Tuesday, June 2, 2009

Licenciamento de obras em Nova Iorque

Porque razão em Portugal não se divulgam publicamente todos os dados referentes a pedidos de licenciamento de obras? Um cidadão português não pode consultar o projecto de uma nova construção enquanto este estiver em apreciação numa Câmara. Porquê tanto secretismo? Para piorar a situação, muitas vezes o «AVISO», que é afixado no local da futura obra, nem sequer é preenchido! Em Nova Iorque (na imagem) é obrigatorio por lei afixar no local todos os detalhes da operação urbanística que se pretende efectuar, desde o nome e contactos do proprietário até à discrimininação exaustiva da intervenção para a qual se pediu licenciamento. E não se pense que isto é uma particularidade da Democracia dos EUA. Em Londres é exactamente o mesmo. Se um proprietário quer mudar a caixilharia de uma janela, terá de afixar igualmente no local todos os documentos oficiais que entregou nas autoridades municipais (incluindo o nome e contacto telefónico do proprietário). Em alguns países, e para novas construções, é também obrigatório a divulgação de imagens, previamente e no local, dos projectos em apreciação. Exemplos de Transparência, Participação, enfim, BOAS PRÁTICAS ainda em falta no nosso país. Não é pois de admirar os problemas urbanísticos que cada vez mais caracterizam a nossa paisagem. O actual sistema alimenta a corrupção.

PUBLI-CIDADE: «ROSSIO» ou «RENOVA»?


...e o escândalo «Renova», que já dura mais de duas semanas, prossegue. Em plena zona candidata a Património Munidal da Humanidade... Lisboa no seu pior. Quem desejar reclamar à Renova pode utilizar o seguinte endereço: info@renova.pt

Thursday, May 28, 2009

Petição "Urge um debate público nacional sobre o futuro do Terreiro do Paço!"

"Petição "Urge um debate público nacional sobre o futuro do Terreiro do Paço!"

Assine em http://www.gopetition.com/online/28118.html
E divulgue!



Caro(a) Amigo(a)


Considerando a aprovação em reunião pública da CML, de 27.05.2009, do “Estudo Prévio do Terreiro do Paço”, sem que até ao momento quem de direito (CML e Governo) tenha promovido o indispensável período de debate que um projecto de espaço público desta envergadura exige (por se tratar de um projecto comprovadamente intrusivo, ex. introdução de novos materiais, desenhos e soluções arquitectónicas), facto que é agravado por se tratar do Terreiro do Paço;

E considerando que decorrem a bom ritmo as obras de preparação para a execução do Estudo Prévio agora aprovado, tornando o mesmo irreversível;

Os abaixo-assinados solicitam a quem de direito que proceda, quanto antes, à abertura de um período de discussão pública antes de se iniciar o projecto de execução ou (pelo menos) antes do concurso ser lançado.


PETIÇÃO
Urge um debate público nacional sobre o futuro do Terreiro do Paço!
Assine em http://www.gopetition.com/online/28118.html

E divulgue!

Remodelação do Terreiro do Paço arrancada a ferros na câmara

Remodelação do Terreiro do Paço arrancada a ferros na câmara
In Público (28/5/2009)
Ana Henriques

«Autor do projecto admite esbater losangos do pavimento da placa central e corredor da Rua Augusta, mas insiste em degraus e rampa


O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, foi ontem obrigado a exercer o seu voto de qualidade para conseguir fazer aprovar pela autarquia os planos de remodelação do Terreiro do Paço elaborados pelo arquitecto Bruno Soares. Além do voto de qualidade, valeu-lhe a súbita ausência de Carmona Rodrigues, cujo voto contrário ao projecto se poderia revelar decisivo, tal como a inesperada abstenção dos vereadores comunistas.

Esta sucessão de coincidências evitou que a câmara se pronunciasse negativamente sobre o trabalho de Bruno Soares - ainda que o estudo prévio que este tem vindo a apresentar tenha sido alvo de fortes críticas, quer de vários vereadores, quer de outros arquitectos (ver outro texto). Mesmo assim, Bruno Soares comprometeu-
-se a alterar alguns dos aspectos mais polémicos do projecto, esbatendo os losangos que desenhou para a placa central do Terreiro do Paço e também o corredor de pedra que iria marcar, no chão, o percurso entre o arco da Rua Augusta e o Cais das Colunas.
A respeito da sobreelevação da placa central relativamente ao Cais das Colunas, o arquitecto mantém-se na sua: apesar de todas as objecções de que a ideia tem sido alvo, insiste em criar um desnível entre a parte da pla-
ca central virada ao rio e a zona imediatamente em frente, de forma a que quem chegue da Baixa veja o rio a partir de um plano mais elevado. O desnível será vencido à custa de degraus e de uma rampa, destinada a permitir o acesso de deficientes.
Mas os desníveis na praça não ficam por aqui. Depois de ter percebido que a parte poente das arcadas está afundada porque o edifício abateu durante a sua construção, após o terramoto de 1755, Bruno Soares resolveu realçar esse desnível, hoje imperceptível, instalando uns degraus no passeio que corre junto às arcadas. O projecto prevê ainda mais degraus em redor da estátua de D. José, para salientar a sua importância. Reagindo às críticas, o arquitecto promete rever o desenho dos vários lances de escadas.
"Uma enormidade" foi a expressão que a vereadora do PSD Margarida Saavedra usou para descrever o estudo prévio de Bruno Soares. A também arquitecta entende que os degraus irão criar barreiras à circulação dos peões, fragmentando a sua unidade enquanto espaço único e amplo.
As críticas do PCP e do grupo de vereadores de Carmona Rodrigues à forma como o processo tem sido conduzido apontavam para que a contagem dos votos obrigasse à reformulação do estudo prévio. Afinal, assim não aconteceu. O movimento cívico Forum Cidadania mostrou-se estupefacto por o resultado da votação não ter tido correspondência com as posições destes vereadores. Segundo o gabinete de Carmona, a sua ausência deveu-se à necessidade de ir prestar declarações ao Ministério Público no âmbito do caso Bragaparques.
As restrições ao tráfego rodoviário na Baixa foram também aprovadas.»

Wednesday, May 27, 2009

Câmara emite parecer favorável ao estudo prévio de requalificação do Terreiro do Paço

Lisboa, 27 Mai (Lusa) - A Câmara de Lisboa decidiu hoje emitir parecer favorável sobre o estudo prévio de requalificação do Terreiro do Paço, elaborado pela Sociedade Frente Tejo, e o novo conceito de circulação na frente ribeirinha, entre Santa Apolónia e o Cais do Sodré.
O presidente da Câmara Municipal, António Costa (PS), foi obrigado a exercer o voto de qualidade para que o parecer favorável sobre o estudo prévio fosse aprovado, já que votaram contra dois vereadores de "Lisboa com Carmona" (Carmona Rodrigues estava ausente no momento da votação), três vereadores do PSD e as duas vereadoras do movimento "Cidadãos por Lisboa", enquanto os dois vereadores do PCP se abstiveram e os seis vereadores do PS e o vereador José Sá Fernandes votaram a favor.

(...)

In RTP.pt

Tuesday, May 26, 2009

PUBLI-CIDADE: ROSSIO ou RENOVA?


