião que parece ser idêntica à do olisipógrafo José Sarmento de Matos, quando diz que não acha feliz a marcação dos losangos, que deviam ser mais discretos - tal como o corredor de pedra que marca o caminho entre o arco da Rua Augusta e o rio, dividindo a praça ao meio. Ao arquitecto José Mateus agrada que tenha sido o antigo terreiro que ali existia antes do Terreiro do Paço, uma praça de terra sem pavimento, a inspirar o trabalho de Bruno Soares. "Mas tenho dúvidas quanto aos losangos. Parece-me uma opção extraordinariamente formal e contraditória com a noção de terreiro".

"Um bocadinho folclórico"
Manuel Graça Dias também não acha grande piada aos quadrados deformados: "Preferia que fosse um desenho mais neutro. Ou então um padrão à escala do peão, como acontece com a calçada portuguesa". É possível que quem cruze a Praça do Comércio nem se venha a aperceber deles, devido às suas dimensões. E o corredor de pedra, será necessário? "As pessoas não são tontas, não é preciso assinalar caminho nenhum", responde Graça Dias.
O arquitecto Ribeiro Telles resume um sentimento que parece ser generalizado: "O arranjo da praça deve ser o mais simples possível, porque ela já tem força e majestade por si própria". Daí as reticências do paisagista em relação ao pavimento da placa central: "Acho-o um bocadinho folclórico".
À parte estes aspectos, o projecto é recebido com algum agrado. À excepção do presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau, em cuja área se situa a praça, vários depoimentos reconhecem alguma qualidade ao trabalho de Bruno Soares. Especialista em questões da Baixa, Walter Rossa dá mesmo os parabéns aos seus autores, por terem conseguido "respeitar a solenidade e o silêncio do espaço". Tal como João Rodeia, também Walter Rossa temia o surgimento de árvores, banquinhos ou outro mobiliário urbano que de alguma forma apoucasse o sítio. "Qualquer intervenção deve respeitar a escala do local", e não tentar transformá-la, diz o arquitecto.
"Neste projecto a simetria foi preservada e de alguma forma o espírito da praça mantém-se", elogia Graça Dias. Outra opção igualmente elogiada é a redução do tráfego automóvel e o aumento dos passeios. "É o mais positivo: passa a ser território dos peões", observa Sarmento de Matos. O olisipógrafo explica que, sendo a calçada portuguesa "uma coisa relativamente recente" - do séc. XIX -, não há razão para a tornar obrigatória num local que tem uma história muito anterior a essa época. Podia até ser contraproducente, avisa Rossa, por reflectir em demasia a luz junto ao rio, tornando insuportável atravessar a praça sem óculos escuros. Para este especialista, apenas uma coisa precisa de ser mudada no projecto: a plataforma do cais das colunas, que passa a ser circular, em vez de um semicírculo. "Parece uma rolha que rouba espaço à praça", critica. As esplanadas nas arcadas não levantam quaisquer objecções.
A Ordem dos Arquitectos já convidou Bruno Soares e a sua equipa para participar num debate público que irá promover sobre a requalificação do Terreiro do Paço»


Arquitectos defendem que "devia ter havido concurso"

Foi no final dos anos de 1990, nos tempos em que João Soares presidia à Câmara de Lisboa, que um concurso público promovido pela autarquia para reabilitar o Terreiro do Paço deu a vitória aos arquitectos José Adrião e Pedro Pacheco. Uma década depois a dupla continua sem conseguir explicar por que razão o seu projecto não foi por diante - apesar de o seu trabalho ter sido pago. "Continua a ser um projecto totalmente válido", garante José Adrião, que gostaria de o ver posto em confronto com o trabalho de Bruno Soares.
Na visão da dupla de arquitectos o pavimento da Praça do Comércio devia ter grandes lajes de aglomerado de pedra. José Adrião recorda que naquela altura concorreram à recuperação do Terreiro do Paço "20 e tal equipas" de arquitectos, cujos trabalhos foram apreciados por um júri composto por técnicos de diferentes áreas. E defende que também desta vez se devia ter optado por um concurso, em vez de se fazer uma encomenda de regime, sem concorrência. Foi a Sociedade Frente Tejo, cujo capital é detido pelo Estado na totalidade, que entregou a reabilitação do Terreiro do Paço ao atelier de Bruno Soares, responsável na década de 90 pelo Plano Director Municipal de Lisboa.
Tal como o projecto encomendado pela sociedade, a proposta de José Adrião e Pedro Pacheco já previa a animação da zona das arcadas - com instalações culturais, bibliotecas, galerias, salas de exposição, feiras especializadas e um museu da Lisboa pombalina. A Frente Tejo encomendou um estudo de urbanismo comercial para resolver a questão. »


Vamos lá a ver se alguém fala claro:

1. A história dos losangos amarelos debruados a cinzentinho, é uma saloiada pegada, e as risquinhas do lado das arcadas, imitando a cartografia uma piroseira. Aliás, na linha que os nossos autarcas da região saloia costumam fazer em tudo quanto é paredão, ou intervenção com marca de autor, em espaço público (areão incluído).

2. Não está em causa a calçada portuguesa. O que aquela praça deve levar é lajes de lioz. Ponto.

3. Não deve haver toldos nem bases para futuros mastros, a prever bandeirinhas. E, sendo eu defensor de árvores, acho que ali não deve existir nem uma.

4. Não deve haver alcatrão em nenhum lado, porque isso convida à manutenção do pópó, circulando ou estacionando. Deve-se manter o trânsito nas laterais para transportes públicos, em piso que não alcatrão, e que sejam veículos não poluentes e de porte médio.

5. E, nada de fazer fileiras de degrausno bordo sul da placa central.

Wednesday, May 6, 2009

«CHIADO IN A MESS!» ...SERÁ DO VENTO?

...ou será mau design e pouca consideração pelo património, neste caso concreto não só pelas consolas de iluminação mas também pelo ambiente urbano histórico? Veremos até quando a CML irá tolerar estas telas, bem intencionadas sim, mas muito mal pensadas! «Chiado in a Mess!»

Sunday, May 3, 2009

LARGO do CHIADO: propaganda política


Infelizmente continua a instalação de cartazes de propaganda política em locais de indiscutível valor histórico e artístico. Apenas a título de exemplo, estas imagens de cartazes encostados às fachadas da Igreja da Encarnação e da Igreja do Loreto (dos Italianos) no Largo do Chiado.

É lamentável que dois partidos políticos estejam a dar tão mau exemplo de desrespeito pelo património e pela lei. É proibida qualquer publicidade e propaganda política na envolvente imediata de monumentos classificados, como é o caso destas duas conhecidas igrejas do Chiado. Resta a esperança de que, no dia das eleições, os partidos sejam também julgados por todas estas acções abusivas.

Tuesday, April 28, 2009

Passadeira de pedra a cortar Terreiro do Paço ao meio inquieta participantes em debate

In Público (28/4/2009)
Ana Henriques

«Sociedade Frente Tejo continua sem divulgar desenhos que permitiriam perceber melhor o projecto de reabilitação da praça


O projecto de dividir o Terreiro do Paço ao meio com uma passadeira de pedra, para assinalar o percurso entre o arco da Rua Augusta e o Cais das Colunas, foi ontem recebido com inquietação por vários dos participantes numa conferência dedicada às praças da Europa que decorreu no Centro de Informação Urbana de Lisboa.

