Saturday, July 25, 2009

Praça do Comércio: o que se falava em Novembro de 2007


A propósito da trapalhada do projecto da Frente Tejo & Governo para a Praça do Comércio, vale a pena reler este artigo que saiu no Público/P2 no dia 6 de Novembro de 2007 e ver o que foi prometido e discutido já naquela altura:

Fechado ao trânsito e com animação, o Terreiro do Paço "é das pessoas" ao domingo, diz a Câmara de Lisboa. As actividades são todas temporárias - este domingo vai haver um megamagusto de São Martinho com "o maior assador de castanhas do mundo" -, e a ideia é lançar o debate sobre o futuro da praça. Com carros, sem carros, com árvores, sem árvores, com barraquinhas, sem barraquinhas? O P2 ouviu arquitectos e a vereadora da Cultura

Por Alexandra Prado Coelho A florista acha que vendia mais no Cais do Sodré. Os vendedores de artesanato urbano estão dispostos a esperar para ver. Os curiosos passeiam-se por ali, espreitam os espectáculos. Há quem se queixe da falta de cafés. Há quem comente "isto com árvores é que era fixe".

A discussão sobre o que fazer no Terreiro do Paço está instalada - pelo menos entre os que por ali passam aos domingos desde que a Câmara Municipal de Lisboa decidiu que nesses dias a praça é fechada ao trânsito e "devolvida às pessoas".

Para já, e durante um ano, há animação - grupos a tocar, jogos tradicionais, feira do livro, uma carruagem com cavalo para dar a volta à praça, espectáculos e exposições no claustro do Ministério das Finanças, filmes (no redescoberto Páteo da Galé, por baixo das arcadas) para ver como era dantes aquela que muitos consideram a mais bela praça de Portugal e até da Europa.

A esplanada - a única que existe - com café e um euro e vinte está cheia. Não há carros a passar, mas há várias carrinhas de apoio estacionadas no meio da praça, que durante anos foi um parque de estacionamento, depois um estaleiro de obras e que, mesmo depois de se ter libertado de tudo isso, parece ter continuado esquecida pelos lisboetas. Discuta-se, então, o futuro.

As árvores, por exemplo. Pode-se começar por aí. Walter Rossa, investigador da história da arquitectura, urbanismo e património e autor de, entre outros livros sobre o tema, Além da Baixa, Indícios de Planeamento Urbano na Lisboa Setecentista (edição do Ippar) sublinha que ainda não passou pelo Terreiro do Paço aos domingos desde que a iniciativa começou, mas não tem dúvidas quanto a essa questão: "Não passaria pela cabeça de ninguém plantar um bosque em torno das Pirâmides. Se as pessoas querem andar à sombra podem andar por baixo das arcadas [em redor da praça].

"Já houve, no passado, árvores em redor da praça e, explica a vereadora da Câmara Municipal para a Educação, Juventude e Cultura, Rosália Vargas, a intenção da Câmara é fazer essa experiência novamente - por isso, em Março, no início da Primavera, serão colocadas árvores, mas em vasos, apenas para estudar o efeito. Porque a praça é, neste momento, "um grande campo experimental de ideias".

Trânsito "opressivo"
Duas coisas parecem unânimes entre os arquitectos ouvidos pelo P2. A primeira é que o grande problema do Terreiro do Paço é o trânsito (o acidente com duas vítimas mortais e um ferido grave, há uns dias, veio mostrar que este é um problema com consequências muito mais graves do que a de afastar as pessoas do local). É a "cintura de trânsito, muito intenso, opressivo" que torna a praça muito pouco convidativa para passear ou estar numa esplanada, diz Pedro Reis, responsável pela recente reabilitação do Museu de Elvas e morador na Baixa, a curta distância do Terreiro do Paço. O actual problema dos domingos - em que o coro de buzinas dos carros que ficam presos em engarrafamentos rivaliza com a música que se toca na praça - tem a ver, segundo Pedro Reis, com problemas de organização. "Quando há cortes de trânsito é preciso informar as pessoas a tempo de elas poderem alterar o percurso.

"Pode haver algum trânsito local, mas pensar naquela zona como uma via rápida é a morte", defende o também arquitecto Pedro Ressano Garcia, que há muito tempo tem vindo a pensar a zona ribeirinha de Lisboa. Reduzir substancialmente o trânsito é, aliás, para Ressano Garcia, a única intervenção de fundo que necessita o Terreiro do Paço, o único ponto da zona ribeirinha que não sofreu nos séculos anteriores as alterações profundas que acabaram por afastar Lisboa do rio. "Tínhamos uma cidade toda aberta para o rio. O Terreiro do Paço foi o único que sobrou e é por isso que adquiriu um estatuto icónico."

Também Walter Rossa lamenta "a manutenção da Rua do Ouro e da Prata como vias rápidas, em que nem um táxi pode parar", o que, diz, lhes impede de "terem uma vivência que podia contribuir para a dinamização da Baixa"."Atentos às buzinadelas"Ao cortar o trânsito aos domingos, a câmara está, de certa forma, a testar possibilidades. "Estamos muito atentos às buzinadelas que ouvimos", garante a vereadora, "e que querem dizer que o trânsito não está a fluir como gostaríamos". Mas todas as semanas são feitas reuniões de avaliação e a questão do trânsito tem estado no centro das discussões.

Outro ponto consensual é que nada deve acontecer de forma permanente na placa central da praça, um espaço que Walter Rossa descreve como "essencialmente de contemplação e de afirmação do poder". "Não há em todo o mundo nenhuma praça com aquela natureza, de ostentação do poder, aberta para o rio", explica. O crítico de arquitectura Diogo Lopes, que está temporariamente ausente de Portugal e por isso ainda não viu o Terreiro do Paço aos domingos sem trânsito, defende também que "aquele espaço passa pela vivência daquele vazio" e que "criar pequenos acontecimentos vai contra a sua natureza".

