Monday, November 16, 2009
Sunday, November 15, 2009
Chafariz da Rua de O Século (MN)
Saturday, November 14, 2009
Farmácia Progresso: DESTRUÍDA!
O mal está feito e é irreversível. Os interiores e exteriores oitocentistas da farmácia foram vandalizados e muito provavelmente perdidos para sempre. Lisboa ficou mais pobre. O que temos agora é uma banal farmácia de shopping center, que podia estar em qualquer parte do mundo. As madeiras nobres e entalhadas que os nossos antepassados criaram deram lugar aos plásticos e aglomerados de madeira barata. As caixilharias elegantes e bem desenhadas das portas foram substituídas por pesadas caixilharias de alumínio de catálogo. Com vários bons exemplos por Lisboa de actualização de antigas farmácias na Baixa e Chiado (incluíndo uma mesmo a poucos metros na R. da Escola Politécnica) porque razão os proprietários da Farmácia Progresso cometeram este crime contra o património da cidade? Porquê tanta ignorância e insensibilidade?
Friday, November 13, 2009
21 de Novembro: «PLANTAR 1 ÁRVORE»
Dia 21 de NOVEMBRO de 2009 às 10h
As árvores serão adquiridas aos viveiros florestais de Monsanto e as espécies a plantar serão autóctones, essencialmente sobreiros e azinheiras. A C.M.L. apoia a iniciativa, através da disponibilização e preparação do terreno, e também fornecendo apoio logístico e técnico no dia da plantação. As árvores serão oferecidas pela C.M.L.
Cada participante poderá plantar uma ou mais árvores. Idealmente em média pretende-se que cada pessoa plante 3 árvores de forma a atingirmos as 1000 árvores com cerca de 300 participantes.
Esta inovadora iniciativa está a ser encarada como projecto piloto. Se funcionar bem poderá ser replicado noutra escala. Os participantes nesta iniciativa serão portanto os pioneiros. Os interessados deverão inscrever-se no site http://www.plantarumaarvore.org/
Nota: esta iniciativa devia ser replicada na Baixa, ainda um "bairro careca"...
Tuesday, November 10, 2009
Sunday, November 8, 2009
LISBOA: 1 mês depois das eleições
Tudo isto ocorre num local onde é proibido afixar publicidade ou propaganda. O Chafariz do Carmo, assim como o Convento e Igreja do Carmo estão classificados "Monumento Nacional" desde 1910 e 1907 respectivamente. Esta zona urbana está ainda classificada como "Imóvel de Interesse Público" desde 1978.
Saturday, November 7, 2009
PIC-NIC nos passeios do ROSSIO
As esplanadas são um dos casos crónicos da Baixa: na sua maioria, são feias, sujas, desarrumadas, desalinhadas, carregadas de publicidade, de cores berrantes e com ar desleixado. E falta ainda referir os horrivéis dispositivos de plástico para os "menus", na maioria dos casos oferecidos por marcas de refrigerantes e de cervejas. O que é fabricado para um bar de praia ou de subúrbio é aplicado nas ruas da Baixa, classificada pelo Estado como Imóvel de Interesse Público (e candidata a Património Mundial pela UNESCO...).
Friday, November 6, 2009
QUIOSQUE VOMITANDO PUBLICIDADE
Wednesday, November 4, 2009
A única «novidade» e «mérito» do partido MMS?
Entretanto, os cartazes estão a ficar degradados, pondo em risco a segurança de pessoas. Agora na época das chuvas, e na eventualidade de cidadãos sofrerem acidentes devido à superfície escorregadia dos autocolantes, o mms irá assumir as suas responsabilidades? Quando é que o mms vai retirar todos estes cartazes do espaço público? Não podem esperar que seja o Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da CML a executar tal serviço.
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Sunday, November 1, 2009
Saturday, October 31, 2009
o novo "Arquivo da Cidade de Amesterdão"
O Arquivo da Cidade de Amesterdão foi transferido recentemente para o centro da cidade.O mais importante arquivo da cidade está desde 2007 instalado num edifício emblemático de Amesterdão, construído entre 1919 e 1926 para sede de um grande banco holandês com actividade centrada nas colónias (o equivalente ao nosso BNU).