Apesar de o autor do projecto de reabilitação da Praça do Comércio, Bruno Soares, ter estado presente no debate, ainda não foi desta que foram tornados públicos os desenhos que poderão tornar mais claro o que pretende fazer este arquitecto do local. Bruno Soares disse que ainda não tinha chegado a altura de os mostrar.
Ao certo, sabe-se que o projecto que a sua equipa está a elaborar para a Sociedade Frente Tejo, entidade encarregue de recuperar para o usufruto da população alguns troços da zona ribeirinha, prevê o alargamento em 20 metros dos passeios junto às arcadas do lado poente e nascente, de modo a que ali possam ser instaladas esplanadas. Já a placa central deverá estar liberta desse tipo de equipamentos. Para o arquitecto, é um erro fazer comparações entre o Terreiro do Paço e algumas praças espanholas com esse tipo de ocupação no seu centro, como Salamanca ou Valladolid, uma vez que se trata de locais com características diferentes: desde logo a dimensão - a praça portuguesa é muito maior -, e depois a situação geográfica da Praça do Comércio, que é aberta ao rio. "É inóspita, tem muito sol e vento. Seria um grande erro colocar quiosques e esplanadas no centro para fazer com que as pessoas para lá fossem", observou. Também por questões de escala, Bruno Soares pensa não ser de voltar a colocar no local as árvores que já lá existiram no final do séc. XIX: se fossem suficientemente imponentes tapavam os edifícios; se fossem demasiado pequenas ficariam ridículas numa praça tão grande. Quanto à passadeira, servirá para encaminhar os peões em direcção ao rio - segundo o arquitecto, não fará grande contraste com o restante pavimento da praça, devendo ficar ao mesmo nível que este.
Conhecida pelo seu desempenho à frente de vários museus, a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva não hesitou em admitir as suas reticências em relação a vários aspectos do projecto. Além da inquietação que demonstrou sobre a passadeira para os peões, criticou a prevista abertura de um hotel de charme num dos edifícios do Terreiro do Paço. "E a ocupação das arcadas apenas com funções comerciais e turísticas é um erro", preveniu. O que Raquel Henriques da Silva gostaria de ver no local era um pólo do Museu da Cidade dedicado à época pombalina que permitisse aos turistas perceber a história do sítio. E, acima de tudo, que a intervenção a que a Praça do Comércio vai ser sujeita seja mínima.
Quanto à animação domingueira ali promovida pela autarquia, a historiadora de arte espera que não regresse, porque se tratou "de um desastre absoluto". »


E o problema maior nem é esse, como já toda a gente percebeu isso. O problema maior divide-se em dois: A que propósito é o Arq. Bruno Soares o autor do projecto, e não é outro qualquer? A que propósito é que se quer transformar a placa central numa malha de losangos amarelos ocre, em areão, debruados a cinzento, e sob o pedestal fazer-se um losango grande em verde; e depois, defronte à marginal, uma bancada de cerc a de 1m de altura com dois degraus?

Parece que ainda não foi desta que o powerpoint foi divulgado, o que é estranho. A coisa só foi divulgada em sessão privada de CML e as extrapolações feitas são-no por via dos pormenores divulgados em briefing.


P.S. Outro problema, igualmente grave, é constatar-se que a candidatura da Baixa à UNESCO, como a Profª Raquel Henriques da Silva afirmou, «jaz morta e a arrefecer rapidamente». Também, vendo bem, depois das alterações que foram sendo permitidas nos últimos meses, e sem continuar a haver vontade para um verdadeiro plano financeiro, a coisa nem fazia já sentido. Alumínio, podes fazer o teu trabalhinho!

Monday, April 27, 2009

Há um jardim de oliveiras que anda às voltas pelo Terreiro do Paço

In Público (25/4/2009)


«A Parece que a ideia agradou a muitos dos que passam pela mais nobre e imponente praça de Lisboa, em devaneio turístico, ou na correria para o emprego. Talvez por isso, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, foi ontem ver como as oliveiras se movimentam pelo Terreiro do Paço. São assim os 45 "jardins portáteis", idealizados por Leonel Moura, que a autarquia adquiriu por 70 mil euros. Mexem-se à força dos pés de quem se senta na estrutura plástica que sustenta a pequena árvore. Talvez também por isso o autarca já pense em deslocá-las, depois das comemorações do 25 de Abril, para a Praça da Figueira, onde darão o colorido de que o local tanto carece. E Costa lançou novo desafio, convidando outros artistas plásticos a apresentarem projectos para a cidade. A praça encheu-se de gente e, não fosse o vento que a fustigava e a poeira das obras que brindava os visitantes, muitos mais por ali tinham ficado. O artista plástico explicou então que o seu "jardim portátil" permite aos cidadãos, pelo seu movimento, participar na vida da cidade. Sobre a árvore escolhida, destacou que dá sombra a quem nela se acolhe e que está fortemente enraizada à cultura portuguesa e à cidade de Lisboa.»

...

Att. Sr. Presidente da CML


Atenção! Pelo facto da Praça da Figueira ser agora uma espécie de 'aterro sanitário' de tudo quanto a CML quer impingir-nos e acha pimba, por favor, nada de enxotar para lá mais monos.

A Praça da Figueira merece tanto respeito quanto o Rossio, os Restauradores ou o Terreiro do Paço.

Tinha até um belo projecto de requalificação no seguimento do do Rossio (e só projectos de requalificação que entendam a cidade como um espaço continuado é que são dignos de referência), mas que uma 'cunha' fez parar em prol de um outro de revestimento das fachadas da praça com azulejos, no que seria o projecto mais piroso de toda a Lisboa. Ainda bem que isso não foi avante.

Mas não descansaram enquanto não descentraram a estátua de D.João I, subiram a cota do pedestal, puseram aquela iluminação pindérica, mais as tendinhas e lá veio Santana que colocou corrimões nos poços de ventilação (mais outro dos clássicos lisboetas) da placa central. Ah!, é verdade, as árvores-palitos da praxe, dispostas bem longe das fachadas.

Mais bugigangas agora? Poupe-nos, por favor.

Friday, April 24, 2009

Terreiro do Paço ganho pela CB Richard Ellis e Innovagency

In OJE (23/4/2009)

«O desenho da solução de urbanismo comercial para a Praça do Comércio, em Lisboa, será feito pela consultora imobiliária CB Richard Ellis e pela Innovagency.
Este projecto promovido pela Frente Tejo procura concretizar uma visão ambiciosa para o futuro do Terreiro do Paço.

O consórcio CB Richard Ellis/Innovagency ganhou o concurso promovido, pela sociedade Frente Tejo, para desenhar a solução de urbanismo comercial para a Praça do Comércio (Terreiro do Paço), em Lisboa.

Este projecto tem como objectivo devolver uma dinâmica a uma das maiores Praças da Europa, através de movimento comercial, cultural e turístico, dentro dos melhores e mais avançados parâmetros de qualidade urbanística e comercial a nível mundial

Este projecto promovido pela Frente Tejo procura concretizar uma visão ambiciosa para o futuro do Terreiro do Paço, desenhando e implementando um conceito inovador e contemporâneo, com relevância temporal contínua, assente na multifuncionalidade dos espaços. O Projecto enquadra duas vertentes fundamentais: a de desenho da estratégia comercial e a de definição do modelo de gestão e exploração da oferta e do espaço urbano sob um conceito e uma marca integradores.

A área de intervenção do projecto integra o piso térreo dos edifícios que constituem o conjunto monumental do Terreiro do Paço, incluindo os torreões Nascente e Poente, num total de 18 mil m2 de área coberta, bem como o espaço público do Terreiro do Paço, nomeadamente a praça e os claustros interiores dos edifícios.

A CB Richard Ellis e a Innovagency associaram-se para a realização deste trabalho por acreditarem que a complementaridade das suas competências e experiências permitiriam abordar o desafio de uma forma inovadora e integrada. À especialização da CB Richard Ellis no sector imobiliário (em particular uma vasta experiência imobiliária acumulada na análise, definição, comercialização e gestão de projectos no sector comercial) juntam-se as competências de inovação e de marketing estratégico da Return on Ideas (a marca de consultoria da Innovagency). Este consórcio ambiciona desenhar para o Terreiro do Paço um conceito com soluções inovadoras e adequadas aos diferentes públicos alvo que se pretende atingir.

A CB Richard Ellis desenvolve a sua actividade para promotores, investidores e ocupantes através de mais de 300 escritórios em todo o mundo (excluindo empresas associadas). Entre os seus serviços contam-se a consultoria e mediação em operações de venda e arrendamento de imóveis, administração de imóveis, gestão de projectos, consultoria de investimento imobiliário, serviços de avaliação, research e consultoria. Em Portugal a empresa está presente desde 1988, prestando serviços em todo o território nacional, tendo reforçado a sua posição a Norte do país desde 2006.