Diogo Lopes confessa mesmo que lhe agrada "saber que ainda ali estão ministérios", porque acha importante que se salvaguarde "a continuidade funcional e temporal daquela estrutura para que ela continue hoje a fazer sentido". Mas se esse lado de representação do poder é importante, ele deve ser "compatibilizado ou interceptado com outros tipos de usos".

Deixar o centro livre foi o que propuseram José Adrião e Pedro Pacheco quando, em 1992, venceram um concurso para a reabilitação do Terreiro do Paço (projecto ainda por concretizar e substituído por outro provisório, dos mesmos arquitectos, e que é o que ainda hoje se mantém): "O Terreiro do Paço é um espaço de silêncio e contemplação para a leitura do rio, que é o quarto alçado daquela praça. O espaço central deve ser sempre de silêncio", diz Adrião. A ideia dos dois arquitectos era que no terreiro fossem instaladas caixas elevatórias que podiam subir e descer, com ligações para cabos eléctricos, para eventos lúdicos pontuais.

Contra o "horror ao vazio"
Diogo Lopes - sublinhando sempre que não viu ainda a animação dos domingos - é de opinião de que deve haver "momentos pontuais de apropriação", mas não se deve "instaurar um programa permanente de animação". Há em Portugal um certo "horror ao vazio", mas "há tantos sítios em que não se passa nada, e aquele é um sítio para não se passar nada na maior parte do tempo".

Concordando que "na placa central não deve acontecer nada", Pedro Reis compreende, no entanto, que "numa fase de arranque" seja necessário criar alguma animação na praça (embora pense que é importante a Câmara dar mais indicações sobre os planos que tem para o futuro do Terreiro do Paço). "Ter uma praça disponível na cidade é uma coisa nova. E as pessoas não estão habituadas a usar aquele espaço, que durante muito tempo foi um parque de estacionamento e depois esteve em obras", diz Pedro Reis. O que lhe parece mais interessante, contudo, é explorar o "potencial enorme" que existe em redor da praça, debaixo das arcadas, nos pátios dos ministérios, durante décadas escondidos dos lisboetas e agora (pelo menos alguns) reabertos.

Alguns desses locais, como o Pátio da Galé, são o que a vereadora Rosália Vargas chama as "âncoras" do projecto de animação. Mas nada do que se passa no Terreiro do Paço - e que está previsto até Setembro de 2008, com reforço de programação em domingos que coincidam com datas mais significativas, como o São Martinho - é definitivo, sublinha.

O que quer a câmara? E o que é que a câmara gostaria de ver naquele espaço? "Restauração de qualidade, bons cafés, bares, um hotel, um museu, lojas de qualidade." Quanto à placa central, "deve ser preenchida de quando em quando, ninguém aguentaria uma programação permanente de grande dimensão para aquele espaço".

Durante os próximos meses, a câmara está aberta a propostas de grupos, organizações, artistas, todos os que tenham ideias para animar a praça aos domingos (foram, por exemplo, enviadas cartas a todas as escolas de música da cidade convidando-as a apresentarem-se ali). Todos concordam que o Terreiro do Paço não pode transformar-se naquilo que Walter Rossa descreve como "uma espécie de Luna Park da cidade". Mas que deve ser pensado, planeado e objecto de um plano integrado de toda a Baixa. "Não vejo mal nenhum em que se façam experiências e se corram riscos", conclui José Adrião - que no seu projecto de 1992 com Pedro Pacheco já previa galerias e cafés nos pisos térreos e a transformação dos claustros em espaços públicos - "mas essas experiências devem ser utilizadas com um fim muito explícito", diz Adrião. "Há 15 anos que se anda a falar disto. Porque é que demora tanto tempo é um mistério."

Fotos: aspectos da infeliz iniciativa municipal «Aos Domingos o Terreiro do Paço é das Pessoas»

Thursday, July 23, 2009

Iluminações de Natal em ... Agosto?!

Chegado por email ali ao lado:



Chegado por email:

«Fotos tiradas ontem na Rua do Ouro... As iluminações de Natal este ano chegam em Agosto?!... Qual será a marca patrocinadora do evento?...

Cumprimentos calorosos pela qualidade do Vosso trabalho,

José Santa Clara Gomes»

«CÂMARA AUTORIZA CARTAZ ILEGAL NO ROSSIO»


In Público (23/7/2009)

José António Cerejo

«Licença para "telão" publicitário foi dada, por três meses, sem a indispensável autorização do Igespar. Depois de pedida e recusada a legalização do anúncio, a autarquia não mandou tirá-lo

A Câmara de Lisboa autorizou há meses a instalação de suportes publicitários de grandes dimensões na Praça D. Pedro IV sem ter solicitado o parecer obrigatório e vinculativo do Igespar - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico. Já em Maio requereu a este instituto a legalização dos suportes ilegais - uma tela de grandes dimensões da empresa Renova e uma tenda da Chevrolet -, mas a resposta foi negativa. Apesar disso, o anúncio da fábrica de papel mantém-se no local.

Bem conhecida dos serviços da Direcção Municipal de Ambiente Urbano, tutelada pelo vereador José Sá Fernandes, a Lei do Património não deixa dúvidas: o licenciamento deste género de suportes em áreas protegidas, como é o caso, carece de parecer favorável, prévio, do Igespar.

Neste caso, porém, a câmara não pediu o parecer necessário e autorizou a Renova a montar o cartaz com 10,4 por 6,8 metros na fachada do edifício do Rossio em que funciona, há décadas, a Livraria do Diário de Notícias, cobrindo integralmente os pisos superiores. A licença foi emitida para vigorar durante os meses de Maio, Junho e Julho. Quanto à Chevrolet, a autorização incidiu sobre a instalação de uma tenda e de vários mastros com pendões, mesmo em frente ao cartaz da Renova.