Imagens da insensível mega tela de publicidade que a RENOVA instalou num dos imóveis classificados do Rossio:

- Praça D. Pedro IV, 10 a 12 torneja Rua do Ouro, 286 a 296

É uma vergonha terem tapado quase por completo um imóvel pombalino na Praça D. Pedro IV. Esta mega tela, de pura publicidade descarada, é apenas mais um exemplo do tipo de exploração descontrolada do espaço público de Lisboa. Neste caso é particularmente grave por se tratar de uma praça emblemática da Baixa que está «Em Vias de classificação» como Monumento Nacional, e candidata a Património Mundial da Humanidade. Solicitamos hoje mesmo esclarecimentos junto da CML , Ministério da Cultura / IGESPAR e da RENOVA.

NOVA IORQUE: "Broadway is NO way"

It's curtains for cars on Broadway.

Starting Sunday, vehicles will be barred from the legendary roadway in Times Square and Herald Square as it is transformed into a pedestrian-only area with a food festival, an outdoor yoga studio and a kickball arena, officials said yesterday.

All traffic will be diverted from Broadway between 47th and 42nd streets and between 35th and 33rd streets, said Department of Transportation Commissioner Janette Sadik-Khan. Drivers will have to move to Seventh or Ninth avenues to get downtown.

It's all part of a $1.5 million plan to turn sections of Broadway into massive pedestrian plazas, a plan that Mayor Bloomberg said will ease the grueling traffic bottlenecks that happen near major intersections.

Officials aren't wasting any time turning the Great White Way into the Great Walkway.

On June 7, the city will broadcast the Tony Awards to a live audience sitting on what used to be Broadway's traffic lanes.

Top-notch restaurants will also be out for a Taste of Times Square event on June 8.

Other events, like kickball, capture the flag, and yoga at sunrise, will come later in June.

Construction on the Times Square plazas will be done by Aug. 16, and Herald Square will be finished Aug. 23, officials said.

Sadik-Khan said the closures will "take some getting used to," for drivers, but she doesn't expect any traffic nightmares.

"We actually think traffic is going to improve coming down Seventh Avenue when we're knitting it together," she said.

"I think it'll still take a period of adjustment, though," she acknowledged. Officials begged motorists not to get caught up in any early confusion. "Give it time to see how it works," said Times Square alliance chief Tim Tompkins.
DOT crews will be out monitoring traffic, Sadik-Khan said. The plan is causing a divide among business owners.

A manager at Grand Slam, a trinkets store on Broadway, said he thinks the increased foot traffic will bring him more customers.

"It helps me," said John Palha, who has managed the store for 11 years. "When there's less cars on the street, people can get here. They can walk right over and come in."

But store owners on the Seventh Avenue side said the increased car traffic and sinking economy might tank their business.

"It could very possibly put me under," said a businessman who runs a camera and computer store. "It's not good for me. It's much more attractive for the other side."

in NEW YORK POST, 20 de Maio de 2009

Monday, May 25, 2009

O Projecto do Terreiro do Paço em debate na OA

Amanhã, dia 26, pelas 21h, na sede da secção sul da OA.

Mais detalhes no site da Sociedade Frente Tejo: http://www.frentetejo.pt/137/coloquio-na-ordem-dos-arquitectos.htm

A quem quiser e estiver disponível em ir até este debate d' "A Corporação", a tal que acha que a arquitectura não é referendável. Vou ali e já venho.

Saturday, May 23, 2009

CITY ON AN UP 'CYCLE': 143% JUMP IN PEDALERS


The spokes are really flying around the Big Apple. Scores of new bike lanes and a sour economy have led to a surge in people pedaling to work, data released yesterday show.

The number of bicycle commuters surged by 18,000 from 2007 to 2008, according to numbers from the city and advocacy groups. An estimated 185,000 people pedaled to the office in 2008, compared to 76,000 in 2000 -- a 143 percent increase, according to the figures provided by Transportation Alternatives. The reason, officials and cyclists say, is the hundreds of miles of new bike lanes and the recently tanking financial picture.

"I save at least $60 a month on subway fares, $100 on parking and $100 on gas," said West Village resident Michael Pavlakos. "My bike costs me $50 a year in repairs. So I ride it even more because of the economy."

Over the past three years, the city Department of Transportation laid down about 620 miles of lanes, some separated from busy roads with paint and pylons.

Commissioner Janette Sadik-Khan said it's those lanes -- not the streets -- that will handle the 1 million more people projected to move into the city in the near future. "We can't compensate for more people by double-decking the road network," she told The Post. "We're looking to create a [bike-lane grid] for cyclists to go from Point A to Point B without getting off."

She also praised proposed legislation in the City Council that would make more building owners accept riders storing bikes in their offices. "That would ensure the bike is going to be there when they need it," Sadik-Khan said, noting that riders are worried about bike theft.

Recently, the MTA approved 10 percent fare hikes and the state Legislature agreed to increase the price of driver's-license renewals and car registrations. "People are bring priced out of driving and priced out of transit," said Wiley Norvell, spokesman for Transportation Alternatives. "Any time that happens, you usually see a boost in people biking to work every day."

But bike theft is still a problem, cyclists said, and some want more bike racks around the city. "The city still has a lot to do with parking," said East Village resident Paul Heck, who bikes to work every day. Sadik-Khan said there are more than 6,000 racks in the city now, with more on the way.

TA's biking numbers, which go back to 1980, are based on DOT counts of cyclists who ride into Midtown and lower Manhattan every day and are projected for the entire city.

in New York Post, 15 Maio 2009

Fotos: Nova Iorque ja tem mais de 1000 km de bike-lanes, implementadas nas faixas de rodagem e nunca em passeios. Nota: os sublinhados sao nossos.

Friday, May 22, 2009

Elevador para o castelo arranca em Agosto

Oito anos após ter sido abandonado devido às vozes contra da opinião pública, o projecto da ligação em elevador da Baixa ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, foi reformulado e começa a ser construído já no mês de Agosto.

A ligação irá fazer-se por um primeiro elevador colocado num prédio devoluto no começo da Rua dos Fanqueiros, que terá uma saída [ao nível do último piso] para o Largo Adelino Amaro da Costa. Depois, um outro elevador dentro do Mercado do Chão do Loureiro estabelece a restante ponte com a cota do castelo.

Segundo o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) já deu um parecer positivo ao projecto. "É uma obra que se insere no plano de acesso às encostas. O 'Mobilidade Suave", adiantou.

Além do elevador, o mercado integrará ainda um parque de estacionamento em silo automóvel, um supermercado e um restaurante panorâmico [ver pormenores na caixa ao lado]. Trabalhos que serão custeados pela Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), à excepção do mecanismo de ligação ao castelo.

Fonte da empresa adiantou, ao JN, que a "transformação do mercado - actualmente sem actividade - em silo automóvel remonta ao mandato de Santana Lopes, tendo sido adjudicado à construtora Soares da Costa, em 2006". "Essa obra arranca em Agosto e o Município assume o custo relativo aos elevadores", disse a mesma fonte.

A Câmara aprovou anteontem a transferência de 380 mil euros para a EMEL, correspondentes ao projecto de inclusão dos elevadores no projecto.

In JN

Mercado de artesanato da Rua Augusta "extinto" por "colidir" com actividades do MUDE

In Lusa

«O mercado de artesanato da Rua Augusta, em Lisboa, foi hoje "extinto por notificação da Câmara de Lisboa" por a actividade "colidir" com a agenda do novo Museu do Design, disse à Lusa fonte próxima dos artesãos.