A Innovagency concentra a sua capacidade para abordar projectos de assessoria estratégica e de marketing sob a marca de consultoria "Return on Ideas". Esta equipa está especialmente vocacionada para apoiar os clientes na identificação, aceleração e implementação de oportunidades de crescimento dos negócios, com metodologias orientadas para o consumidor. Com oito anos de experiência no mercado português, tem colaborado com as principais empresas nacionais e tem tido sucesso em sectores tão variados que vão do sector imobiliário ao sector financeiro, do sector energético ao sector dos bens de consumo e do retalho. Em todos eles, a Return on Ideas apresenta sempre soluções inovadoras que permitem um rápido incremento dos proveitos das organizações, seja por: aumento puro e simples do número de clientes; criação de novas plataformas de crescimento do negócio; utilização mais efectiva dos canais à disposição das empresas para chegar aos consumidores; e segmentação racional dos produtos e serviços tendo em conta a base de clientes a que se dirigem»

Thursday, April 23, 2009

Achados arqueológicos descobertos no Terreiro do Paço podem vir a ser divulgados num centro interpretativo

In Público (23/4/2009)

«A criação de um centro interpretativo para os achados arqueológicos descobertos durante as obras do Terreiro do Paço é uma das hipóteses em estudo para divulgar aquele património, disse o vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, Manuel Salgado.
A hipótese foi avançada numa reunião entre o vereador, o presidente do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), o vice-presidente do instituto para a área da arqueologia e responsáveis da sociedade Frente Tejo, da EPAL e da Simtejo, entidades envolvidas nas obras que decorrem no Terreiro do Paço.
Na reunião foi decidido o levantamento da interrupção da obra devido à descoberta de achados arqueológicos, nomeadamente de uma muralha junto ao Cais do Corpo Santo. "A situação está controlada e nenhum atropelo foi cometido para não comprometer o calendário da obra", garantiu Manuel Salgado, referindo o "valor importante" dos achados.
"Não houve destruição de património. Assim que foram detectados achados foi dado conhecimento ao Igespar, que accionou as medidas preventivas", afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, durante a reunião da Assembleia Municipal que se realizou anteontem.
Diferente é a versão do responsável pela arqueologia náutica e subaquática do Igespar, Francisco Alves, que revelou ao PÚBLICO, em declarações anteriores, que houve um avanço das máquinas sobre os vestígios, previamente registados por desenho e fotografia, "sem autorização da tutela". Também o presidente do instituto, Elísio Summavielle, admitiu uma "precipitação" do empreiteiro.
A Assembleia Municipal aprovou uma moção do PSD condenando "veementemente" as "situações ocorridas" e exigindo do presidente da câmara "garantias sólidas" de que é capaz de "defender e salvaguardar o património histórico e arqueológico".
Numa recomendação apresentada pelo PSD, os deputados exigiram que o contrato local de segurança, que está a ser negociado com o Ministério da Administração Interna e que se prevê que abranja apenas a zona da primeira divisão da PSP, seja "aplicável a toda a cidade de Lisboa". Também António Costa revelou defender esse alargamento, frisando que "não há uma negociação fechada".
Também por iniciativa do PSD, a Assembleia aprovou uma moção repudiando "qualquer tentativa" da autarquia de propor alterações ao PDM para "acomodar interesses imobiliários do Governo".
Já ontem, na reunião do executivo camarário, Marcos Perestrello, vice-presidente da câmara, renunciou ao mandato autárquico na capital, considerando não ter condições para o exercer em simultâneo com a pré-campanha eleitoral em Oeiras, onde será cabeça de lista. PÚBLICO/Lusa»

E começou a jogatina partidária.

Wednesday, April 22, 2009

Digam lá se as árvores não são republicanas!









Fotos de 1900 a 1918. Fonte: Arquivo Municipal.

Monday, April 20, 2009

CONVERSAS COM LISBOA: ciclo de palestras nos Paços do Concelho

Ciclo de Palestras organizado pela Câmara Municipal de Lisboa

A cidade, a sua história, a vida quotidiana, a arte e a arquitectura, as pessoas com as suas histórias e as suas memórias, vão ser temas destas primeirasa "Conversas com Lisboa". Através das palavras dos oradores convidados para este ciclo vamos tarzer à conversa diferentes olhares sobre Lisboa e debatê-los com todos os que quiserem partilhar um pouco dessas memórias, com um olhar posto no futuro da nossa Cidade.

Todas as palestras terão lugar nos Paços do Concelho, a casa dos lisboetas, ao fim da tarde, entre as 18h00 e as 20h00.

23 ABRIL
A celebração Pombalina no Século XIX
JOSÉ SARMENTO MATOS (Olisipógrafo)

30 ABRIL
Lisboa das Avenidas Novas
RAQUEL HENRIQUES DA SILVA (UNL/FCSH)

Foto: barraca de «churros e porras» na Praça do Comércio ou a celebração da prostituição do património?

Um centro comercial para o Rossio

In Público (20/4/2009)

«A Câmara de Lisboa aprovou há poucos dias um projecto de arquitectura que vai transformar o quarteirão onde se encontra a Pastelaria Suíça, no Rossio, num hotel de cinco estrelas.
Parece-me que esta não é a melhor foram de reabilitar e revitalizar a Baixa, porque uma unidade hoteleira daquela classe irá certamente funcionar, e não é difícil de prever, como um "clube de ricos", com porteiro à porta, no centro da cidade, isolado do resto da população. Se pensarmos que em vez do Centro Comercial Armazéns do Chiado se tivesse instalado um hotel de cinco estrelas naquele local, hoje provavelmente aquela zona da cidade teria uma menor circulação de pessoas, sobretudo à noite.
Os centros comerciais são hoje em dia espaços de convívio, por excelência, nos quais as pessoas se podem sentar às mesas para conversar, sem haver consumo obrigatório, o que agrada a quem tem poucas posses, e onde se pode tomar um copo ou uma refeição, fazer compras, ir ao cinema, estudar, namorar ou, muito simplesmente, comprar o jornal. Poderá parecer de mau gosto, principalmente a puristas e elitistas, a minha escolha para recuperar e dar nova vida à Baixa: O quarteirão em causa deveria ser transformado num centro comercial que tivesse um excelente projecto em que fossem mantidas as abóbadas do piso térreo, como no do que o vereador Manuel Salgado referiu aos jornalistas. Sim, um centro comercial que tivesse um excelente projecto, com abóbadas e esplanadas.
Mário Júlio,
Lisboa»

Uma boa ideia, só que redundante: o Rossio já é um centro comercial.

Sunday, April 19, 2009

Igespar sai em defesa de achados no Terreiro do Paço

In Público (19/4/2009)
Ana Henriques


«Pressa em terminar obras em curso pode comprometer descobertas arqueológicas importantes. Antiga escadaria vai ficar à vista


Era uma manhã desagradável para passear à beira-rio. O céu cinzento e o ar húmido teriam de bom grado levado o director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) a optar pelo conforto do seu gabinete no Palácio da Ajuda. Mas, perante o que se havia passado escassas 12 horas antes no Terreiro do Paço, Elísio Summavielle não teve outra escolha senão descer até à margem do Tejo acompanhado por arqueólogos, para perceber até que ponto a pressa do empreiteiro que está a fazer as obras de saneamento não tinha danificado irreversivelmente vestígios ali encontrados esta semana.
"Suspirámos de alívio", descreve o responsável pela arqueologia náutica e subaquática do instituto, Francisco Alves. "Apesar de terem avançado com as máquinas sobre os vestígios sem autorização da tutela, estes já haviam sido registados [por desenho e fotografia] pelos arqueólogos que acompanham a obra". Além disso, continuava de pé uma escadaria em pedra, velha de vários séculos, que apareceu defronte do torreão poente da Praça do Comércio. Um poderoso anel metálico cravado a meio dos degraus atesta uma das suas funções - a amarração de barcos.
A escadaria estava enterrada e ninguém sabia da sua existência até as obras em curso a resgatarem ao passado. Irá agora ser desmontada para abrir caminho à passagem da conduta do esgoto, mas mais tarde ficará à vista de toda a gente, já que será remontada no lugar onde apareceu. À primeira vista parece fazer parte da amurada do Cais das Colunas. Os arqueólogos garantem que não, que poderá ser da época dos Descobrimentos.