A 28 de Maio, já depois de vários munícipes terem criticado a situação, a câmara pediu ao Igespar a "legalização" do cartaz e da tenda da Chevrolet. Em ambos os casos, a decisão foi negativa, tendo o despacho de "não aprovação" do director do Igespar, relativamente à Renova, sido assinado a 29 de Junho por Elísio Sumavielle, e comunicado à autarquia a 6 de Julho. Fundamento: a dimensão e o impacte visual negativo e ainda a prática do Igespar de não autorizar estes suportes em áreas protegidas.

Passadas três semanas, o "telão" ali permanece e só deverá sair no final do mês, altura em que expira a licença. A tenda, por seu lado, já foi desmontada, mas o PÚBLICO não conseguiu esclarecer se isso aconteceu em consequência da posição do Igespar ou por o prazo da licença ter terminado.

Contactado pelo PÚBLICO, o assessor de imprensa de José Sá Fernandes afirmou que a licença do cartaz foi emitida com base num parecer da Comissão de Publicidade Exterior da Câmara, que, por sua vez, "se baseou num parecer favorável, dado há alguns meses pelo Igespar, para um anúncio idêntico que esteve ao lado do café Nicola". O mesmo assessor disse que a câmara só recebeu o parecer desfavorável a este caso no início de Julho e que o cartaz vai ser retirado na próxima semana [quando acabar a licença]. "A competência nestas matérias é dos serviços e o vereador não tem que ter conhecimento", disse João Camolas, acrescentando que "a posição dele é a que sempre foi e não houve qualquer inversão". »

Sunday, July 19, 2009

Tela de publicidade da RENOVA no ROSSIO foi reprovada pelo IGESPAR



A tela de publicidade da RENOVA no Rossio recebeu parecer de não aprovação tanto do IGESPAR como da DRCLVT. Esta informação é pública e foi confirmada oficialmente.

A CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA:

Mais uma vez, esta tela foi licenciada pela CML (por um periodo de 3 meses - Maio, Junho e Julho) sem que primeiro tivesse sido efectuado o pedido de autorização ao IGESPAR. Porque razão a CML sistematicamente não acautela os procedimentos previstos na lei? Porque razão a CML só efectuou o pedido um mês depois da tela estar instalada, ou seja, quando o pedido já não faz sentido? É intencional ou pura desorganização dos serviços da CML?

Este caso indicia situações preocupantes dentro da Direcção de Ambiente Urbano da CML. O espaço público de Lisboa - em particular o centro histórico - não pode continuar a ser explorado desta maneira pelas grandes marcas e com a cumplicidade da própria CML.

Porque razão a tela do Rossio foi licenciada uma vez que nunca poderia receber um parecer positivo do IGESPAR / DRCLVT? Lamentável a Câmara Municipal de Lisboa ter licenciado esta operação de marketing de uma empresa privada apesar de ir contra as regras internacionais de gestão de um centro histórico. Desde Maio que temos o Rossio desfigurado com uma mega tela de publicidade afixada num imóvel classificado, numa zona urbana de relevância nacional e até mundial.

A RENOVA:

Condenamos a RENOVA por ter avançado com um projecto desta natureza que óbviamente nunca poderia receber um parecer positivo do organismo do Estado responsável pela salvaguarda do Património classificado. Só quem não conhece a redacção da Lei do Património, ou quem tem pouca ou nenhuma consideração pelos bens culturais classificados, pode conceber e implementar um campanha de publicidade com este impacto negativo.

Mas os cidadãos tomaram nota desta situação, donde se tiram as seguintes conclusões sobre a RENOVA:

-Desconhece a Lei do Património;

-Ignora os pareceres, obrigatórios e vinculativos, do IGESPAR e DRCLVT;

-Explora a cidade histórica e o seu património para fins comerciais;

-Revela insensibilidade aos bens culturais classificados;

-Promove más práticas de marketing e publicidade.

Esta mega tela de publicidade, mal disfarçada de «comunicação» da RENOVA (como lhe chama a empresa), é um atentado ao património classificado, uma ofensa a Lisboa.

É uma vergonha que uma marca portuguesa e a CML sejam cúmplices de uma intervenção que desfigura o património arquitectónico de Lisboa. Seria impossível instalar uma tela de publicidade destas numa praça de igual importância em Paris, Londres, Viena ou Roma.

Resta aos cidadãos prevenir que situações como esta se repitam no futuro. Devemos estar atentos e não hesitar em recorrer a todos os meios legais para proteger e salvaguardar o património classificado. A lei do Património existe para ser cumprida e não para ser ignorada ou contornada.

Saturday, July 18, 2009

«as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras»

Exposição: Pancho Guedes — Vitruvius Mozambicanus
Museu Colecção Berardo - Centro Cultural de Belém
18 Maio - 16 Agosto

Aberto todos os dias, das 10h às 19h. Entrada gratuita

«Em toda a parte as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras, quase como os aeroportos. Não é através de regras, dogmas, ditames, piruetas ou assasinatos que a cidade será devolvida aos seus cidadãos. Só através do poder da imaginação a cidade se tornará maravilhosa.

Os passeios da minha infância - aqueles passeios portugueses em calçada preta e branca - deram-me a possibilidade de ver como uma cidade pode ser transformada numa cadeia de delícias.