A adaptação da antiga sede de banco a novo arquivo é exemplar. A identidade patrimonial do edifício foi preservada mas não se comprometeu a funcionalidade do novo equipamento. Exemplar também é o horário de abertura. Foi pensado de modo a que todos os munícipes tenham a possibilidade de ir ao arquivo da sua cidade: está de portas abertas aos fins-de-semana entre as 11h e as 17h.
Este exemplo de Amesterdão é particularmente relevante para Lisboa na medida em que se trata do arquivo de uma cidade da Europa com um passado colonial muito semelhante ao de Lisboa.
Nós lisboetas não podemos deixar de pensar nos vários imóveis devolutos, Municipais e do Estado, espalhados pelo centro da capital. É lamentável que as únicas ocupações em que se pensa para todo este património sejam os “hotéis de charme” ou “condomínios de luxo”.
Mas há evidências de mudança de mentalidades. Foi um bom sinal a decisão da CML instalar o MUDE - Museu do Design e da Moda na antiga sede do BNU, em plena Baixa. Esperemos agora que se tenha o bom senso de abandonar a ideia de construir um mega edifício no Vale de Santo António, um projecto bem intencionado mas pouco sustentável e numa localização excêntrica.
Lisboa ainda está na infância. Para confirmar a nossa triste realidade basta visitar o arquivo de Amesterdão no sítio na internet: http://www.stadsarchief.amsterdam.nl/
Para saber mais sobre a história do edifício (classificado "Monumento Nacional" desde 1991): www.debazelamsterdam.nl/engels/indexGB.htm
Friday, October 30, 2009
PUBLI-CIDADE: Costa & Eros
No primeiro caso: é proibida a instalação de dispositivos de propaganda e publicidade em imóveis classificados e respectivas ZEP (zona Especial de Protecção).
No segundo caso: é proibido afixar cartazes no espaço/euipamento público.
Nota: A área urbana de São Paulo está em vias de ser classificada Monumento Nacional (Baixa Pombalina) e o Chafariz Pombalino é Monumento Nacional desde 1910.
Wednesday, October 28, 2009
HOJE: 7 anos do encerramento do Arquivo Histórico de Lisboa
Faz hoje exactamente 7 anos que o pólo do Arquivo Histórico do Arquivo Municipal de Lisboa encerrou ao público. Motivo: não tem instalações.E como vai sendo habitual, não houve qualquer notícia nos Media. Já ninguém parece dar grande importância ao facto. Possíveis novos túneis, "hoteis de charme", novos silos da Emel para estacionamento ou a nova travessia do Tejo são vistos como assuntos mais relevantes.
Mas é importante recordar que desde o dia 28 de Outubro de 2002 que o Arquivo Histórico da nossa cidade não está disponível para consulta. Os munícipes de Lisboa, os restantes cidadãos do país (afinal é o arquivo da capital...) e os investigadores estrangeiros (fomos capital de um império durante séculos...) estão pura e simplesmente privados de consultar o Arquivo Histórico da cidade de Lisboa. Haverá outra capital da UE nestas condições de terceiro mundo?
Quanto aos restantes pólos: o Arquivo Intermédio está "temporariamente" arrumado nas garagens em cave de um imóvel de habitação social no Bairro da Liberdade. Quem o frequenta sabe que no inverno é comum ver a Sala de Leitura decorada com caixas de plástico recolhendo a água da chuva. Quanto ao pólo do Arco Cego, é um milagre ainda não ter sido consumido por um incêndio...
Os funcionários dos Arquivos Municipais são esquecidos e uma espécie de "parentes pobres" da máquina da autarquia.
Mas afinal, estamos a falar de um equipamento cultural. Os milhões de euros que a CML já gastou em flores para os canteiros da Av. da Liberdade assim como os milhões gastos em iluminações de Natal, teriam dado para um Arquivo Municipal como aqueles que vemos em Madrid ou Amesterdão.
Estamos na altura de exigir ao novo executivo, que tomará posse no próximo dia 3 de Novembro, uma solução para os Arquivos Municipais.
Lisboa merece um Arquivo digno da sua História.