Vandalismo ou não?
Quanto aos achados destruídos pelo empreiteiro sem autorização do Igespar - restos de um cais de pedra prolongado por pontões de madeira assentes em estacaria -, o especialista em arqueologia náutica e subaquática fala da sua raridade, embora admita que a sua preservação seria impossível, uma vez que inviabilizaria a obra em curso. "Se estivesse numa conversa de café, diria que aquilo que se passou foi vandalismo", observa.
Depois de verem afluir ao local de cada vez mais arqueólogos entusiasmados, com máquinas fotográficas, os operários agiram: na quinta-feira cerca das 21h00 arrasaram tudo, ainda sem terem licença do Igespar para o fazer. Contido nas palavras, Elísio Summavielle fala em "precipitação" do empreiteiro. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar a empresa em causa, a Teixeira Duarte.
"Antes de haver autorização do instituto, não pode haver desmontagem e já chamei a atenção para esse facto, Felizmente não houve danos para o património", refere o mesmo responsável. Os arqueólogos chamam desmontagem à destruição de um vestígio quando ela é precedida do seu registo fotográfico ou desenhado. Summavielle e a sua equipa estiveram com o dono da obra, a empresa intermunicipal Simtejo, para que episódios como este, puníveis por lei, não se repitam. Para terça-feira está agendada uma reunião entre responsáveis da autarquia, do Igespar e das empresas envolvidas nas obras em curso na zona. Em cima da mesa estarão não só as questões relacionadas com a arqueologia como as dos prazos: o presidente da câmara, António Costa, prometeu que os transtornos que os trabalhos estão a criar aos automobilistas durariam quatro meses, mas a necessidade de alterar alguns projectos para preservar os vestígios arqueológicos pode fazer com que as obras se prolonguem para lá de Junho. "Por vezes a pressa é inimiga do património", constata Elísio Summavielle.
Um dos projectos que será preciso alterar será o da EPAL. A empresa aproveitou as obras de saneamento para substituir um troço de 640 metros de uma conduta de água entre o Terreiro do Paço e a Ribeira das Naus. Acontece que também aqui os arqueólogos depararam com vestígios que, embora menos espectaculares do que a escadaria, entendem ser igualmente de preservar. Trata-se de um antigo muro de contenção da margem do rio, que se prolonga por cerca de 20 metros. Irá permanecer enterrado, tendo o Igespar dito à EPAL que desviasse a conduta pelo menos 20 centímetros do vestígio arqueológico.

No caminho da conduta
A empresa não comenta: depois de ter passado vários dias a garantir que tinha licença do instituto para destruir o muro, remete agora qualquer declaração para depois da reunião na câmara. Ainda na zona da Ribeira das Naus foi encontrado uma segunda estrutura de pedra, perpendicular ao rio e provavelmente da época anterior ao terramoto de 1755. O Igespar admite que possa vir a ter de ser atravessada pela conduta da água.
Muita da excitação dos arqueólogos com tudo o que estão a descobrir enterrado à beira-rio tem que ver com o facto de várias destas estruturas portuárias estarem representadas em antigos mapas e gravuras da cidade de Lisboa. Seriam imagens fiéis da metrópole portuária do século XVII? Ninguém sabia. Até hoje. O director do Igespar apela à Câmara de Lisboa para que, terminadas as escavações, sejam divulgadas as descobertas feitas, "para que tudo o que está ali debaixo não fique nas gavetas dos peritos".
100 mil habitantes de Lisboa ainda vêem os seus esgotos encaminhados para o Tejo. As obras em curso vão mudar isso»

Era bom, também, que o Presidente do IGESPAR se preocupasse com a saloiada pegada que é o projecto da Parque Expo para o Terreiro do Paço, atentatório que é da monumentalidade única do mesmo, e, mais, que envolve a construção de uma "anexo" lacustre junto ao torreão poente, para emissão de esgotos. Coisa perfeitamente dispensável, segundo opinião de técnicos especializados, dado que a obra a decorrer em pleno terreiro pode, e deve, englobar essa vertente técnica, sem necessidade de construção da tal palataforma lacustre.

Saturday, April 18, 2009

CML: «Programa de Investimento Prioritário em Acções de Reabilitação»



«O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tem a honra de convidar V. Exa. para a Sessão Pública de Apresentação do conjunto de obras que integram o Programa de Investimento Prioritário em Acções de Reabilitação, que se realiza no dia 21 de Abril de 2009, às 11 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.»

Fotos: Esperemos que uma das prioridades seja a reabilitação de edifícios municipais. A CML dá o mau exemplo um pouco por toda a cidade - Propriedade Municipal na Rua Bartolomeu de Gusmão, 8 na Freguesia de Santiago.

Friday, April 17, 2009

EPAL terá que preservar antiga muralha da Ribeira das Naus

In Público (17/4/2009)
Ana Henriques

«Vestígios do século XVII obrigam EPAL a alterar traçado de conduta de água, o que poderá comprometer prazo de obra, que devia terminar em Junho


A descoberta de uma antiga muralha do século XVII nas obras que decorrem entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, em Lisboa, poderá comprometer o prazo anunciado para o fim dos trabalhos, em Junho.
O paredão inclinado de contenção da margem do rio é semelhante ao que hoje existe ainda na zona ribeirinha. Acontece que se encontrava enterrado no subsolo. Quando depararam com ele, os arqueólogos que acompanhavam a obra de substituição da conduta de água da EPAL entre o Terreiro do Paço e a Ribeira das Naus consultaram gravuras da época e chegaram à conclusão que estavam mesmo perante uma das muralhas que nelas aparecia representada.
A EPAL é que não ficou satisfeita com a perspectiva de ter de alterar o projecto da conduta e com os atrasos a isso inerentes. No início da semana, a porta-voz da empresa ainda disse ao PÚBLICO que a obra ia prosseguir normalmente, já que a EPAL havia sido autorizada pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) a desmontar a estrutura, que se prolonga paralelamente à margem por pelo menos 20 metros. Uma expressão que, por vezes, mais não é do que um eufemismo para designar o que pura e simplesmente é a destruição dos achados arqueológicos, depois de desenhados e fotografados. Mas afinal, e apesar da argumentação da empresa junto do Igespar sobre as dificuldades de alterar o traçado da conduta, a decisão do instituto que tem como dever a protecção do património vai no sentido de a EPAL fazer todos os esforços para preservar o paredão.
O Igespar invoca a monumentalidade da muralha para exigir a sua preservação. Como o prazo das obras é um assunto considerado sensível, por causa dos transtornos que os trabalhos estão a criar na circulação rodoviária, por via do encerramento da Avenida da Ribeira das Naus, o assunto irá ser discutido na semana que vem entre as várias entidades envolvidas - Câmara de Lisboa, Igespar e EPAL.
Desde que o paredão de contenção de terras foi encontrado, no final do mês passado, que o ritmo dos trabalhos da EPAL tem vindo a abrandar. "Há locais onde é possível ir avançando, embora a um ritmo diferente do habitual. A obra não tem estado completamente parada", garante a mesma porta-voz da empresa, Conceição Martins, segundo a qual ainda não era ontem conhecido na EPAL o teor da decisão do Igespar. Ainda assim, por enquanto "a obra está a evoluir dentro do prazo que estava previsto".
A substituição deste troço de 640 metros de conduta de distribuição de água é apenas uma das quatro empreitadas que estão a decorrer simultaneamente entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré. A construção de duas caixas de intercepção de esgotos, para impedir que os esgotos de parte da cidade continuem a poluir o rio, e a consolidação do torreão poente do Terreiro do Paço são outras das obras em curso, tendo esta última empreitada já acabado. A Câmara de Lisboa também aproveitou a ocasião para fazer um colector pluvial.
Numa visita à obra no fim de Março, o presidente da câmara garantiu que tudo ficaria pronto dentro do prazo. Na altura já era conhecida a existência da muralha, que pode inviabilizar um estacionamento subterrâneo que a autarquia ali quer fazer. Além do paredão, foram encontrados no local outros vestígios arqueológicos da mesma época.
Paralelo ao rio, o paredão de contenção da margem prolongava-se pelo menos até ao Cais do Sodré, atravessando a zona onde hoje estão as agências europeias. Só que a construção das agências não foi acompanhada por arqueólogos. Quando o Igespar percebeu o que se tinha passado era tarde de mais e já tinham sido demolidos troços da antiga muralha.»