Quando voltei a casa vindo de África pela primeira vez, aos seis anos, as ruas íngremes, os elevadores disfarçados de eléctricos horizontais, e os eléctricos propriamente ditos, barulhentos e com campainhas a tinir, os pátios e átrios de pastelarias e cafés, a Rossio movimentado, atafulhado com fontes, com a sua enorme coluna, os anúncios, os sinais de trânsito (cheios de pombos) e o enorme e plano Terreiro do Paço (uma imensidão a seguir à grelha apertada da Baixa pombalina) fizeram-me compreender Lisboa e viver nela como se fosse a minha casa.»

Nesta exposição, Pancho Guedes (n. 1925, Lisboa) reúne a sua prodigiosa e original produção de desenhos, quadros e esculturas e mostra como estes contribuíram para as formas, as ideias e o espírito das muitas arquitecturas diferentes e pessoais que criou. A sua ligação com África, sobretudo com Moçambique, permitiu que Pancho se libertasse dos constrangimentos mais restritos das ideias habituais sobre a arte.

As arquitecturas de Pancho Guedes vão de explorações extravagantemente opulentas e pessoais do espaço e da forma, nas quais as artes plásticas se misturam e se fundem, até edifícios austeros e esparsos desenhados para respeitar condições financeiras difíceis e rigorosas, sem limites claramente identificáveis. Em todos os casos, as criações resultantes não são de forma alguma diminuídas pelas circunstâncias da sua materialização. Todas as suas criações se encontram imbuídas de almas individuais, distintas, que falam e sorriem orgulhosamente, mesmo quando diminuídas pela idade e pelo uso abusivo. Pancho Guedes continua a desenhar, a melhorar e a construir modelos dos seus edifícios, mesmo os há muito construídos. A relação com a vida de muitas das suas obras está, assim, liberta do seu objectivo restrito, e estas encontram facilmente o caminho para a escultura, a pintura e o desenho, e também para conversas exageradas.


Foto: Rua Ivens, 1-15. A sistemática demolição do património arquitectónico é uma das razões da perda de personalidade das cidades.

Friday, July 17, 2009

LISBOA É...

...um largo no coração do centro histórico de Lisboa transformado em parque de estacionamento ilegal. É o Largo Rafael Bordalo Pinheiro à hora do almoço (mas à noite ainda é pior, particularmente ao fim de semana). Para quando a devolução deste largo no Chiado à cidade? Apenas uma das viaturas na imagem está em circulação - qual delas é? E reparem bem no sinal vertical a proibir o estacionamento, reduzido a patético emblema da impunidade que reina no espaço público da capital!

Ainda, e sempre, o Terreiro do Paço:

Tuesday, July 14, 2009

RUA DA EMENDA ou RUA SEM EMENDA?

Na RUA DA EMENDA é assim quase todos os dias: os peões nas faixas de rodagem e os veículos automóveis nos passeios e passadeiras. Se não conseguimos alterar esta anomalia então que se altere a toponímia do arruamento. Que se assuma a nova «Rua Sem Emenda». A CML tenta justificar os elevados custos na construção de parques de estacionamento subterrâneo com a ideia civilizada da devolução do espaço público aos cidadãos. Mas o que acontece em demasiados casos é que, e logo após a inauguração do novo parque, os passeios num raio de 50m são tomados de assalto pelo estacionamento selvagem. A razão é simples como sabemos: os portugueses estão habituados a estacionar as suas viaturas de transporte privado, gratuitamente e em qualquer lado, desde a década de 60. A entrada para o parque no Largo de Camões fica a 20 metros deste arruamento.

Saturday, July 4, 2009

LISBOA: última na lista das 25 Most Livable Cities 2009

The World's Top 25 Most Livable Cities - 2009
Monocle Issue 25 Volume 3 - July/August 2009

"The Portuguese capital is beginning to make the most of the sunshine and its urban environment. But crime rates remain high and it's still a bit on the sleepy side"

(texto no início do artigo, onde todas as 25 cidades são apresentadas).

LISBON
No. 25 (2008 ranking: 24)

Lisbon comes last but we're looking forward to seeing how plans develop. Lisbon has raised its cultural credentials by inaugurating art galleries, two film festivals and think tanks such as the LX Factory. Of course, becoming edgier has its downside - burglaries are up 25 per cent.

Officials have also begun tastefully restoring kiosks in the city's parks and squares, which provide a sharp contrast to the city's air-conditioned malls. Greens have something to cheer about as bike sharing is on the agenda and cycle paths are set for the waterfront.

Even more promising is the redevelopment of the Parque Mayer theatre district. A local architect is planning pedestrianised streets and lifts to link to the Principe Real neighbourhood (see Monocle June 2009) and its independent shopkeepers.


Foto: Imóvel pombalino degradado na Rua Serpa Pinto. Lisboa, cidade repelente ou atraente?

Monday, June 29, 2009

LX três semanas depois das eleições para o PE



Praça da Figueira. Praça dos Restauradores. Praça do Areeiro. Outras praças da capital, como a do Marquês de Pombal e a de Entrecampos, estão iguais. Mais uma vez, não se respeitou a Lei do Património Cultural. Mais uma vez, a Carta Municipal do Património anexa ao PDM foi ignorada. Monumentos e zonas urbanas classificadas são tratadas como se fossem apenas mais um edifício ou arruamento. Vamos ter propaganda contínua e permanente até ao final do ano? A Comissão Nacional de Eleições está de férias? A quem compete fiscalizar a implantação dos cartazes?

Sunday, June 28, 2009

CHURRARIA DELGADO na companhia de Monumentos Nacionais

CHURRARIA DELGADO na companhia de Monumentos Nacionais

Atrás, o Palácio da Independência, classificado Monumento Nacional (MN);

Mesmo em frente, os imóveis da Praça D. Pedro IV, classificada Imóvel de Interesse Público (IIP) mas Em Vias de classificação para MN;

Do lado direito, a Igreja de S. Domingos, classificada MN;

Do lado esquerdo, o Teatro Nacional de D. Maria II, classificado MN.