Imagem: Atlas da Carta Topográfica de Lisboa - 1857 -Planta 26 (Largo do Rato)
Sunday, October 25, 2009
POSTAIS DA BAIXA: Rua da Padaria
Saturday, October 24, 2009
Terreiro do Paço - "Cartas de Marear", não, por favor, Sr. Presidente da CML!

Exmo. Senhor Presidente da CML,
Dr. António Costa
Passado o fervor eleitoral e renovada que foi a Presidência de V.Exa., vimos solicitar-lhe que repense o projecto em curso para o Terreiro do Paço, designadamente quanto à presença nos passeios laterais dos desenhos alusivos, segundo o autor do projecto, às cartas de marear do tempo das Descobertas.
Parece-nos um erro insistir-se neste último e despropositado pormenor da polémica, e um tremendo equívoco a sua defesa tendo em conta que o Terreiro do Paço e a sua imagética pouco ou nada terão que ver com os Descobrimentos, já que aquele foi concebido numa perspectiva Iluminista, de afirmação do Marquês e do país na Europa.
Solicitamos, por isso, a V.Exa., Sr. Presidente, que a CML não deixe de fazer ver aos autores do projecto a necessidade de se retirar do desenho final semelhante enfeite, sob pena de uma intervenção que se pretende sóbria, consensual e perene, se eternize como polémica e, por isso mesmo, susceptível de ser revista a médio ou longo prazo, com os inevitáveis custos para a cidade e para o erário público.
Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.
Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Atanásio Carvalho, António Branco Almeida, Nuno Santos Silva, Diogo Moura, Luís Serpa, Pedro Janarra, Luís Marques da Silva, José Morais Arnaud, Vasco Nobre, Jorge Santos Silva, António Sérgio Rosa de Carvalho, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Nuno Caiado, Filomena Torres e Fernando Jorge
Nota: carta enviada no dia 22 de Outubro
Foto: Imagem de Paulo Guedes, c.1910. Arquivo Municipal
Friday, October 23, 2009
Trams are making a major comeback
Trams are making a major comebackUpstaged over many years by metros, buses and cars, trams are now making a major comeback.
With its Citadis trams, Alstom is now the driving force behind this renewal of interest. Trams can greatly improve the quality of urban transport and often give a new lease of life to city centres. To date 1000 Citadis solutions have been commissioned from 24 cities around the world including Paris, Melbourne, Tunis, Algiers, Barcelona, Dublin, Madrid, Tenerife and Rotterdam. 30 other cities are also planning to introduce trams in the next three years.
Key facts about the Citadis:
-Powered by clean energy
-Carries the same number of passengers as three busses or 150 cars
-Uses 4 times less energy than a bus and 10 time less than a car
-Provides passengers with a comfortable and pleasant ride
-Uses unique onboard monitoring and passenger information system called Agate e-Media
-Each client can customise the style of their trams to reflect a city or area to best effect
-Carries the same number of passengers as three busses or 150 cars
-Uses 4 times less energy than a bus and 10 time less than a car
-Provides passengers with a comfortable and pleasant ride
-Uses unique onboard monitoring and passenger information system called Agate e-Media
-Each client can customise the style of their trams to reflect a city or area to best effect
31 October 2008
Nota: Só esta empresa já forneceu mais de 1000 eléctricos para 24 cidades, principalmente na Europa, entre 1997 e 2007. Lisboa nunca mais investiu neste tipo de transporte público desde a inauguração do eléctrico de nova geração entre a Praça da Figueira e Algés em 1995. Está na altura de Lisboa voltar a investir nos eléctricos.
Foto: os novos eléctricos para DIJON e BREST
Wednesday, October 21, 2009
MONUMENTO NESTLÉ
Tuesday, October 20, 2009
Monday, October 19, 2009
Sunday, October 18, 2009
TRAMWAY REVIVAL in EUROPE
Accessibility and liveability are the key drivers in addressing sustainable mobility issues. The city environment and its infrastructure are threatened by aerial and water-based pollution caused by current transport modes. Furthermore, the erosion of access to public spaces, gentrification and loss of urban diversity challenge socio-cultural functions.Private transport, i.e. the car, shows a growing incompatibility with accessibility and liveability. Low-emission vehicles will not deliver a sustainable solution.