Lisboa no seu melhor. Preparem-se, que vem mais aí!

Thursday, April 16, 2009

SEMINÁRIO: Carta Estratégica de Lisboa 2010-2024

Carta Estratégica de Lisboa 2010-2024
Um compromisso para o futuro da cidade

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa convida Vª Exª para participar no 1º Seminário da Carta Estratégica de Lisboa, que vai realizar-se no dia 18 de Abril, pelas 10h, no CCB - Sala Almada Negreiros.

O objectivo do seminário é debater e dar respostas às duas primeiras questões estratégicas que se colocam à nossa cidade:

- Como recuperar, rejuvenescer e equilibrar socialmente a população de Lisboa?
- Como tornar Lisboa uma cidade amigável, segura e inclusiva, para todos?

Todos os contributos são importantes. O futuro de Lisboa também está nas suas mãos.

Lisboa, 15 de Abril de 2009.

António Costa
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Monday, April 13, 2009

Urgente. Especialista precisa-se para Lisboa!

In Público (12/4/2009)
António Sérgio Rosa de Carvalho

«A Este título constitui um encore. Com efeito, num artigo escrito há nove anos usei quase o mesmo título, só que em vez de especialista utilizava, então, dermatologista.
Nele descrevia o estado das fachadas e coberturas pombalinas que, como que sofrendo de uma grave doença de pele, se encontravam cobertas de caixotes de ar condicionado e caixas técnicas, invadidas por cabos pendurados caoticamente como lianas, suportando discos e antenas. Como clímax deste atentado, apontava os telhados do Rossio vistos do lado da Praça da Figueira, qual visão surrealista da Praça Nobre de Lisboa, juncados de sucata. Passados nove anos, depois de vários autarcas e de inúmeros estudos, levantamentos, intenções e promessas, nada foi conseguido e esta decadência só se agravou.

Prosseguindo na metáfora do dermatologista, mas alargando o diagnóstico ao todo mais vasto de que padece o "corpo" pombalino ... poderemos perguntar ... onde está o "especialista" capaz de dar conta deste desafio?
Associada a esta decadência física do edificado, está o desprestígio perante aqueles que nos visitam, o declínio de qualidade nas experiências e vivências sociais e humanas, provocadas por um assédio permanente de vendedores, músicos ambulantes, pedintes e outras actividades obscuras, exercidas por "tribos" organizadas e com "territórios" estabelecidos. A imagem que poderá ficar de tudo isto, é a de um povo incapaz de assumir com consciência o seu legado, impotente na sua preservação, indolente na sua vivência, habitando uma cidade desertificada, tratada como "terra de ninguém". Algo entre os clichés caricaturados, como o "Pereira de Oliveira" do Tintim e o "Manuel" de Fawlty Towers.
Agora que se debate a questão da prioridade e da validade das "grandes obras públicas" em momento de grande crise, será possível encontrar desígnio e missão mais urgente do que a recuperação patrimonial e o repovoamento da Baixa pombalina?
Aqui temos um verdadeiro desígnio nacional! Só que, meditando no exemplo também de desígnio que constituiu a Expo, que usufruiu de equipa e gestão com independência, para garantir a continuidade do rigor de planeamento e execução, terei que concluir que tão importante projecto não poderá ficar dependente das vicissitudes e subjectividades dos ciclos políticos. Assim, parece-me como única solução para este desafio, a nomeação directamente pelo sr. Presidente da República de um comissário que, pelo seu prestígio e independência inquestionáveis, ficará garante perante o país e a cidade da execução deste projecto de longa duração.
O presidente de câmara eleito teria que prestar contas no final do seu mandato perante o Presidente da República e os habitantes da cidade de Lisboa, através do seu comissário, do seu trabalho e progressos conseguidos neste desígnio nacional. Perante casos como a intenção de demolir o último palacete da Av. Duque de Loulé (nº 35), a inoperância e a misteriosa irracionalidade da "máquina" camarária atingiram um absurdo tal que, com relação ao último reduto patrimonial do centro histórico de Lisboa, a Baixa pombalina, que, embora decadente, mantém a sua unidade, algo de excepcional se exige de acordo com a urgência, gravidade e a importância da tarefa. Talvez, precisamente neste momento de profunda crise económica e institucional, tenha chegado o momento de nos libertarmos desta "bipolar idade" colectiva, que nos faz oscilar entre a euforia e o desânimo, exorcizando o nosso culto da fatalidade, através do reencontro com uma capacidade de realização agora num tema culturalmente diferente, já demonstrada quando do desígnio da Expo.
Historiador de Arquitectura»

Sunday, April 12, 2009

O «APROVADO» que nada melhora?

A CML anda a gastar milhares de euros em "Avisos" completamente desnecessários - como estes que têm sido ávidamente colocados em imóveis com grande visibilidade urbana. Daqui por uns anos vai ser considerado um clássico da propaganda política. Para um partido como o PS que tantas vezes levantou a voz e os braços contra a pletora de cartazes instalados na cidade pelo executivo de Pedro Santana Lopes estas telas com o slogan "Aprovado / obra a obra Lisboa melhora" são um verdadeiro tiro no pé. Recordo, por exemplo, uns cartazes de Santana Lopes que nos perguntavam «Já reparou que esta rua foi repavimentada?». Estas telas são completamente inúteis para o cidadão e para a cidade. Porque nada informa para além daquilo que todos já sabemos, isto é, a CML tem como obrigação analisar os projectos e depois deferir ou indeferir. Porque razão este executivo só instala telas com a palavra "Aprovado"? Porque não também telas com a palavra "Reprovado" para os edifícios que viram os seus pedidos indeferidos? Concluíndo: desperdício de dinheiros públicos e poluição visual. Pela boca morre o peixe.

Foto: Rua Augusta. O que é que foi aprovado? o abandono e a má gestão de décadas do património arquitectónico? as caixas de ar-condicionado? o destacamento de azulejos de fachada? uma demolição integral? um hotel? habitação? 5 caves para garagens?

Thursday, April 9, 2009

Aprovada transformação de quarteirão da pastelaria Suíça em hotel






In Lusa

«A Câmara de Lisboa aprovou hoje o projecto de arquitectura que vai transformar o quarteirão da pastelaria Suiça, na Rossio, num hotel de cinco estrelas.

O presidente da Câmara, António Costa (PS), considerou que o projecto irá dar
um "grande contributo à reabilitação e revitalização da zona central da
cidade". O quarteirão encontrava-se "há muito abandonado", sobretudo ao nível dos
pisos superiores, referiu.

O projecto foi sujeito a parecer do Instituto de Gestão do Património
Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), acrescentou o vereador do Urbanismo,
Manuel Salgado.

O movimento Cidadãos por Lisboa votou contra o projecto, porque prevê o acesso
a estacionamento pelo Rossio e pela Praça da Figueira, bem como locais para
tomada a largada de passageiros, em ambos os locais, justicou a vereadora
Helena Roseta. Helena Roseta criticou ainda que a transformação do quarteirão em hotel não leve em conta a preservação da antiga "manteigaria União", uma "jóia" de
valor patrimonial.