Segundo Joana Cordeiro, familiar de um dos doze artesãos que têm bancas junto ao Arco da Rua Augusta, a primeira referência ao encerramento das vendas foi feita na terça-feira, durante uma reunião com serviços camarários.

"Foi a primeira vez que ouvimos falar nisto. Na quarta-feira à tarde já recebemos uma notificação a dizer que a partir de hoje o mercado estava extinto definitivamente, portanto, num prazo de 24 horas", contou, adiantando que a justificação se prendia com a abertura, na sexta-feira, do Museu do Design e da Moda (MUDE), na mesma rua.

"Hoje tivemos direito a uma audiência com a vereadora do Abastecimento e foi-nos dito que as actividades não se coadunam com a agenda do MUDE", explicou.

Joana Cordeiro disse que a autarquia propôs alternativas - a Praça da Figueira, o Parque Eduardo VII e o Cais do Sodré -, mas as propostas não satisfazem os artesãos, já que essas zonas não têm ambientes adequados para acolher um mercado que é há anos uma imagem de marca da Rua Augusta.

Os artesãos já não montaram as suas bancas hoje e temem que não haja solução para as suas vendas: "as consequências são gravíssimas. São doze famílias que ficam em dificuldades".

"O MUDE fez uma conferência de imprensa a manifestar a sua intenção de dinamizar a cidade e a única dinâmica inicial é o desemprego. A vereadora disse hoje que o mercado da Rua Augusta acabou", contou Joana Cordeiro.

A Lusa procurou contactar a vereadora responsável pelo Abastecimento, Ana Sara Brito, e o director do mesmo departamento, João Rodrigues, o que não foi possível até ao momento.

ROC.
Fonte: Agência LUSA»

Bom, perdoem-me a franqueza, mas parece-me que só por isto já valeu a pena o tal de MUDE. Aquele artesanato que ali andou anos a fio, além de não o ser (artesanato), era impróprio (qualquer vilória francesa ou italiana tem melhor "mercado" que aquele) para aquele espaço nobre da cidade, que se chama Rua Augusta.

Thursday, May 21, 2009

Câmara entrega à EMEL obra do elevador para o Castelo

In Sol Online (21/5/2009)

«A Câmara de Lisboa aprovou hoje o estabelecimento de um contrato-programa com a EMEL para a criação dos elevadores de acesso ao Castelo, situados num edifício da Rua dos Fanqueiros e no Mercado do Chão do Loureiro

O contrato envolve uma transferência de 380.400 euros e inclui também a conversão do mercado do Chão do Loureiro em silo automóvel, a requalificação urbana do Largo Adelino Amaro da Costa, da zona envolvente ao mercado e do percurso até à cota do Castelo de São Jorge.

A proposta foi aprovada com os votos contra do PSD e dos Cidadãos por Lisboa, a abstenção de Lisboa com Carmona e do PCP e os votos favoráveis do PS e do vereador José Sá Fernandes.

O piso térreo do mercado irá acolher um supermercado e último andar um restaurante panorâmico, referiu o presidente da Câmara, António Costa (PS).

Estas obras foram eleitas pelo executivo como projectos-âncora da revitalização da Baixa-Chiado.

A vereadora social-democrata Margarida Saavedra questionou a oportunidade de a autarquia gastar cinco milhões de euros «numa obra deste calibre», considerando que as verbas provenientes do Casino deveriam ser canalizadas para a requalificação do espaço público.

Margarida Saavedra sublinhou ainda que em 2006 a EMEL (Empresa Pública de Estacionamento de Lisboa) tinha atribuído à Soares da Costa a empreitada de transformação do mercado do Chão do Loureiro num parque de estacionamento.

«Que obras vão adjudicar? A de 2006, a nova?», questionou.

A vereadora comunista Rita Magrinho considerou, por outro lado, que a obra «não tinha que ter enquadramento na EMEL».

«Não nos parece que nos estatutos tenha essa competência», argumentou.

«Estamos de acordo com soluções para acesso facilitado ao Castelo. Reservamo-nos para quando a proposta de empreitada vier à Câmara», acrescentou.

Lusa / SOL»

Wednesday, May 20, 2009

Museu do Design é "um choque vitamínico" para a Baixa de Lisboa

In Público (20/5/2009)
Inês Boaventura

«Em Junho, o Mude, que agora ocupa apenas um piso, estende-se ao 1.º andar do edifício da Rua Augusta, e com a ambição de alcançar o terraço

O presidente da Câmara de Lisboa acredita que o Museu do Design e da Moda (Mude), que é inaugurado amanhã no número 24 da Rua Augusta, "vai ser um grande choque vitamínico" para esta zona da cidade, constituindo "uma grande oportunidade para se conseguir revitalizar a Baixa sem um terramoto, como no século XVIII, e sem um incêndio, como no século XX".

É uma "antestreia" aquilo a que os visitantes do museu poderão assistir, de forma gratuita, durante o primeiro mês, enquanto não avançarem as obras de adaptação definitiva da antiga sede do Banco Nacional Ultramarino às suas novas funções museológicas. Por agora, a exposição ocupa apenas o piso térreo, com uma área aproximada de 1200 metros quadrados, na qual é apresentada mais de uma centena de peças do mundo do design e da moda.
O projecto expositivo é dos arquitectos Ricardo Carvalho e Joana Vilhena, e, como constatou a directora do Mude, confrontaram-se com "um edifício de grande personalidade", da autoria de Cristino da Silva e cujo piso térreo é dominado por um balcão de mármore de grandes dimensões. Apesar da "decadência" a que o espaço estava votado, "tirar partido das pré-existências" foi uma das maiores ambições, diz Bárbara Coutinho.
Francisco Capelo, que em 2002 vendeu à Câmara de Lisboa, por 6,6 milhões de euros, a colecção com 2500 peças que constitui o acervo do Mude, conduziu ontem uma visita guiada à exposição, que se desenvolve num espaço descarnado e semi-destruído, com um aspecto tosco e inacabado. Sem nada que lhes roube o protagonismo, as peças assentes em estrados de madeira pintados de branco têm assim todo o destaque, permitindo aos visitantes diferentes leituras e percursos.

Cadeira histórica
Patente até Outubro, e de acordo com informação do museu, a exposição Ante-estreia revela um conjunto de objectos que "protagonizaram mudanças profundas ao longo do século XX", e que ali "vivem em espaços encenados, em diálogo com excertos de filmes, música e imagens de época". Por isso, não é de estranhar que junto da cadeira Classic, desenhada por Hans Wegner em 1949, seja projectado um filme do debate televisivo entre Kennedy e Nixon, no qual esta peça de mobiliário foi utilizada. Também obras do design e da moda convivem em ameno diálogo, sendo natural que se encontre um rádio-gramofone de 1956, da autoria de Dieter Rams e Hans Gugelot, ao lado de um vestido de noite violeta, do fim dos anos 50, de Hubert de Givenchy.
A partir de 4 de Junho, o Mude estende-se ao primeiro andar, que vai receber a exposição de retratos políticos Ombro a Ombro, comissariada pelo Museu de Design Zurique. Em Outubro é inaugurada a exposição É Proibido Proibir!, que, 40 anos depois do Festival de Woodstock, "evoca o período flower power, o espírito de contracultura, radicalidade e a contestação dos movimentos de Design Radical e Anti-Design".
O presidente da Câmara de Lisboa afirmou estar "certo de que não faltarão muitos anos para o museu conseguir conquistar o segundo andar e por aí acima até ao terraço", concretizando, em declarações ao PÚBLICO, que espera que tal aconteça "bastante antes" de 2011, data que chegou a ser apontada por Bárbara Coutinho em ocasião anterior. Até porque, disse António Costa, "a pressão do público obrigar-nos-á a acelerar para que toda a colecção seja exposta".
5,5

milhões de euros é o investimento global previsto pelo grupo 3K para a transformação do Palácio Braamcamp num hotel de charme, a abrir dentro de dois anos