Public transport systems have to embrance strategic and spatial functionality, and so address a wider range of sustainability issues, offering a de facto collective space to compensate for public space eroded by privatization and building for commercial gain. Transport systems have a long history of driving urban development.
Lately, many cities in Europe, recalling the efficiencies of nineteenth-century systems, have reintroduced trams. The modern tram is, however, a long way from its noisy, clattering ancestors. It must be different in order to lure modern commuters out of their cars.
in THE ECO-DESIGN HANDBOOK, Thames & Hudson, London, 2005
Friday, October 16, 2009
«1004 edifícios à espera de classificação»
São 1004, os pedidos "em vias de classificação" no IGESPAR. Alguns esperam desde 1985, ano em que foi criada a primeira Lei de Bases do Património Cultural, que configura a atribuição da denominação e assegura medidas de conservação e preservação dos edifícios. O Instituto já classificou 3300 edifícios segundo os critérios definidos.
"Sendo feito em contínuo, [o processo de classificação] pode demorar em média dois anos", explica ao i Maria Resende, do IGESPAR. No entanto, segundo a listagem deste organismo, disponível online há mais de mil pedidos em "vias de classificação", trinta casos em estudo e cinco monumentos considerados património, desclassificados.
Os alertas de "desclassificação" são do âmbito "da actividade própria das Direcções Regionais de Cultura, que conhecem melhor o terreno e os bens que lhes ficam próximos", explica Maria Resende. Mas, "com imóveis classificados na primeira metade do século passado", constata-se agora que estes monumentos não existem por "não terem sobrevivido ao tempo", sublinha Maria Resende, ao i.
Só em Lisboa há cerca de dois mil edifícios que integram a listagem anexa ao Plano Director Municipal (PDM), "muitos deles classificados", garante Passos Leite, coordenador da estrutura consultiva do PDM de Lisboa. "O PDM tem em anexo, o inventário municipal de património, e obviamente que, sendo este inventário de 1994, foi-se tornando obsoleto", ressalva o arquitecto. "Muitos deles estão classificados, mas a maior parte encontra-se num estado de avançada degradação" sublinha Passos Leite.
O arquitecto não acredita que a morosidade seja a maior justificação para a degradação dos edifícios e explica: "A lei das rendas que não permitiu obras, a qualidade de construção e a não manutenção dos edifícios", são as principais razões que levam à desclassificação do património, segundo o coordenador da estrutura consultiva do PDM.
Passo a passo Os pedidos de classificação de imóveis podem ser feitos por qualquer pessoa e entregues às delegações regionais, encarregues de avaliarem os imóveis em causa. "Vamos um bocadinho àquilo que nos pedem", diz ao i o arquitecto Passos Leite, acrescentando que "há edifícios dos anos 20 e 30 no Bairro Azul, em Lisboa, que estão em processo de classificação e preservação, muito pela pressão dos moradores". Cabe aos habitantes das cidades alertarem os organismos competentes. Mas, e depois? Maria Resende explica que após a avaliação regional, os pedidos seguem para o IGESPAR, que volta a avaliar os processos. No entanto, assegura que a última palavra "é dos ministros". "Há já uma grande sensibilização, e uma divisão municipal de conservar uma imagem urbana mas tendo em conta a estrutura dos bairros históricos da cidade de Lisboa", explica Passos Leite.
O IGESPAR é o responsável legal, e a nível nacional, pela classificação dos bens culturais imóveis de âmbito nacional. É a este organismo, sob a tutela do Ministério da Cultura, que chegam os pedidos regionais e a ele compete definir os critérios de carácter geral e complementar para atribuição da designação de património. Consoante o valor relativo, os bens imóveis de interesse cultural podem ser classificados como "interesse nacional" (designados "monumento nacional"), de "interesse público" ou de "interesse municipal" (classificação camarária).
"As orientações que tenho deste executivo municipal são um pouco no sentido de uma cidade mais consolidada em termos urbanísticos. E também de se evitar a todo o custo, a demolição de edifícios", sublinha Passos Leite, que aponta Helena Roseta como "um forte agente no sentido de alertar para alguns casos que mereceram a atenção" do organismo."