Toda esta área urbana tem ainda a pretensão de vir a ser classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.

De facto, e analisando bem, este é o melhor local para se instalar um quiosque do tipo «Churraria Delgado».

Saturday, June 27, 2009

PUBLI-CIDADE: Rua do Carmo

Já nem o chão de Lisboa escapa ao apetite das grandes empresas... nem à falta de critério da CML... nem à apatia dos cidadãos? Se pudessem, pintavam o céu de Lisboa! Marketing agressivo à solta!

Saturday, June 20, 2009

THE CARBON COUNTER: Times Square billboard counts Carbon build up

National debt used to be the big number we all lived in fear of. Now it's greenhouse gases.

Climate change is likely to have all sorts of nasty consequences over the next century—among them, according to a brand-new report from the U.S. Global Change Research program, an increase in torrential downpours in the American northeast.

So it was uncomfortably fitting that a major climate-consciousness-raising event took place in just such a downpour. As reporters and dignitaries huddled under leaky tents just outside New York's Madison Square Garden on Thursday, Deutche Bank switched on its mammoth Carbon Counter billboard. The counter, towering 70 feet above busy Seventh Avenue and dramatically visible to hundreds of thousands of commuters who take the train to and from Penn Station, displays a real-time count of heat-trapping greenhouse gases we're pumping into the atmosphere—about 2 billion metric tons every month, added to the 3.6 trillion tons already floating around up there.

How do they know it's 2 billion tons? Actually, they know it isn't. Although carbon dioxide is by far the most significant human-generated greenhouse gas, it isn't the only one. Methane, generated by ruminating cows and rice paddies is another; nitrous oxide, created in making fertilizer, is another; so are halocarbons, used as refrigerants. If you really want to know about how much heat we're trapping, you have to take these into account too—and that's what Deutche Bank and its scientific advisers from MIT wanted to do.

It's complicated, though. For one thing, each of these gases traps heat at a different rate (OK, they really trap infrared radiation, but it ends up amounting to the same thing). Methane, for example, is a much more efficient energy-trapper than CO2; it's just that we emit a lot less of it. Each of these gases, moreover, degrades in the atmosphere at a different speed. That means you can't just add them up. "It's like you give someone a hundred dollars," says MIT atmospheric scientist Ron Prinn, "but it's a mix of Australian and Canadian and U.S. dollars. "You have to make some conversions before you know what it's worth." For the Carbon Counter, those conversions run into many pages of equations, at the end of which you get a number representing the "CO2 equivalent" of 20 different gases. Add them up, and you're at 2 billion tons monthly.

That's a big number, certainly, but what exactly does it mean? Most popular accounts of climate change don't talk about tons; they talk about parts-per-million—the number of CO2 or other molecules you'd find in a million molecules of atmosphere. CO2 was at about 280ppm back in 1700; it's now at 386 and rising. For perspective, climate scientists believe that if CO2 rises to 450ppm or so, the global average temperature could rise as much as 2 degrees Celsius, with serious consequences (and heavy rainstorms are hardly the worst).

But if you factor in the other greenhouse gases, we're already at 450, or pretty close to it. That being the case, you'd think we'd already be seeing dramatically rising seas and severe weather changes. There are two reasons why we aren't. First, it takes a while for heat to build up once the gases are up there. Second, and more important, the Carbon Counter doesn't take aerosols into account. These are tiny particles of soot, sulfur dioxide and other pollutants spewed into the air along with greenhouse gases. "The problem with these," says Bill Chameides, dean of Duke University's Nicholas School of the Environment, "is that some aerosols tend to cool the planet, some tend to warm it, and some interact with clouds in ways we don't understand."

That's the good news. The bad news is that aerosols cause their own problems— lung disease and acid rain, just to name a couple. Presumably, we'll be trying to limit those emissions in the future, which will leave the greenhouse gases to do their thing without interference.

By leaving some factors out, the Carbon Counter is by definition somewhat inaccurate. But since most of us don't know what 3.6 trillion tons of carbon or carbon-equivalent or whatever actually means, it hardly matters. It's a big number, and it's getting bigger, fast. Deutche Bank and the MIT folks hope that seeing these huge numbers scroll by on a giant billboard will make people more aware of what we're doing to the planet, just as billboards with the U.S. national debt try to raise awareness about another scary number.

Given how much people pay attention to the debt, though, let's hope this one is more effective.

In NEWSWEEK, 19 de Junho de 2009

Foto: O novo «carbon billboard» instalado em Times Square, Nova Iorque.

Nota: Vamos sugerir ao Presidente da CML, e ao Vereador do Ambiente, que instale semelhante painel em frente, por exemplo, da sede do ACP. Ou, em alteranativa, em vez da tela de publicidade da Renova no ROSSIO.

Thursday, June 18, 2009

PUBLI-CIDADE: Rua Garrett

Mais um lamentável, vergonhoso exemplo de Lisboa enquanto PUBLI-CIDADE. Em qualquer outra capital da União Europeia, a regra para as telas de protecção de obras no centro histórico é muito clara e igual para todos: devem reproduzir a fachada do imóvel em obra. Em Lisboa, em pleno Chiado, na Rua Garrett, é permitido uma tela de publicidade desta dimensão? Lisboa sem regulamento ou sem vontade política? A total inoperância das instituições que devem zelar pela protecção e respeito do património classificado? A CML licenciou? O IGESPAR deu parecer positivo?

Wednesday, June 17, 2009

Presidente do ACP desvenda o seu sonho para a Av. Ribeira das Naus

O presidente do ACP, Carlos Barbosa, desvendou ontem o seu sonho para a Avenida da Ribeira das Naus, Avenida Vinte e Quatro de Julho e Avenida Infante D. Henrique (ver visualização em cima): um total de 20 faixas de rodagem, sobre um mega-estacionamento subterrâneo com capacidade para 55 mil lugares.