Hipótese colocada por António Costa

Mude contra a divisão do espaço com a Experimenta


A Câmara de Lisboa está a equacionar a instalação da ExperimentaDesign no edifício do Mude, hipótese que desagrada à directora do espaço museológico que abre as portas amanhã. "Por favor! Ganhámos agora uma casa. Deixem-nos descansar!", disse ao PÚBLICO Bárbara Coutinho, quando confrontada com a possibilidade de ter de partilhar o espaço pelo qual esperou longos anos. "Cada instituição tem a sua identidade, as suas necessidades. E cada instituição tem de ter o seu espaço, a sua área, o seu programa", disse a directora do Mude. Bárbara Coutinho frisou ainda que no discurso do presidente da autarquia proferido ontem na visita ao museu "não houve nenhuma referência" à instalação da ExperimentaDesign no número 24 da Rua Augusta, pelo que, em seu entender, "a resposta está dada". Mas o entendimento da Câmara de Lisboa é diferente, admitindo um assessor de imprensa que "é uma hipótese" em estudo. A directora da ExperimentaDesign adiantou que a única coisa certa é a ideia de instalar na Baixa, que se quer "tornar um pólo criativo", um grupo que inclui também o Centro Português de Design e a Trienal de Arquitectura, sendo que "não está de todo fechada" a ideia de onde vai funcionar o projecto. O edifício do Mude, diz Guta Moura Guedes, "é uma hipótese muito recente, que não foi ainda discutida em colectivo". »

Pode ser um choque vitamínico, e espero que sim. Um choque vitamínico para a Baixa, sim, mas não para a Experimenta Design, como é óbvio. Mas duvido que um museu só para alguns (falemos sério) seja a resolução de problemas como: comércio em morte anunciada, degradação do espaço público e do mobiliário urbano, mendigagem indiscriminada, prédios devolutos e em ruína, uns, em regime de especulação imobiliária (vide o edifício do anigo Hotel Francforte), outros, à espera de decisão (vide o Corpus Cristi), proliferação de elementos espúrios (ex. respirador do Metro no Rossio, antenas e anexos clandestinos no topo dos edifícios (ex. anexo da Pollux, anexo do Rossio, em edifício ao lado do Hotel Metropole), etc., etc. e, essencialmente, uma Baixa sem moradores e desértica à noite. Oxalá o MUDE ajude, sim, e que NÃO ESTRAGUEM o pouco que resta do edifício primitivo de Cristino da Silva, S.F.F.

Monday, May 18, 2009

A Nunes Correia faliu?


Se assim for, trata-se de mais uma machadada no comércio tradicional da Rua Augusta, que é o troço final do eixo fundamental de Lisboa, Avenida da Liberdade-Terreiro do Paço, que está a definhar a olhos vistos, sendo neste momento uma artéria que de nobre tem muio pouco, onde se trafica droga e óculos escuros à descarada; a pedincha é uma "indústria criativa"; e a CML assobia para o lado no que toca ao urbanismo comercial.

Mais a mais uma loja que já ia na 3ª geração, desde finais do séc. XIX.
Mais a mais uma loja com uns interiores lindíssimos, que importa preservar quanto antes.

Isto tudo numa semana em que a CML abre as portas do MUDE, na mesma rua. Triste.

Friday, May 15, 2009

4ª F, vai a discussão de CML:



Trata-se do projecto de acesso mecânico previsto no âmbito da mobilidade na Baixa (e uma das 4 justificações para a suspensão do PDM na Baixa) e que é uma batalha de há muito, do Arq. Alves Coelho, do Arq. Tudela, entre outros, hoje reformados da CML … e que o Fórum Cidadania Lx pegou em tempos.

Só que isto que a CML apresenta agora é ... NADA.

Poderá servir para manchete publicitária mas:

1. Não resolve minimamente o acesso ao Castelo. Pois a ideia/projecto original previa o acesso por escada rolante dentro da plataforma/maciço da praça central do castelo onde está a estátua de D.Afonso Henriques. Este projecto diz zero sobre isso (podia-se inclusive usar um terreno sem dono na matriz que existe mesmo em frente ao Chapitôt).

2. A ideia inicial era usar-se sempre escadas rolantes (dentro do edif. da Rua Fanqueiros/R.Madalena e lado a lado no mercado/silo automóvel, nas Escadinhas aí existente. Mas nunca, por nunca fazer-se elevadores de carregar no botãozinho (implica tempo de espera, filas de pessoas, insegurança, etc.) o que NÃO SERVE OS MORADORES. As escadas possibilitam que se possa apanhá-las continuamente, sem tempo de espera e com muito maior capacidade de carga. Implica manutenção, sim, claro, e depois?

Além do mais, o desenho apresentado por este projecto é feio, pois faz nascer um corpo, ainda que transparente, paralelo à fachada lateral do edifício do mercado, que inclusivamente será um obstáculo às vistas desde a esplanada no cimo das escadinhas.

Além disso, na introdução, faz referência à requalificação do Lg.Amaro da Costa (que neste momento é um local para estacionar, apenas isso, e que não tem uma única árvore e um simples elemento que o valorize em termos de espaço público), mas depois nada diz de concreto sobre ele.

À parte estes aspectos, há um outro, a montante do problema: por que carga de água a EMEL está metida nisto?

...

Excelente artigo. Mas fica o alerta:

- Qual é o tipo de piso e de material em preparação para o resto da intervenção na FR (Ribeira das Naus, Corpo Santo, Rua do Arsenal, etc.)? Betão? A intervenção global é una ou uma manta de retalhos de intervençõezinhas, cada qual com a sua "marca de autor", o seu desenhinho, o seu material, o seu espaço público, a sua espécie de árvore, etc.?

- A transformação da placa central num plinto gigantesco, debruado a 2 degraus, cada qual com 45 cm de alto, além de ser inestético e indecoroso para aquela praça, é uma uma barreira arquitectónica que transformará o Terreiro do Paço numa espécie de Praça da Figueira II

Ainda outro alerta, este a quem de direito:

O chamado "estudo prévio" (que a mim me parece um projecto final) do TP vai a aprovação da CML na próxima 4ª F. Cadê a discussão pública? O "debate" limita-se a 2 arigos num jornal diário e a um debate na corporação?

Não, não, isso deve ser como se fosse um plano de pormenor, no mínimo ... faz favor de abrirem período de debate público e de solicitar pareceres a especialistas, que por sua os divulgem junto da opinião pública. O Terreiro do Paço é demasiado importante para ser tratado como uma praceta de beco.