O vereador comunista Ruben de Carvalho destacou a degradação em que os edifícios se encontram, considerando que a criação de um hotel assegura movimento na zona e mantém algum do comércio existente.

Como o hotel terá duas frentes - uma para Rossio e outra para a Praça da Figueira - Ruben de Carvalho questionou apenas a inexistência de uma "saída de serviço" da unidade hoteleira.»


Fotos: FJ


...

Há que dizê-lo: este projecto melhorou bastante em relação ao projecto anterior. Mas ainda mantém algumas coisas más, sendo que para mim as piores são mesmo o que farão em relação às mansardas de Mardel (removê-las por soluções 'contemporâneas'? recuperá-las com a mesmíssima traça e com telha igual?) e com a fachada, mobiliário e pinturas da antiga Manteigaria Martins & Rebelo, na Rua do Amparo.

O que é hoje uma papelaria foi até há 30 anos uma das antigas manteigarias mais bonitas da Lisboa. Em qualquer cidade gerida por pessoas com bom gosto, e com empresários hoteleiros e restauração com bom gosto, o que resta da manteigaria (não só a belíssima fachada que dá para a Rua do Amparo e para a Praça da Figueira, mas sobretudo os interiores, feitos de mobiliário de época em estado perfeito e tectos pintados) seria preservada e incorporada como mais-valia, que de facto é, para o futuro hotel, ou como sala de época no âmbito da ampliação que se prevê da Pastelaria Suíça (cujo recente 'new look' alterou radicalmente a sua imagem interior, mas que teima em levar uns preços tão altos que só mesmo turistas incautos é que os suportam, face à qualidade do serviço, mas enfim, isso são outras histórias).

Mas não. A CML não só ignora o valor desta antiga manteigaria, nem sequer a incluindo no Inventário Municipal (porquê?), como apenas aconselha o promotor a manter o mobiliário e a decoração em vez de EXIGIR. Mais, adianta mesmo que se for desmantelada, porderá ir para o Museu da Cidade (está na moda, agora, esse procedimento).

Está pois na mão do promotor, o futuro deste património. Mais uma vez, tal como com o último dos correeiros e muitas outras lojas históricas, a CML é cega e permissiva.

Em qualquer cidade italiana ou francesa, é comum ver-se espaços como este adaptados a salões de chá, chocolaterias, etc., que fazem parte de um roteiro de verdadeiro 'charme'. Em Lisboa, escasseiam. E não acredito que este promotor saiba o que tem em mãos. Se a CML abdica do seu papel, e se o IGESPAR, objectivamente, já era, que nos restará fazer?

Friday, April 3, 2009

Comerciantes querem dinamizar o Chiado

A Associação de Valorização do Chiado quer dinamizar a vida do bairro depois das 19 horas, altura em que o comércio costuma fechar.

Alguns comerciantes já alargam os horários. Esta sexta-feira começou a "Acção de Primavera".

"Quando o comércio tradicional fecha, há um adormecimento e temos tentado incentivar os comerciantes a alargarem os seus horários", disse ao JN Vítor Pereira da Silva, o presidente da Associação de Valorização do Chiado.

A entidade, que luta pela defesa dos interesses dos empresários e moradores daquele bairro, apresentou, ontem ao final da tarde, a acção "Chiado After Work". Trata-se da primeira de várias iniciativas que visa cativar mais pessoas ao Chiado ao final do dia e dar a conhecer novos espaços de restauração. "Estou bastante optimista porque já no Natal conseguimos dinamizar esta zona, apontou o responsável.

"Aqui no Chiado temos óptimas condições, esplanadas fantásticas que foram abrindo em escadinhas, praças ou hotéis e temos espaços interiores modernos com gente dinâmica que sabe decorar", prosseguiu Vítor Pereira da Silva, sublinhando que é fundamental que se criem condições para a confraternização entre as pessoas para que o próprio comércio seja beneficiado.

Perto de 40 lojas já aderiram ao alargamento de horário até pelo menos às 20 horas, uma mais que o habitual. Para além disso, o presidente da Associação saúda o facto de "vinte e tal espaços espaços de restauração terem combinado uma oferta concertada entre as 18 e as 21 horas para tentar criar uma retenção de pessoas e um convívio generalizado como acontece em Inglaterra ou em outros países onde as pessoas têm por hábito relaxar e confraternizarem ao final da tarde". As iniciativas dos bares e restaurantes passam por um vasto programa de ementas e preços especiais, bem como animações culturais. Na óptica de Vítor Pereira da Silva, o número de espaços que aderiram à iniciativa é "bastante significativo".

Para já, a iniciativa dura apenas até 6 de Maio, mas o presidente da Associação fez saber que "provavelmente em 2010 já iremos conseguir que estas acções se estendam todo o ano".

"Temos de mostrar que estamos abertos, que estamos vivos", salientou, destacando a grande vantagem da zona em relação às grande superfícies: "Os centros comerciais precisam de simular a cidade, mas nós não precisamos: temos o património, os edifícios, as calçadas, as igrejas e o ar livre".

"O nosso objectivo é muito claro: queremos que o Chiado se torne num bairro modelo", rematou.

In JN

Thursday, April 2, 2009

Praça do Comércio: vem aí mais um erro!

Novo Terreiro do Paço terá chão ocre e um corredor entre o arco da Rua Augusta e o rio

In Público (2/4/2009) Ana Henriques

«Arquitecto responsável pela remodelação da Praça do Comércio apresentou ontem os seus planos à Câmara de Lisboa. Não haverá calçada portuguesa no terreiro

É um Terreiro do Paço dividido ao meio por um corredor entre o arco da Rua Augusta e o rio aquele que o arquitecto responsável pela remodelação da praça, Bruno Soares, ontem apresentou à Câmara de Lisboa.

O também autor do Plano Director Municipal de Lisboa não falou com os jornalistas, nem lhes facultou a apresentação em Powerpoint das transformações que pretende levar a cabo. Mas pelas explicações dadas pelos autarcas à comunicação social percebe-se que abdicou de soluções mais tradicionais, como a calçada portuguesa. Bruno Soares optou por um pavimento amarelo-ocre onde surgem alguns losangos de basalto negro a contrastar com o chão cor de terra. Em redor da estátua de D. José haverá mármore verde a chamar a atenção para o monumento de bronze. "Achei a solução bastante interessante e arrojada. Mas vai dar discussão", preveniu a vereadora independente Helena Roseta. Acima de tudo, agradaram aos autarcas os detalhes técnicos: a praça vai ser infra-estruturada para receber espectáculos - que serão pontuais - e a drenagem das águas pluviais também não foi esquecida. De resto, é o que já se sabia: passeios mais largos e o trânsito a passar apenas nas ruas paralelas ao rio.

A Rua do Arsenal fica reservada aos transportes públicos e a Ribeira das Naus aos automóveis. Nas laterais da praça não haverá trânsito - apenas esplanadas e eventualmente comércio debaixo das arcadas, no rés-do-chão dos ministérios. "Parece-me uma proposta muito consistente", declarou ainda Helena Roseta. O tipo e a cor do pavimento servirão também para distinguir os vários usos da praça. Assim, o tal corredor entre o arco da Rua Augusta e o rio, feito num material diferenciado do restante, servirá para assinalar um percurso pedonal de fruição do local. A área do cais das colunas terá igualmente um pavimento próprio.

Árvores, como já ali existiram noutros tempos, não haverá. Bruno Soares disse que quando for preciso criar zonas de sombra por causa do calor será preferível montar toldos. A solução não é consensual: "Não sei se não seria melhor haver árvores", observou a vereadora comunista Rita Magrinho. Pouco entusiasmada com a proposta, Rita Magrinho ressalvou que os resultados finais do trabalho de Bruno Soares podem revelar-se diferentes da praça virtual ontem apresentada. Quanto ao pavimento, "podia ter sido encontrada esta solução mas também podia ter sido encontrada outra". Já o independente Carmona Rodrigues vê com bons olhos a divisão do Terreiro do Paço ao meio pelo corredor em direcção ao rio: "Um dos problemas da praça é a sua dimensão quase excessiva". A ser aprovada, esta solução deverá estar concretizada em Outubro 2010, para as comemorações do centenário da República. »

FOTO: Vista aérea da Praça do Comércio na década de 40 do séc. XX.