Monday, June 15, 2009

«FESTAS da PUBLI-CIDADE» no ROSSIO?




Ainda a respeito da grande tela de publicidade que cobre a totalidade da fachada de um imóvel classificado IIP (e Em vias de classificação MN) no Rossio - Praça D. Pedro IV, 10 a 12 torneja Rua do Ouro, 286 a 296, aqui publicamos quatro novas imagens do imóvel, e da sua envolvente, durante as «Festas de Lisboa». Como poderão constatar, a Renova teve companhia: a Chevrolet deu o ar da sua graça. Estamos perante dois péssimos exemplos de desrespeito pelo património classificado. Em ambos os casos a Câmara Municipal de Lisboa emitiu as necessárias licenças. Resta apenas saber qual a posição do organismo criado pelo Estado Português para classificar e salvaguardar o património nacional: IGESPAR. Aguardamos esclarecimentos.

Tuesday, June 9, 2009

CRITÉRIOS DA BAIXA: «Promoções»

Finalmente, o Núcleo de Fiscalização da CML actuou! Na passada 2ª feira procedeu à entrega das notificações para remoção em 24h de todos os dispositivos ilegais na Praça da Figueira. Hoje 3ª feira, o mesmo núcleo tinha agendado acções de remoção coerciva. A pergunta que fazemos é: porque razão a CML tolerou aquele caos de dispositivos de publicidade ilegal durante tantos anos?

Monday, June 8, 2009

RUA DA EMENDA ou RUA SEM EMENDA?


Na RUA DA EMENDA é assim quase todos os dias. Os peões nas faixas de rodagem e os veículos automóveis nos passeios e passadeiras. Se não conseguimos alterar isto então que se altere a toponímia do arruamento. Que se assuma a nova «Rua Sem Emenda». Nota: esta passadeira fica no cruzamento com a Rua da Horta Sêca, junto ao Ministério da Economia (a grade amarela pertence ao ME).

Ourivesaria patrimonial em Guimarães

In Público (7/6/2009)

Por António Sérgio Rosa de Carvalho

«O anúncio de um acontecimento de relevo para o prestígio e a imagem do país tomou lugar praticamente desapercebido. Refiro-me à comprovação de que Guimarães irá ser a Capital Europeia da Cultura em 2012.
Guimarães é uma das únicas cidades portuguesas que apresentam um centro histórico completamente restaurado (em lugar de "recuperado") e completamente habitado. E aqui refiro-me a um conceito de reabilitação urbana rigoroso baseado no restauro e não num conceito vago de "recuperação" que permite todas as aventuras interpretativas, "criativas" e "modernas".
Assim, a reconstituição da imagem histórica foi conseguida, desenvolvendo um restauro de tipologias, portas, janelas, coberturas, interiores, com grande atenção para a autenticidade dos materiais, dos detalhes e pormenores, num exercício de ourivesaria patrimonial em cada edifício, transformando todo o conjunto numa grande jóia, agora reconhecida na sua qualidade.
Claro que, com uma estratégia de repovoamento integrada, aqui temos a receita para a auto-estima das populações, a identidade local, o prestígio do reconhecimento internacional. Para o conseguir foi necessário um planeamento. O desenvolvimento de uma carta de princípios e regras a seguir para todo o centro, capaz de garantir coerência na diversidade e unidade na variedade. Tudo aquilo que Lisboa não tem.
Além da destruição sistemática da Lisboa romântica a que se tem vindo a assistir, determinada pelos eleitos e com a indiferente conivência do Igespar, depois do anúncio pela sr.ª prof.ª Raquel Henriques da Silva, em conferência, que o projecto da candidatura a Património Mundial estava morto e enterrado, a Baixa, além de abandonada e apodrecida, encontra-se à deriva. Isso é bem visível, aliás, nas intervenções na Baixa, onde cada um faz o que quer.
No entanto, e curiosamente, a Câmara de Lisboa tem ao longo dos anos acumulado uma experiência patrimonial em conhecimento estético e técnico, através do trabalho das suas Unidades de Projecto nos bairros históricos, inegável.
Com efeito, as intervenções das Unidades de Projecto no edificado histórico, no meio do caos e da confusão de valores, determinada pela ausência de arquitectos especializados exclusivamente no restauro, que tem caracterizado as intervenções no geral, sobressaem pela positiva, pois são aquelas em todos os aspectos que mais se tem aproximado duma atitude de restauro.
Mas, infelizmente, esta sabedoria não tem sido aproveitada de forma contínua, coerente e independente, pois as chefias que controlam as mesmas unidades variam com os ciclos políticos.
Tomando assim lugar o conhecido e desesperante fenómeno da "reinvenção" do país em cada ciclo político, com as conhecidas consequências desmotivadoras e efeitos perversos de esbanjamento irresponsável de recursos financeiros e humanos.
Voltando ao Igespar, poder-se-á perguntar: depois da integração da DGMN no inoperante Ippar, criando o pesado paquiderme a que se chama Igespar, qual o resultado na eficácia? Para mais sabendo que a inoperância e a grave falta de efectividade é agravada, em cada ciclo político, pela "reinvenção da pólvora" num processo afirmativo, apenas com objectivos políticos, num método de tabula rasa.
Quanto tempo poderá aguentar o país ainda este estado de coisas?
Enquanto isso, por cada viagem que fazemos à Europa, ao nos serem revelados centros históricos magníficos na sua qualidade de conservação e restauro, cidades ocupadas e vividas, em plena habitação, com pulsantes dinâmicas culturais e actividades económicas, trazemos incrédulos como troféus imagens que exibimos aos amigos, como se vivêssemos noutro continente, noutro planeta, noutra galáxia.
Historiador de Arquitectura »

Friday, June 5, 2009

CRITÉRIOS DA BAIXA: «Tranquilidade»...