Tuesday, May 12, 2009

Losangos para o Terreiro do Paço pouco consensuais mas calçada não é obrigatória

In Público (12/5/2009)
Ana Henriques

«Falámos com vários especialistas sobre o projecto apresentado por Bruno Soares
para a Praça do Comércio e ouviu alguns elogios mas também algumas críticas


Não são lá muito consensuais os grandes losangos que o arquitecto Bruno Soares desenhou para o futuro chão do Terreiro do Paço. Mas nenhum dos especialistas contactados pelo PÚBLICO se mostra chocado com o desaparecimento da calçada portuguesa - que, aliás, há muito que já não ornamenta a placa central da Praça do Comércio.

Recusando-se a comentar o trabalho de Bruno Soares por desempenhar nesta altura as funções de presidente da Ordem dos Arquitectos, João Rodeia recorda o que sempre defendeu em relação à praça: "O pavimento deve ser o mais neutro possível". Uma opinião que parece ser idêntica à do olisipógrafo José Sarmento de Matos, quando diz que não acha feliz a marcação dos losangos, que deviam ser mais discretos - tal como o corredor de pedra que marca o caminho entre o arco da Rua Augusta e o rio, dividindo a praça ao meio. Ao arquitecto José Mateus agrada que tenha sido o antigo terreiro que ali existia antes do Terreiro do Paço, uma praça de terra sem pavimento, a inspirar o trabalho de Bruno Soares. "Mas tenho dúvidas quanto aos losangos. Parece-me uma opção extraordinariamente formal e contraditória com a noção de terreiro".

"Um bocadinho folclórico"
Manuel Graça Dias também não acha grande piada aos quadrados deformados: "Preferia que fosse um desenho mais neutro. Ou então um padrão à escala do peão, como acontece com a calçada portuguesa". É possível que quem cruze a Praça do Comércio nem se venha a aperceber deles, devido às suas dimensões. E o corredor de pedra, será necessário? "As pessoas não são tontas, não é preciso assinalar caminho nenhum", responde Graça Dias.
O arquitecto Ribeiro Telles resume um sentimento que parece ser generalizado: "O arranjo da praça deve ser o mais simples possível, porque ela já tem força e majestade por si própria". Daí as reticências do paisagista em relação ao pavimento da placa central: "Acho-o um bocadinho folclórico".
À parte estes aspectos, o projecto é recebido com algum agrado. À excepção do presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau, em cuja área se situa a praça, vários depoimentos reconhecem alguma qualidade ao trabalho de Bruno Soares. Especialista em questões da Baixa, Walter Rossa dá mesmo os parabéns aos seus autores, por terem conseguido "respeitar a solenidade e o silêncio do espaço". Tal como João Rodeia, também Walter Rossa temia o surgimento de árvores, banquinhos ou outro mobiliário urbano que de alguma forma apoucasse o sítio. "Qualquer intervenção deve respeitar a escala do local", e não tentar transformá-la, diz o arquitecto.
"Neste projecto a simetria foi preservada e de alguma forma o espírito da praça mantém-se", elogia Graça Dias. Outra opção igualmente elogiada é a redução do tráfego automóvel e o aumento dos passeios. "É o mais positivo: passa a ser território dos peões", observa Sarmento de Matos. O olisipógrafo explica que, sendo a calçada portuguesa "uma coisa relativamente recente" - do séc. XIX -, não há razão para a tornar obrigatória num local que tem uma história muito anterior a essa época. Podia até ser contraproducente, avisa Rossa, por reflectir em demasia a luz junto ao rio, tornando insuportável atravessar a praça sem óculos escuros. Para este especialista, apenas uma coisa precisa de ser mudada no projecto: a plataforma do cais das colunas, que passa a ser circular, em vez de um semicírculo. "Parece uma rolha que rouba espaço à praça", critica. As esplanadas nas arcadas não levantam quaisquer objecções.
A Ordem dos Arquitectos já convidou Bruno Soares e a sua equipa para participar num debate público que irá promover sobre a requalificação do Terreiro do Paço»


Arquitectos defendem que "devia ter havido concurso"

Foi no final dos anos de 1990, nos tempos em que João Soares presidia à Câmara de Lisboa, que um concurso público promovido pela autarquia para reabilitar o Terreiro do Paço deu a vitória aos arquitectos José Adrião e Pedro Pacheco. Uma década depois a dupla continua sem conseguir explicar por que razão o seu projecto não foi por diante - apesar de o seu trabalho ter sido pago. "Continua a ser um projecto totalmente válido", garante José Adrião, que gostaria de o ver posto em confronto com o trabalho de Bruno Soares.
Na visão da dupla de arquitectos o pavimento da Praça do Comércio devia ter grandes lajes de aglomerado de pedra. José Adrião recorda que naquela altura concorreram à recuperação do Terreiro do Paço "20 e tal equipas" de arquitectos, cujos trabalhos foram apreciados por um júri composto por técnicos de diferentes áreas. E defende que também desta vez se devia ter optado por um concurso, em vez de se fazer uma encomenda de regime, sem concorrência. Foi a Sociedade Frente Tejo, cujo capital é detido pelo Estado na totalidade, que entregou a reabilitação do Terreiro do Paço ao atelier de Bruno Soares, responsável na década de 90 pelo Plano Director Municipal de Lisboa.
Tal como o projecto encomendado pela sociedade, a proposta de José Adrião e Pedro Pacheco já previa a animação da zona das arcadas - com instalações culturais, bibliotecas, galerias, salas de exposição, feiras especializadas e um museu da Lisboa pombalina. A Frente Tejo encomendou um estudo de urbanismo comercial para resolver a questão. »


Vamos lá a ver se alguém fala claro:

1. A história dos losangos amarelos debruados a cinzentinho, é uma saloiada pegada, e as risquinhas do lado das arcadas, imitando a cartografia uma piroseira. Aliás, na linha que os nossos autarcas da região saloia costumam fazer em tudo quanto é paredão, ou intervenção com marca de autor, em espaço público (areão incluído).

2. Não está em causa a calçada portuguesa. O que aquela praça deve levar é lajes de lioz. Ponto.

3. Não deve haver toldos nem bases para futuros mastros, a prever bandeirinhas. E, sendo eu defensor de árvores, acho que ali não deve existir nem uma.

4. Não deve haver alcatrão em nenhum lado, porque isso convida à manutenção do pópó, circulando ou estacionando. Deve-se manter o trânsito nas laterais para transportes públicos, em piso que não alcatrão, e que sejam veículos não poluentes e de porte médio.

5. E, nada de fazer fileiras de degrausno bordo sul da placa central.

Wednesday, May 6, 2009

«CHIADO IN A MESS!» ...SERÁ DO VENTO?

...ou será mau design e pouca consideração pelo património, neste caso concreto não só pelas consolas de iluminação mas também pelo ambiente urbano histórico? Veremos até quando a CML irá tolerar estas telas, bem intencionadas sim, mas muito mal pensadas! «Chiado in a Mess!»

Sunday, May 3, 2009

LARGO do CHIADO: propaganda política


Infelizmente continua a instalação de cartazes de propaganda política em locais de indiscutível valor histórico e artístico. Apenas a título de exemplo, estas imagens de cartazes encostados às fachadas da Igreja da Encarnação e da Igreja do Loreto (dos Italianos) no Largo do Chiado.

É lamentável que dois partidos políticos estejam a dar tão mau exemplo de desrespeito pelo património e pela lei. É proibida qualquer publicidade e propaganda política na envolvente imediata de monumentos classificados, como é o caso destas duas conhecidas igrejas do Chiado. Resta a esperança de que, no dia das eleições, os partidos sejam também julgados por todas estas acções abusivas.