É preciso inverter a tendência de só recuperar as fachadas, que considero um pouco terceiro-mundista", critica o arquitecto.
Passos Leite conta ao i que a comissão faz uma a duas vistorias por semana, "e constata-se que há grandes surpresas nos interiores", acrescentando que "há alguma incultura, ainda que os autarcas e as pessoas já estejam mais sensíveis a estas questões. Lisboa tem tradição na reabilitação urbana, mas em Portugal há outros bons exemplos: Évora, Guimarães e o centro histórico do Porto cidades muito preocupadas com o património".»
in PÚBLICO, 16 de Outubro de 2009
Foto: A Praça do Comércio no verão de 2008. A Baixa e o Chiado esperam a sua classificação como Monumento Nacional. Sem isso não é possível a candidatura a património mundial da UNESCO.
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Thursday, October 15, 2009
A sangue frio
Sobre o Terreiro do Paço, aqui fica um belo texto de Fonseca e Costa:
Sou completamente avesso a intervenções de arquitectos que desfigurem obra patrimonial de grandes construtores do passado - como é o caso da Praça do Comércio, obra genial de um dos mais maiores arquitectos de Lisboa.
Imagine-se que passava pela cabeça de um pintor contemporâneo propor uma intervenção que tornasse mais "modernas" AS TENTAÇÕES DE SANTO ANTÃO, ou pela de um cineasta minimalista cortar dois planos e introduzir um feito agora num filme do Chaplin ou do Hitchcock. NINGUÉM DE BOM SENSO ESTARIA DE ACORDO.
Porquê então haver quem pense que é legítimo amputar, remodelar, alterar o que tão rigorosamente foi planeado e construído por um grande arquitecto, autor de uma das mais belas Praças do mundo ?
Acabe-se de vez com a sanha interventora dos senhores arquitectos.
Mexer na Praça do Comércio é não entender a lógica da sua colocação naquele exacto ponto da Baixa Pombalina, onde de Norte se sai pelo rio para sul ou daqui se chega a Lisboa e, pelos flancos, se liga o Oriente a Ocidente.
A Praça do Comércio abre e liga Lisboa a novos Mundos.
Os arquitectos contemporâneos que intervenham naquilo que andam fazendo.
Já se esqueceram da vergonha que foi a destruição do Eden Teatro, dessoutro grande arquitecto de Lisboa que foi Cassiano Branco ?
Aprendam a descobrir Lisboa e a luz vinda do rio-mar em que se envolve, esse Rio Tejo misteriosamente aberto num mar mediterraneo a seus pés, um mar que começa exactamente no mais belo cais com que uma cidade ao mar se possa juntar.
Só que este foi o mar que nos levou a outros mundos e também não se conhece outro cais como o Cais das Colunas - essa nossa "saudade de pedra" cuja configuração ninguém tem o direito de alterar sob pena de estar a apunhalar Lisboa.
A sangue frio.
José Fonseca e Costa
Sou completamente avesso a intervenções de arquitectos que desfigurem obra patrimonial de grandes construtores do passado - como é o caso da Praça do Comércio, obra genial de um dos mais maiores arquitectos de Lisboa.
Imagine-se que passava pela cabeça de um pintor contemporâneo propor uma intervenção que tornasse mais "modernas" AS TENTAÇÕES DE SANTO ANTÃO, ou pela de um cineasta minimalista cortar dois planos e introduzir um feito agora num filme do Chaplin ou do Hitchcock. NINGUÉM DE BOM SENSO ESTARIA DE ACORDO.
Porquê então haver quem pense que é legítimo amputar, remodelar, alterar o que tão rigorosamente foi planeado e construído por um grande arquitecto, autor de uma das mais belas Praças do mundo ?
Acabe-se de vez com a sanha interventora dos senhores arquitectos.
Mexer na Praça do Comércio é não entender a lógica da sua colocação naquele exacto ponto da Baixa Pombalina, onde de Norte se sai pelo rio para sul ou daqui se chega a Lisboa e, pelos flancos, se liga o Oriente a Ocidente.
A Praça do Comércio abre e liga Lisboa a novos Mundos.