Monday, March 30, 2009

O "charme" da Baixa


Era bom era que nesta gelataria de antanho evitassem colocar na mesma couvette sabores diferentes (!), honrando assim o nome de Luca Giovanni, e pugnando pela mais elementar regra de uma oferta de qualidade.

E na mais antiga pastelaria do Chiado ainda em actividade, a Benard', os seus funcionários não andassem a fumar dentro das instalações. É ilegal, anti-higiénico, feio, e faz mal.

Thursday, March 26, 2009

Discussão Pública do Plano de Mobilidade para a Baixa

in http://www.cm-lisboa.pt/

«A sessão de discussão pública do Plano de Mobilidade para a Baixa juntou, no dia 23 de Março, centena e meia de munícipes, para ouvir detalhes do novo modelo proposto e para apresentar as suas sugestões

Manuel Salgado, vereador do Pelouro do Urbanismo, Pedro Moutinho, Director Municipal de Segurança e Tráfego, e Valter Rossa, a quem se juntou o presidente da Câmara, António Costa, procederam à apresentação dos objectivos e métodos do Plano, que se propõe eliminar o tráfego de atravessamento, calculado em 70%, para diminuir os elevados níveis de poluição do ar e de ruído que afectam essa zona da cidade, aumentar a segurança dos peões, requalificar o espaço público, promover a ligação ao rio e atrair mais gente para viver na Baixa.

Contrapondo ao tradicional círculo vicioso um novo "círculo virtuoso", Manuel Salgado assegura que o novo Plano contribuirá para alcançar uma série de objectivos urbanísticos que culminem no repovoamento da Baixa: a sua "reconquista das funções comercial e de lazer", a atracção de novas actividades, "ligadas à criatividade e à inovação", a concretização de um "novo modelo de habitação". Para o efeito, estão em curso acções diversas, desde a finalização de instrumentos de ordenamento urbanístico (como o Plano de Pormenor para a Baixa ou a aprovação das medidas provisórias do PDM, que já permitiram 160 novos licenciamentos, desde o início do ano), às acções de requalificação do espaço público no âmbito da Frente Tejo, a busca de soluções para reformular a ocupação dos espaços no Terreiro do Paço (nomeadamente, encontrando novos usos para os pisos térreos), passando pela dinamização da Baixa como pólo cultural (com destaque para a instalação do Museu do Banco de Portugal, no largo de São Julião, do Museu da Moda e do Design, na Rua Augusta, ou, mais acima, a ampliação do Museu de Arte Contemporânea e da Escola de Belas Artes pela desafectação de instalações policiais no Convento de São Francisco, ou a activação do Museu de São Roque), a ocupação de espaços a recuperar para a Trienal de Arquitectura, a Moda Lisboa, o Centro Português do Design, etc., e a criação de um "centro comercial a céu aberto", beneficiando da conjugação de esforços nas áreas da segurança, da imagem e da logística.

Para que todas estas acções se tornem realidade e constituam o sucesso esperado é, contudo, necessário um "espaço público de excelência". Nesta óptica, vereador não duvida que "a revitalização da Baixa requer um novo modelo de mobilidade". Manuel Salgado sustenta esta afirmação com números e dados qualitativos que revelam ter estado a Baixa, até ao dia 15 de Fevereiro (antes dos cortes de trânsito derivados das obras que agora decorrem no Terreiro do Paço), sujeita à pressão de 4500 viaturas por hora (resultantes em 70% de tráfego de atravessamento), até porque ainda 19% da afluência de pessoas resulta da deslocação em transporte individual, utilizado na maioria (80%) para deslocação para o trabalho), quando é sabido que a Baixa é das zonas melhor servidas por transportes colectivos em toda a Lisboa. Daqui resulta uma qualidade do ar claramente abaixo dos parâmetros europeus, um volume de tráfego excessivo que dificulta a sua fluidez e penaliza a eficiência do transporte público, sobrecarregando pavimentos e outras infra-estruturas e degradando o edificado.

Face a esta situação, e na busca dos objectivos inicialmente identificados, o vereador Manuel Salgado considera fundamental que o novo Plano de Mobilidade para a Baixa desconecte as ligações entre a parte alta da cidade, por um lado, e o Terreiro do Paço e zona ribeirinha, por outro, para obstar a que a Baixa sirva o trânsito de atravessamento. Para o efeito, o Plano prevê alterar a estrutura radio-concêntrica da rede viária lisboeta, com intervenções que reforcem a capacidade das circulares internas (Poente-Nascente) e as grandes vias de atravessamento Norte-Sul, intervindo sobre a rede de transportes colectivos (mais corredores bus, novas paragens, nova gestão de percursos e frequências, criação de transportes de proximidade em zonas antigas e em modos "suaves", reforço da capacidade dos interfaces de transportes do Cais do Sodré e do Terreiro do Paço e das estações terminais do Rossio e de Santa Apolónia), um aumento da capacidade de parqueamento (actualmente nos 3800 lugares) com mais 2100 lugares, reservando uma importante quota do estacionamento de superfície para os residentes e para cargas e descargas e, finalmente, a requalificação do espaço público com uma crescente valorização das áreas pedonais, quer por via das intervenções físicas (fechamento de artérias ao trânsito automóvel, criação de áreas pedonais equipadas com adequado mobiliário urbano, criação de novas zonas de atrevessamento pedonal, conservação de passadeiras, pistas cicláveis, etc.), quer pela introdução de regras "amgas" dos peões e da mobilidade de cidadãos deficientes.

Coube ao Director Municipal de Segurança e Tráfego, Pedro Moutinho, apresentar alguns aspectos concretos dos esquemas de circulação viária a implementar, sublinhando que a desconexão entre a Baixa e a zona ribeirinha já efectuada desde o mês passado, por motivo das obras em curso no Terreiro do Paço, serviu de teste experimental, já que permitiu reduzir em 38% o tráfego nas Ruas do Ouro e da Prata e em 40% na Avenida 24 de Julho, ao mesmo tempo que a utilização dos transportes da Carris aumentou em toda a rede 5%, aumento que na rede do Metro foi de 3,5% mas com as percentagens a duplicarem nas estações que servem a zona da Baixa. Assim, Pedro Moutinho defende a manutenção do esquema de desconectar as duas zonas referidas, obviando o tráfego de atravessamento, e a permanência de encerramento ao tráfego das laterais da Praça do Comércio, mas com o recurso a pequenas aferições após a conclusão das obras, com a abertura do tráfego na Avenida Ribeira das Naus (em Julho), aliviando a pressão actual sobre a Rua do Arsenal, que ficará, tal como outros locais, para uso preferencial dos transportes públicos, incluindo os autocarros de turismo.Iniciando o período de debate, o professor Walter Rossa (especialista em questões da Baixa, tendo sido o comissário da exposição "Plano da Baixa, Hoje" e um dos responsáveis pelo dossier de candidatura da Baixa a Património da Humanidade), mostrou-se agradado por este "importante passo" embora defendendo que há que usar de soluções "não radicais", isto é, não se deve banir totalmente o transporte individual, mas buscar soluções de equilíbrio". Quanto ao Terreiro do Paço, defendeu a sua manutenção enquanto "terreiro, simples e com pavimento inerte", para acolher iniciativas efémeras e reforçando a ligação ao rio com o Cais das Colunas, recentemente reposto.