Tuesday, April 28, 2009

Passadeira de pedra a cortar Terreiro do Paço ao meio inquieta participantes em debate

In Público (28/4/2009)
Ana Henriques

«Sociedade Frente Tejo continua sem divulgar desenhos que permitiriam perceber melhor o projecto de reabilitação da praça


O projecto de dividir o Terreiro do Paço ao meio com uma passadeira de pedra, para assinalar o percurso entre o arco da Rua Augusta e o Cais das Colunas, foi ontem recebido com inquietação por vários dos participantes numa conferência dedicada às praças da Europa que decorreu no Centro de Informação Urbana de Lisboa.

Apesar de o autor do projecto de reabilitação da Praça do Comércio, Bruno Soares, ter estado presente no debate, ainda não foi desta que foram tornados públicos os desenhos que poderão tornar mais claro o que pretende fazer este arquitecto do local. Bruno Soares disse que ainda não tinha chegado a altura de os mostrar.
Ao certo, sabe-se que o projecto que a sua equipa está a elaborar para a Sociedade Frente Tejo, entidade encarregue de recuperar para o usufruto da população alguns troços da zona ribeirinha, prevê o alargamento em 20 metros dos passeios junto às arcadas do lado poente e nascente, de modo a que ali possam ser instaladas esplanadas. Já a placa central deverá estar liberta desse tipo de equipamentos. Para o arquitecto, é um erro fazer comparações entre o Terreiro do Paço e algumas praças espanholas com esse tipo de ocupação no seu centro, como Salamanca ou Valladolid, uma vez que se trata de locais com características diferentes: desde logo a dimensão - a praça portuguesa é muito maior -, e depois a situação geográfica da Praça do Comércio, que é aberta ao rio. "É inóspita, tem muito sol e vento. Seria um grande erro colocar quiosques e esplanadas no centro para fazer com que as pessoas para lá fossem", observou. Também por questões de escala, Bruno Soares pensa não ser de voltar a colocar no local as árvores que já lá existiram no final do séc. XIX: se fossem suficientemente imponentes tapavam os edifícios; se fossem demasiado pequenas ficariam ridículas numa praça tão grande. Quanto à passadeira, servirá para encaminhar os peões em direcção ao rio - segundo o arquitecto, não fará grande contraste com o restante pavimento da praça, devendo ficar ao mesmo nível que este.
Conhecida pelo seu desempenho à frente de vários museus, a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva não hesitou em admitir as suas reticências em relação a vários aspectos do projecto. Além da inquietação que demonstrou sobre a passadeira para os peões, criticou a prevista abertura de um hotel de charme num dos edifícios do Terreiro do Paço. "E a ocupação das arcadas apenas com funções comerciais e turísticas é um erro", preveniu. O que Raquel Henriques da Silva gostaria de ver no local era um pólo do Museu da Cidade dedicado à época pombalina que permitisse aos turistas perceber a história do sítio. E, acima de tudo, que a intervenção a que a Praça do Comércio vai ser sujeita seja mínima.
Quanto à animação domingueira ali promovida pela autarquia, a historiadora de arte espera que não regresse, porque se tratou "de um desastre absoluto". »


E o problema maior nem é esse, como já toda a gente percebeu isso. O problema maior divide-se em dois: A que propósito é o Arq. Bruno Soares o autor do projecto, e não é outro qualquer? A que propósito é que se quer transformar a placa central numa malha de losangos amarelos ocre, em areão, debruados a cinzento, e sob o pedestal fazer-se um losango grande em verde; e depois, defronte à marginal, uma bancada de cerc a de 1m de altura com dois degraus?

Parece que ainda não foi desta que o powerpoint foi divulgado, o que é estranho. A coisa só foi divulgada em sessão privada de CML e as extrapolações feitas são-no por via dos pormenores divulgados em briefing.


P.S. Outro problema, igualmente grave, é constatar-se que a candidatura da Baixa à UNESCO, como a Profª Raquel Henriques da Silva afirmou, «jaz morta e a arrefecer rapidamente». Também, vendo bem, depois das alterações que foram sendo permitidas nos últimos meses, e sem continuar a haver vontade para um verdadeiro plano financeiro, a coisa nem fazia já sentido. Alumínio, podes fazer o teu trabalhinho!

Monday, April 27, 2009

Há um jardim de oliveiras que anda às voltas pelo Terreiro do Paço

In Público (25/4/2009)


«A Parece que a ideia agradou a muitos dos que passam pela mais nobre e imponente praça de Lisboa, em devaneio turístico, ou na correria para o emprego. Talvez por isso, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, foi ontem ver como as oliveiras se movimentam pelo Terreiro do Paço. São assim os 45 "jardins portáteis", idealizados por Leonel Moura, que a autarquia adquiriu por 70 mil euros. Mexem-se à força dos pés de quem se senta na estrutura plástica que sustenta a pequena árvore. Talvez também por isso o autarca já pense em deslocá-las, depois das comemorações do 25 de Abril, para a Praça da Figueira, onde darão o colorido de que o local tanto carece. E Costa lançou novo desafio, convidando outros artistas plásticos a apresentarem projectos para a cidade. A praça encheu-se de gente e, não fosse o vento que a fustigava e a poeira das obras que brindava os visitantes, muitos mais por ali tinham ficado. O artista plástico explicou então que o seu "jardim portátil" permite aos cidadãos, pelo seu movimento, participar na vida da cidade. Sobre a árvore escolhida, destacou que dá sombra a quem nela se acolhe e que está fortemente enraizada à cultura portuguesa e à cidade de Lisboa.»

...

Att. Sr. Presidente da CML


Atenção! Pelo facto da Praça da Figueira ser agora uma espécie de 'aterro sanitário' de tudo quanto a CML quer impingir-nos e acha pimba, por favor, nada de enxotar para lá mais monos.

A Praça da Figueira merece tanto respeito quanto o Rossio, os Restauradores ou o Terreiro do Paço.

Tinha até um belo projecto de requalificação no seguimento do do Rossio (e só projectos de requalificação que entendam a cidade como um espaço continuado é que são dignos de referência), mas que uma 'cunha' fez parar em prol de um outro de revestimento das fachadas da praça com azulejos, no que seria o projecto mais piroso de toda a Lisboa. Ainda bem que isso não foi avante.

Mas não descansaram enquanto não descentraram a estátua de D.João I, subiram a cota do pedestal, puseram aquela iluminação pindérica, mais as tendinhas e lá veio Santana que colocou corrimões nos poços de ventilação (mais outro dos clássicos lisboetas) da placa central. Ah!, é verdade, as árvores-palitos da praxe, dispostas bem longe das fachadas.

Mais bugigangas agora? Poupe-nos, por favor.

Friday, April 24, 2009

Terreiro do Paço ganho pela CB Richard Ellis e Innovagency

In OJE (23/4/2009)

«O desenho da solução de urbanismo comercial para a Praça do Comércio, em Lisboa, será feito pela consultora imobiliária CB Richard Ellis e pela Innovagency.
Este projecto promovido pela Frente Tejo procura concretizar uma visão ambiciosa para o futuro do Terreiro do Paço.