Os arquitectos contemporâneos que intervenham naquilo que andam fazendo.
Já se esqueceram da vergonha que foi a destruição do Eden Teatro, dessoutro grande arquitecto de Lisboa que foi Cassiano Branco ?
Aprendam a descobrir Lisboa e a luz vinda do rio-mar em que se envolve, esse Rio Tejo misteriosamente aberto num mar mediterraneo a seus pés, um mar que começa exactamente no mais belo cais com que uma cidade ao mar se possa juntar.
Só que este foi o mar que nos levou a outros mundos e também não se conhece outro cais como o Cais das Colunas - essa nossa "saudade de pedra" cuja configuração ninguém tem o direito de alterar sob pena de estar a apunhalar Lisboa.
A sangue frio.
José Fonseca e Costa
Saturday, October 10, 2009
LISBOA na véspera das eleições: a opinião de Fernanda Câncio
Estou cansada de proclamações grandiosas e juras absurdas. Voto em Lisboa desde os anos 90, quando mudei o registo de eleitora para a cidade onde me fixei aos vinte.
Levo vinte e cinco de resistência ao desregramento incompreensível do trânsito e do estacionamento, à incompreensível degradação do edificado, à sujidade incompreensível das ruas, aos incompreensíveis montes de lixo junto aos contentores e aos ecopontos, ao incompreensível mau estado dos pavimentos, às incompreensíveis falhas na iluminação pública, às incompreensíveis ausências de regulação e ordenamento urbanos e arquitectónicos, à feiura incompreensível e voluntária (porque tantas vezes destruindo coisas bonitas e boas) da maioria dos estabelecimentos comerciais.
Grande parte destas coisas não são assacáveis à direcção da autarquia e suspeito que algumas das que são também terão atenuantes - do tipo "a culpa é dos serviços". Sendo que se pode e deve discutir a que ponto a culpa de os serviços serem o que são é de quem está "em cima", há uma tendência generalizada para culpar "a câmara" por tudo, tendência essa que acaba por resultar na de os candidatos à câmara fazerem pronunciamentos relativos a assuntos em que riscam pouco ou nada ou em que se arriscam a nada poder fazer. E, o que é muito mais grave, na de que todos e cada um se desresponsabilizem totalmente dos males que identificam, quando é evidente que grande parte deles se deve a todos e a cada um.
Esperar que uma entidade exterior, um "eles" qualquer, ande connosco ao colo e nos impeça de fazer aquilo que resulta por exemplo na lixarada que é esta cidade e de atulhar com automóveis tudo o que é espaço livre é o princípio de todos os nossos problemas. Haveria lixo no chão se não fosse para lá atirado? Haveria carros a mais se cada condutor não achasse ser seu direito inalienável ir de carro para todo o lado?
A cidade não é uma abstracção: somos nós. É o que fazemos dela. É até o que os discursos dela fazem. Assumir que funciona como um corpo amorfo comandado por uma só pessoa, que teria o condão de, como assevera Santana num imperdível cartaz, "acabar com o caos no trânsito", é, além de estulto, contraproducente. Como ouvir, 365 dias por ano, gente a perorar de cátedra sobre "a desertificação" e "decadência" do centro e a necessidade de "atrair" pessoas. O mesmo discurso repete-se há mais de 20 anos, como se entretanto nada tivesse mudado, como se não existisse um repovoamento do centro operado por indivíduos e não por políticas, por pessoas e não por estruturas. Como se quem fala não fizesse a menor ideia do que se passa na cidade e acreditasse numa noção imperial de desígnio - a de que só fazemos, nós, o povo, aquilo que nos instam (ou seduzem, ou obrigam) a fazer.
Das eleições de dia 11 só pode sair um presidente da câmara repetente, e isso é bom. Podemos decidir com base no que sabemos de cada um como autarca: já experimentámos o produto. Mas por mais importante que seja o resultado - e é - há uma grande parte do trabalho que é nosso. Democracia também é isso: fazermos o que nos compete, sermos cidadãos. Vem daí a palavra cidade.
(Fernanda Câncio)
(Fernanda Câncio)
"roubado" no SOS LISBOA
Foto: A pombalina Praça de São Paulo invadida por estacionamento...
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