A Renova não está sózinha no crime de atentar contra o património arquitectonico classificado de Lisboa. Basta passar na Rua dos Sapateiros para ver dois mega dispositivos de publicidade da Tranquilidade/imobilário. Num arruamento classificado IIP, «Em Vias de Clasificação» para MN, e parte integrante da Baixa Pombalina candidata a classificação pela UNESCO. São estes os critérios de gestão de uma zona MN? É com estes exemplos que queremos convencer a UNESCO que estamos sérios quanto à candidatura a Património Mundial da Humanidade? Isto é legal? Foi licenciado pela CML? E o IGESPAR? O que se passa?

Projecto para o Terreiro do Paço "desvirtua con ceito de praça barroca"

In Público (5/6/2009)

«A directora do Museu dos Coches, Silvana Bessone, entende que o projecto de reformulação do Terreiro do Paço "desvirtua o conceito de praça barroca" que presidiu à criação da Praça do Comércio após o terramoto de 1755.
"Achei o desenho horrível e como historiadora de arte fiquei impressionada", diz Silvana Bessone, que assinou ontem a petição online a exigir a abertura de uma discussão pública sobre o futuro da principal praça do país. Uma pretensão que não é bem acolhida pela Sociedade Frente Tejo, entidade de capitais exclusivamente públicos criada pelo Governo para reabilitar este e outros troços da zona ribeirinha de Lisboa. "Pela lei não somos obrigados a fazê-lo, uma vez que se trata de um projecto e não de um plano. Mesmo assim, abrimos um processo de participação pública nesta fase inicial do projecto, que é a do estudo prévio", refere a porta-voz da sociedade, Maria João Rocha.

A directora do Museu dos Coches explica que a Praça do Comércio "foi feita de propósito para ali fazer passar os grandes cortejos do fausto barroco [com carruagens puxadas por cavalos], que davam voltas em redor da placa central e subiam depois pela Rua da Prata ou pela Rua do Ouro". Por isso, "transformar aquilo novamente num terreiro", o Terreiro do Paço que ali existia antes do terramoto, "não faz sentido". Da mesma forma, o corredor de pedra que o projecto prevê que venha a ligar o arco da Rua Augusta ao Cais das Colunas "é um disparate", tal como a anunciada valorização da estátua de D. José com alguns degraus em seu redor.
Silvana Bessone faz um apelo: que antes de ser tomada qualquer decisão precipitada o assunto seja discutido não apenas pelos cidadãos como por um painel de especialistas - historiadores de arte, arquitectos, urbanistas, olisipógrafos - que possa indicar um rumo a seguir na reabilitação da praça. De facto, existe um painel de especialistas que já transmitiu ao autor do projecto, o arquitecto Bruno Soares, as suas impressões sobre o seu trabalho. E o PÚBLICO sabe que levantaram várias objecções. "Não vamos revelar publicamente o conteúdo deste debate interno com os especialistas, senão ele deixaria de ser produtivo", diz a porta-voz da Sociedade Frente Tejo. Objecções ao projecto levantaram igualmente vários serviços camarários. Num parecer que emitiu sobre o assunto, o director municipal de Conservação e Reabilitação Urbana, Catarino Tavares, entende que a sobriedade e a simplicidade da imagem pombalina dificilmente se coadunam com a variedade de materiais e de cores que Bruno Soares previa inicialmente que fossem usados no pavimento - "lioz, basalto, calcário, vermelho e amarelo, granito, saibro e mármore verde". Este será um dos aspectos que o arquitecto estará a reformular até ao próximo dia 26 (ver outro texto).
"Deverá meditar-se sobre os materiais a aplicar e as soluções propostas para os desníveis [previstos para o pavimento] junto do torreão poente", conclui o responsável camarário, que elogia a prioridade que o projecto confere aos peões, "não incluindo qualquer obstáculo" à sua circulação. A.H.»

Thursday, June 4, 2009

PUBLI-CIDADE: Praça da Figueira


BAIXA POMBALINA, classificada «Imóvel de Interesse Público» e actualmente «Em vias de classificação para Monumento Nacional?! BAIXA POMBALINA, candidata a Património Mundial da Humanidade?!

Tuesday, June 2, 2009

Licenciamento de obras em Nova Iorque

Porque razão em Portugal não se divulgam publicamente todos os dados referentes a pedidos de licenciamento de obras? Um cidadão português não pode consultar o projecto de uma nova construção enquanto este estiver em apreciação numa Câmara. Porquê tanto secretismo? Para piorar a situação, muitas vezes o «AVISO», que é afixado no local da futura obra, nem sequer é preenchido! Em Nova Iorque (na imagem) é obrigatorio por lei afixar no local todos os detalhes da operação urbanística que se pretende efectuar, desde o nome e contactos do proprietário até à discrimininação exaustiva da intervenção para a qual se pediu licenciamento. E não se pense que isto é uma particularidade da Democracia dos EUA. Em Londres é exactamente o mesmo. Se um proprietário quer mudar a caixilharia de uma janela, terá de afixar igualmente no local todos os documentos oficiais que entregou nas autoridades municipais (incluindo o nome e contacto telefónico do proprietário). Em alguns países, e para novas construções, é também obrigatório a divulgação de imagens, previamente e no local, dos projectos em apreciação. Exemplos de Transparência, Participação, enfim, BOAS PRÁTICAS ainda em falta no nosso país. Não é pois de admirar os problemas urbanísticos que cada vez mais caracterizam a nossa paisagem. O actual sistema alimenta a corrupção.