A participação do público, a que se juntou no período final o presidente da Câmara, António Costa, foi grande com cerca de duas dezenas (entre a centena e meia que compunha a assistência que acorreu a um auditório no piso superior da Estação do Rossio) a interpelarem a mesa com questões, reservas, incentivos ou, simplesmente, a apresentarem as suas próprias sugestões. De individualidades conhecidas da vida pública, como o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que congratulou a Câmara pela iniciativa, à arquitecta e vereadora Helena Roseta, que exprimiu a sua satisfação pela participação dos cidadãos no processo, passando por autarcas das freguesias, responsáveis associativos, comerciantes, moradores ou simples cidadãos interessados, foram muitos os que quiseram intervir. Entre as questões mais suscitadas destacam-se o receio de que o novo esquema venha a sobrecarregar outras artérias, menos preparadas para grandes fluxos de tráfego e a desconfiança em relação à possibilidade de haver suficientes lugares de parqueamento para o que é proposto, por um lado, e as que incentivam soluções mais radicais, preterindo a possibilidade do uso do automóvel particular e benefício de outros meios de transporte nas mais variadas situações e zonas, por outro.

Foto: um exemplo típico da mobilidade insustentável na Rua dos Fanqueiros

Tuesday, March 24, 2009

AVENIDA DA LIBERDADE: mupis no meio do passeio

A obra de demolição do barracão-restaurante no jardim da Av. da Liberdade está quase terminada. Já se está a repor a calçada artística original, destruída na década de 80. Mas para que a recuperação daquela zona nobre da avenida seja plenamente conseguida, falta resolver uma situação particular que está a prejudicar a mobilidade pedonal. Ali ao lado, no passeio lateral em frente dos números 20 a 24, estão duas estruturas da JcDecaux implantadas mesmo no meio do canal pedonal. Julgo que isto é único em toda a avenida (mas não é único em Lisboa, a Baixa está cheia deles!). As fotos são reveladoras da localização anómala das estruturas - são apenas um obstáculo à circulação de peões (particularmente cidadãos com mobilidade reduzida). Foi solicitada à CML o abate destes dois mupis, no âmbito da requalificação a decorrer.

Monday, March 16, 2009

PUBLI-CIDADE: Rua do Ouro torneja Rua do Carmo

GRÁTIS? Nada é grátis. Para que você «receba grátis o 2º par», esteve a fachada de um prédio pombalino, classificado, parcialmente invisível com 2 telas de publicidade. Durante algumas semanas (talvez até apenas alguns dias) as telas de publicidade estiveram a tapar a fachada do prédio pombalino no gaveto da Rua do Ouro / Rua do Carmo. Eram ilegais? Se não, como foi possível licenciar isto? Lisboa está à beira de se tornar na «publi-cidade» da União Europeia. A continuar assim é melhor esquecer a classificação da Baixa-Chiado a Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Sunday, March 15, 2009

World-class city or grim ghost town?

By Tyler Brûlé

in Financial Times, 7 March 2009

If the past few weeks have been devoted to dropping in on cities up and down the length of Asia, then this one has seen me stick closer to home. On Monday I jumped on the Eurostar to Brussels and found myself going through what’s become a ritual task of rethinking and redesigning the experience.

As I passed through the X-ray machine at St Pancras International, questions raced along the ridge of my forehead. Why does this rail service need a business lounge? Why are there silly airline-style cut-off times? Surely the joy of rail travel is being able to walk down the platform just as the doors close? Why am I paying for a mediocre meal when it would be better to have a well-stocked trolley or a proper dining car? And what about those seats? They were uncomfortable when the service was launched and they haven’t been updated, save for new upholstery.

At Brussels Midi rail terminal a fresh set of questions started swirling around. Who the hell designed this facility? (It’s poorly signed. Traffic flow is dreadful. And the lighting is cold and far too dim.) Who thought it acceptable to install just two bank machines for a major transport hub? And who were the contractors? Tiles were coming off the floor and the whole place offered a series of first impressions that suggested Belgium’s not that interested in warm welcomes and isn’t too fussed about what visitors might think about the place. Departure from the city’s airport five hours later reinforces this message with an equally complicated terminal layout. I was left with a set of impressions that made me wonder if it might not be time to review whether this is the most appropriate home for the EU.

On Wednesday I descended into Lisbon and had one of those final approaches in crosswinds that had me pining for the Eurostar. Anyone who had to fly in and out of the Portuguese capital midweek will agree it was not the airport’s finest hour, though I did step off the aircraft with renewed respect for Portuguese pilots and their abilities to land an aircraft sideways in fresh Atlantic gusts. The parade of “non-brand” enterprises lining the boulevards was a curious and refreshing sight. Of all the capitals in the old EU, Lisbon is perhaps home to the lowest number of multinational retail brands. Sure, there are branches of Zara and El Corte Inglés but the majority of the shops are local, family-owned enterprises that are so frozen in time they almost seem modern. And indeed many of them are. Before I left London I took stock of a couple of its main shopping streets and soon found myself a little depressed by the number of shuttered store-fronts, “closing down” and “final reduction” signs and the number of shop spaces that have real-estate broker signs fixed on the front that are just longing for someone to dial the numbers listed and make an offer.

Perhaps one of the most dramatic areas is in west London’s Notting Hill, where in certain stretches it seems like every second shop has closed for business and you get the feeling that it would only take a few more high-profile closures and the whole area could easily capsize. Over the past weeks government agencies and the odd think-tank have been spelling out the dangers of ghost-town Britain (you can quite easily insert Australia, Canada or the US here as well).

Apparently, whole town centres are teetering on the brink of collapse and countless neighbourhoods could soon tip from being pleasant zones of commerce to derelict no-go areas. Unfortunately, much of the discussion concerning the perils of the empty store-front epidemic and the potential solutions is coming too late. For too long, landlords have been happy to see their once interesting neighbourhoods fill with deep-pocketed chain stores that bring a more transient workforce (gone are the locals who might remember you if you go in every day), façades that are unsympathetic to the local look, and with the cash to take over a series of spaces and turn them into one superstore. Many local communities up and down the country have seen the arrival of national brands as a sign of progress and have ushered them in with much fanfare only to see them undercut Mom-and-Pop shops and then pack up for greener pastures when a better rent or location offer comes along. With the collapse of a host of high street names, landlords and local authorities are wondering if all those mediocre chain stores were such a good idea. As empty retail blocks become magnets for nasty, idle urchins, some councils are thinking it might be clever to use the empty spaces for youth centres. This is a bad idea as it does nothing to solve the bigger issue of bringing locally owned businesses back to the community, and gives the badly-behaved heating and a roof over their hoodies.

Which brings me back to Lisbon. Portugal may not be the biggest exporter of international brand names but it should work hard to preserve its strong culture of family-owned and operated businesses. This binds together communities and makes the city more interesting for visitors.

Tyler Brûlé is editor-in-chief of Monocle

Foto: Baixa, «World-class historic center or grim ghost town»? Largo da Boa Hora

Monday, March 2, 2009

Decreto n.º 9/2009. D.R. n.º 42, Série I de 2009-03-02

Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
Declara área crítica de recuperação e reconversão urbanística a Baixa-Chiado, em Lisboa, e concede ao município de Lisboa o direito de preferência nas transmissões a título oneroso entre particulares dos edifícios situados nessa área

Sunday, March 1, 2009

AV. da LIBERDADE, 163 a 173: novo «prédio estore»

Esta imagem mostra uma intervenção recente nos vãos da Av. da Liberdade, 163 a 173. A fachada deste elegante prédio está assim desfigurada depois da instalação de estores. Este imóvel de qualidade dos finais do séc. XIX, para além de estar incluido numa zona Em Vias de Classificação (Avenida da Liberdade), tem como vizinho directo o Cinema São Jorge, classificado Imóvel de Interesse Público. É lamentável ainda acontecerem este tipo de intervenções desqualificadoras em edifícios património. Alguém imagina isto nas avenidas centrais de Barcelona ou Madrid? Já para não falar em Paris, Londres, Viena...

A instalação de caixilharias e estores de alumínio/plástico em edifícios património é um problema que se tem vindo a intensificar com consequências negativas nos bairros e zonas históricas das cidades portuguesas. O ambiente urbano histórico está a perder os seus detalhes, a sua autenticidade. O genuíno e único é substituído por banalidades escolhidas por catálogo e ao sabor do freguês. Não é possível ambicionar por um turismo de qualidade com centros históricos feitos de plástico, alumínio e cimento.