O consórcio CB Richard Ellis/Innovagency ganhou o concurso promovido, pela sociedade Frente Tejo, para desenhar a solução de urbanismo comercial para a Praça do Comércio (Terreiro do Paço), em Lisboa.

Este projecto tem como objectivo devolver uma dinâmica a uma das maiores Praças da Europa, através de movimento comercial, cultural e turístico, dentro dos melhores e mais avançados parâmetros de qualidade urbanística e comercial a nível mundial

Este projecto promovido pela Frente Tejo procura concretizar uma visão ambiciosa para o futuro do Terreiro do Paço, desenhando e implementando um conceito inovador e contemporâneo, com relevância temporal contínua, assente na multifuncionalidade dos espaços. O Projecto enquadra duas vertentes fundamentais: a de desenho da estratégia comercial e a de definição do modelo de gestão e exploração da oferta e do espaço urbano sob um conceito e uma marca integradores.

A área de intervenção do projecto integra o piso térreo dos edifícios que constituem o conjunto monumental do Terreiro do Paço, incluindo os torreões Nascente e Poente, num total de 18 mil m2 de área coberta, bem como o espaço público do Terreiro do Paço, nomeadamente a praça e os claustros interiores dos edifícios.

A CB Richard Ellis e a Innovagency associaram-se para a realização deste trabalho por acreditarem que a complementaridade das suas competências e experiências permitiriam abordar o desafio de uma forma inovadora e integrada. À especialização da CB Richard Ellis no sector imobiliário (em particular uma vasta experiência imobiliária acumulada na análise, definição, comercialização e gestão de projectos no sector comercial) juntam-se as competências de inovação e de marketing estratégico da Return on Ideas (a marca de consultoria da Innovagency). Este consórcio ambiciona desenhar para o Terreiro do Paço um conceito com soluções inovadoras e adequadas aos diferentes públicos alvo que se pretende atingir.

A CB Richard Ellis desenvolve a sua actividade para promotores, investidores e ocupantes através de mais de 300 escritórios em todo o mundo (excluindo empresas associadas). Entre os seus serviços contam-se a consultoria e mediação em operações de venda e arrendamento de imóveis, administração de imóveis, gestão de projectos, consultoria de investimento imobiliário, serviços de avaliação, research e consultoria. Em Portugal a empresa está presente desde 1988, prestando serviços em todo o território nacional, tendo reforçado a sua posição a Norte do país desde 2006.

A Innovagency concentra a sua capacidade para abordar projectos de assessoria estratégica e de marketing sob a marca de consultoria "Return on Ideas". Esta equipa está especialmente vocacionada para apoiar os clientes na identificação, aceleração e implementação de oportunidades de crescimento dos negócios, com metodologias orientadas para o consumidor. Com oito anos de experiência no mercado português, tem colaborado com as principais empresas nacionais e tem tido sucesso em sectores tão variados que vão do sector imobiliário ao sector financeiro, do sector energético ao sector dos bens de consumo e do retalho. Em todos eles, a Return on Ideas apresenta sempre soluções inovadoras que permitem um rápido incremento dos proveitos das organizações, seja por: aumento puro e simples do número de clientes; criação de novas plataformas de crescimento do negócio; utilização mais efectiva dos canais à disposição das empresas para chegar aos consumidores; e segmentação racional dos produtos e serviços tendo em conta a base de clientes a que se dirigem»

Thursday, April 23, 2009

Achados arqueológicos descobertos no Terreiro do Paço podem vir a ser divulgados num centro interpretativo

In Público (23/4/2009)

«A criação de um centro interpretativo para os achados arqueológicos descobertos durante as obras do Terreiro do Paço é uma das hipóteses em estudo para divulgar aquele património, disse o vereador do Urbanismo na Câmara de Lisboa, Manuel Salgado.
A hipótese foi avançada numa reunião entre o vereador, o presidente do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), o vice-presidente do instituto para a área da arqueologia e responsáveis da sociedade Frente Tejo, da EPAL e da Simtejo, entidades envolvidas nas obras que decorrem no Terreiro do Paço.
Na reunião foi decidido o levantamento da interrupção da obra devido à descoberta de achados arqueológicos, nomeadamente de uma muralha junto ao Cais do Corpo Santo. "A situação está controlada e nenhum atropelo foi cometido para não comprometer o calendário da obra", garantiu Manuel Salgado, referindo o "valor importante" dos achados.
"Não houve destruição de património. Assim que foram detectados achados foi dado conhecimento ao Igespar, que accionou as medidas preventivas", afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, durante a reunião da Assembleia Municipal que se realizou anteontem.
Diferente é a versão do responsável pela arqueologia náutica e subaquática do Igespar, Francisco Alves, que revelou ao PÚBLICO, em declarações anteriores, que houve um avanço das máquinas sobre os vestígios, previamente registados por desenho e fotografia, "sem autorização da tutela". Também o presidente do instituto, Elísio Summavielle, admitiu uma "precipitação" do empreiteiro.
A Assembleia Municipal aprovou uma moção do PSD condenando "veementemente" as "situações ocorridas" e exigindo do presidente da câmara "garantias sólidas" de que é capaz de "defender e salvaguardar o património histórico e arqueológico".
Numa recomendação apresentada pelo PSD, os deputados exigiram que o contrato local de segurança, que está a ser negociado com o Ministério da Administração Interna e que se prevê que abranja apenas a zona da primeira divisão da PSP, seja "aplicável a toda a cidade de Lisboa". Também António Costa revelou defender esse alargamento, frisando que "não há uma negociação fechada".
Também por iniciativa do PSD, a Assembleia aprovou uma moção repudiando "qualquer tentativa" da autarquia de propor alterações ao PDM para "acomodar interesses imobiliários do Governo".
Já ontem, na reunião do executivo camarário, Marcos Perestrello, vice-presidente da câmara, renunciou ao mandato autárquico na capital, considerando não ter condições para o exercer em simultâneo com a pré-campanha eleitoral em Oeiras, onde será cabeça de lista. PÚBLICO/Lusa»

E começou a jogatina partidária.

Wednesday, April 22, 2009

Digam lá se as árvores não são republicanas!









Fotos de 1900 a 1918. Fonte: Arquivo Municipal.

Monday, April 20, 2009

CONVERSAS COM LISBOA: ciclo de palestras nos Paços do Concelho

Ciclo de Palestras organizado pela Câmara Municipal de Lisboa

A cidade, a sua história, a vida quotidiana, a arte e a arquitectura, as pessoas com as suas histórias e as suas memórias, vão ser temas destas primeirasa "Conversas com Lisboa". Através das palavras dos oradores convidados para este ciclo vamos tarzer à conversa diferentes olhares sobre Lisboa e debatê-los com todos os que quiserem partilhar um pouco dessas memórias, com um olhar posto no futuro da nossa Cidade.

Todas as palestras terão lugar nos Paços do Concelho, a casa dos lisboetas, ao fim da tarde, entre as 18h00 e as 20h00.

23 ABRIL
A celebração Pombalina no Século XIX
JOSÉ SARMENTO MATOS (Olisipógrafo)

30 ABRIL
Lisboa das Avenidas Novas
RAQUEL HENRIQUES DA SILVA (UNL/FCSH)

Foto: barraca de «churros e porras» na Praça do Comércio ou a celebração da prostituição do património?