PUBLI-CIDADE: «ROSSIO» ou «RENOVA»?


...e o escândalo «Renova», que já dura mais de duas semanas, prossegue. Em plena zona candidata a Património Munidal da Humanidade... Lisboa no seu pior. Quem desejar reclamar à Renova pode utilizar o seguinte endereço: info@renova.pt

Thursday, May 28, 2009

Petição "Urge um debate público nacional sobre o futuro do Terreiro do Paço!"

"Petição "Urge um debate público nacional sobre o futuro do Terreiro do Paço!"

Assine em http://www.gopetition.com/online/28118.html
E divulgue!



Caro(a) Amigo(a)


Considerando a aprovação em reunião pública da CML, de 27.05.2009, do “Estudo Prévio do Terreiro do Paço”, sem que até ao momento quem de direito (CML e Governo) tenha promovido o indispensável período de debate que um projecto de espaço público desta envergadura exige (por se tratar de um projecto comprovadamente intrusivo, ex. introdução de novos materiais, desenhos e soluções arquitectónicas), facto que é agravado por se tratar do Terreiro do Paço;

E considerando que decorrem a bom ritmo as obras de preparação para a execução do Estudo Prévio agora aprovado, tornando o mesmo irreversível;

Os abaixo-assinados solicitam a quem de direito que proceda, quanto antes, à abertura de um período de discussão pública antes de se iniciar o projecto de execução ou (pelo menos) antes do concurso ser lançado.


PETIÇÃO
Urge um debate público nacional sobre o futuro do Terreiro do Paço!
Assine em http://www.gopetition.com/online/28118.html

E divulgue!

Remodelação do Terreiro do Paço arrancada a ferros na câmara

Remodelação do Terreiro do Paço arrancada a ferros na câmara
In Público (28/5/2009)
Ana Henriques

«Autor do projecto admite esbater losangos do pavimento da placa central e corredor da Rua Augusta, mas insiste em degraus e rampa


O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, foi ontem obrigado a exercer o seu voto de qualidade para conseguir fazer aprovar pela autarquia os planos de remodelação do Terreiro do Paço elaborados pelo arquitecto Bruno Soares. Além do voto de qualidade, valeu-lhe a súbita ausência de Carmona Rodrigues, cujo voto contrário ao projecto se poderia revelar decisivo, tal como a inesperada abstenção dos vereadores comunistas.

Esta sucessão de coincidências evitou que a câmara se pronunciasse negativamente sobre o trabalho de Bruno Soares - ainda que o estudo prévio que este tem vindo a apresentar tenha sido alvo de fortes críticas, quer de vários vereadores, quer de outros arquitectos (ver outro texto). Mesmo assim, Bruno Soares comprometeu-
-se a alterar alguns dos aspectos mais polémicos do projecto, esbatendo os losangos que desenhou para a placa central do Terreiro do Paço e também o corredor de pedra que iria marcar, no chão, o percurso entre o arco da Rua Augusta e o Cais das Colunas.
A respeito da sobreelevação da placa central relativamente ao Cais das Colunas, o arquitecto mantém-se na sua: apesar de todas as objecções de que a ideia tem sido alvo, insiste em criar um desnível entre a parte da pla-
ca central virada ao rio e a zona imediatamente em frente, de forma a que quem chegue da Baixa veja o rio a partir de um plano mais elevado. O desnível será vencido à custa de degraus e de uma rampa, destinada a permitir o acesso de deficientes.
Mas os desníveis na praça não ficam por aqui. Depois de ter percebido que a parte poente das arcadas está afundada porque o edifício abateu durante a sua construção, após o terramoto de 1755, Bruno Soares resolveu realçar esse desnível, hoje imperceptível, instalando uns degraus no passeio que corre junto às arcadas. O projecto prevê ainda mais degraus em redor da estátua de D. José, para salientar a sua importância. Reagindo às críticas, o arquitecto promete rever o desenho dos vários lances de escadas.
"Uma enormidade" foi a expressão que a vereadora do PSD Margarida Saavedra usou para descrever o estudo prévio de Bruno Soares. A também arquitecta entende que os degraus irão criar barreiras à circulação dos peões, fragmentando a sua unidade enquanto espaço único e amplo.
As críticas do PCP e do grupo de vereadores de Carmona Rodrigues à forma como o processo tem sido conduzido apontavam para que a contagem dos votos obrigasse à reformulação do estudo prévio. Afinal, assim não aconteceu. O movimento cívico Forum Cidadania mostrou-se estupefacto por o resultado da votação não ter tido correspondência com as posições destes vereadores. Segundo o gabinete de Carmona, a sua ausência deveu-se à necessidade de ir prestar declarações ao Ministério Público no âmbito do caso Bragaparques.
As restrições ao tráfego rodoviário na Baixa foram também aprovadas.»

Wednesday, May 27, 2009

Câmara emite parecer favorável ao estudo prévio de requalificação do Terreiro do Paço

Lisboa, 27 Mai (Lusa) - A Câmara de Lisboa decidiu hoje emitir parecer favorável sobre o estudo prévio de requalificação do Terreiro do Paço, elaborado pela Sociedade Frente Tejo, e o novo conceito de circulação na frente ribeirinha, entre Santa Apolónia e o Cais do Sodré.
O presidente da Câmara Municipal, António Costa (PS), foi obrigado a exercer o voto de qualidade para que o parecer favorável sobre o estudo prévio fosse aprovado, já que votaram contra dois vereadores de "Lisboa com Carmona" (Carmona Rodrigues estava ausente no momento da votação), três vereadores do PSD e as duas vereadoras do movimento "Cidadãos por Lisboa", enquanto os dois vereadores do PCP se abstiveram e os seis vereadores do PS e o vereador José Sá Fernandes votaram a favor.

(...)

In RTP.pt