Um centro comercial para o Rossio

In Público (20/4/2009)

«A Câmara de Lisboa aprovou há poucos dias um projecto de arquitectura que vai transformar o quarteirão onde se encontra a Pastelaria Suíça, no Rossio, num hotel de cinco estrelas.
Parece-me que esta não é a melhor foram de reabilitar e revitalizar a Baixa, porque uma unidade hoteleira daquela classe irá certamente funcionar, e não é difícil de prever, como um "clube de ricos", com porteiro à porta, no centro da cidade, isolado do resto da população. Se pensarmos que em vez do Centro Comercial Armazéns do Chiado se tivesse instalado um hotel de cinco estrelas naquele local, hoje provavelmente aquela zona da cidade teria uma menor circulação de pessoas, sobretudo à noite.
Os centros comerciais são hoje em dia espaços de convívio, por excelência, nos quais as pessoas se podem sentar às mesas para conversar, sem haver consumo obrigatório, o que agrada a quem tem poucas posses, e onde se pode tomar um copo ou uma refeição, fazer compras, ir ao cinema, estudar, namorar ou, muito simplesmente, comprar o jornal. Poderá parecer de mau gosto, principalmente a puristas e elitistas, a minha escolha para recuperar e dar nova vida à Baixa: O quarteirão em causa deveria ser transformado num centro comercial que tivesse um excelente projecto em que fossem mantidas as abóbadas do piso térreo, como no do que o vereador Manuel Salgado referiu aos jornalistas. Sim, um centro comercial que tivesse um excelente projecto, com abóbadas e esplanadas.
Mário Júlio,
Lisboa»

Uma boa ideia, só que redundante: o Rossio já é um centro comercial.

Sunday, April 19, 2009

Igespar sai em defesa de achados no Terreiro do Paço

In Público (19/4/2009)
Ana Henriques


«Pressa em terminar obras em curso pode comprometer descobertas arqueológicas importantes. Antiga escadaria vai ficar à vista


Era uma manhã desagradável para passear à beira-rio. O céu cinzento e o ar húmido teriam de bom grado levado o director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) a optar pelo conforto do seu gabinete no Palácio da Ajuda. Mas, perante o que se havia passado escassas 12 horas antes no Terreiro do Paço, Elísio Summavielle não teve outra escolha senão descer até à margem do Tejo acompanhado por arqueólogos, para perceber até que ponto a pressa do empreiteiro que está a fazer as obras de saneamento não tinha danificado irreversivelmente vestígios ali encontrados esta semana.
"Suspirámos de alívio", descreve o responsável pela arqueologia náutica e subaquática do instituto, Francisco Alves. "Apesar de terem avançado com as máquinas sobre os vestígios sem autorização da tutela, estes já haviam sido registados [por desenho e fotografia] pelos arqueólogos que acompanham a obra". Além disso, continuava de pé uma escadaria em pedra, velha de vários séculos, que apareceu defronte do torreão poente da Praça do Comércio. Um poderoso anel metálico cravado a meio dos degraus atesta uma das suas funções - a amarração de barcos.
A escadaria estava enterrada e ninguém sabia da sua existência até as obras em curso a resgatarem ao passado. Irá agora ser desmontada para abrir caminho à passagem da conduta do esgoto, mas mais tarde ficará à vista de toda a gente, já que será remontada no lugar onde apareceu. À primeira vista parece fazer parte da amurada do Cais das Colunas. Os arqueólogos garantem que não, que poderá ser da época dos Descobrimentos.

Vandalismo ou não?
Quanto aos achados destruídos pelo empreiteiro sem autorização do Igespar - restos de um cais de pedra prolongado por pontões de madeira assentes em estacaria -, o especialista em arqueologia náutica e subaquática fala da sua raridade, embora admita que a sua preservação seria impossível, uma vez que inviabilizaria a obra em curso. "Se estivesse numa conversa de café, diria que aquilo que se passou foi vandalismo", observa.
Depois de verem afluir ao local de cada vez mais arqueólogos entusiasmados, com máquinas fotográficas, os operários agiram: na quinta-feira cerca das 21h00 arrasaram tudo, ainda sem terem licença do Igespar para o fazer. Contido nas palavras, Elísio Summavielle fala em "precipitação" do empreiteiro. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar a empresa em causa, a Teixeira Duarte.
"Antes de haver autorização do instituto, não pode haver desmontagem e já chamei a atenção para esse facto, Felizmente não houve danos para o património", refere o mesmo responsável. Os arqueólogos chamam desmontagem à destruição de um vestígio quando ela é precedida do seu registo fotográfico ou desenhado. Summavielle e a sua equipa estiveram com o dono da obra, a empresa intermunicipal Simtejo, para que episódios como este, puníveis por lei, não se repitam. Para terça-feira está agendada uma reunião entre responsáveis da autarquia, do Igespar e das empresas envolvidas nas obras em curso na zona. Em cima da mesa estarão não só as questões relacionadas com a arqueologia como as dos prazos: o presidente da câmara, António Costa, prometeu que os transtornos que os trabalhos estão a criar aos automobilistas durariam quatro meses, mas a necessidade de alterar alguns projectos para preservar os vestígios arqueológicos pode fazer com que as obras se prolonguem para lá de Junho. "Por vezes a pressa é inimiga do património", constata Elísio Summavielle.
Um dos projectos que será preciso alterar será o da EPAL. A empresa aproveitou as obras de saneamento para substituir um troço de 640 metros de uma conduta de água entre o Terreiro do Paço e a Ribeira das Naus. Acontece que também aqui os arqueólogos depararam com vestígios que, embora menos espectaculares do que a escadaria, entendem ser igualmente de preservar. Trata-se de um antigo muro de contenção da margem do rio, que se prolonga por cerca de 20 metros. Irá permanecer enterrado, tendo o Igespar dito à EPAL que desviasse a conduta pelo menos 20 centímetros do vestígio arqueológico.

No caminho da conduta
A empresa não comenta: depois de ter passado vários dias a garantir que tinha licença do instituto para destruir o muro, remete agora qualquer declaração para depois da reunião na câmara. Ainda na zona da Ribeira das Naus foi encontrado uma segunda estrutura de pedra, perpendicular ao rio e provavelmente da época anterior ao terramoto de 1755. O Igespar admite que possa vir a ter de ser atravessada pela conduta da água.
Muita da excitação dos arqueólogos com tudo o que estão a descobrir enterrado à beira-rio tem que ver com o facto de várias destas estruturas portuárias estarem representadas em antigos mapas e gravuras da cidade de Lisboa. Seriam imagens fiéis da metrópole portuária do século XVII? Ninguém sabia. Até hoje. O director do Igespar apela à Câmara de Lisboa para que, terminadas as escavações, sejam divulgadas as descobertas feitas, "para que tudo o que está ali debaixo não fique nas gavetas dos peritos".
100 mil habitantes de Lisboa ainda vêem os seus esgotos encaminhados para o Tejo. As obras em curso vão mudar isso»

Era bom, também, que o Presidente do IGESPAR se preocupasse com a saloiada pegada que é o projecto da Parque Expo para o Terreiro do Paço, atentatório que é da monumentalidade única do mesmo, e, mais, que envolve a construção de uma "anexo" lacustre junto ao torreão poente, para emissão de esgotos. Coisa perfeitamente dispensável, segundo opinião de técnicos especializados, dado que a obra a decorrer em pleno terreiro pode, e deve, englobar essa vertente técnica, sem necessidade de construção da tal palataforma lacustre.