Monday, November 15, 2010

S. Paulo pombalina: decadente, suja, esquecida, arruinada

A área da freguesia de S. Paulo é, em termos urbanos, das mais interessantes de Lisboa. Pela proximidade do rio, do Cais do Sodré, da estação de comboios, pelos dramáticos viadutos pombalinos da Rua do Alecrim e por todo o desenho urbano pombalino ainda bastante intacto. Mas apesar destes ingredientes, em teoria mais do que suficientes para a existência de um extraordinário bairro histórico europeu, o bairro está mais morto que vivo. Porque está quase tudo degradado, em ruínas decadentes e sujas. É um cenário de doença, aflitivo e deprimente. É a capital Lisboa no seu pior. Porque razão a República Portuguesa se mostra insensível, e tão incapaz, de curar, dar vida, numa palavra, HABITAR este notável bairro da capital?

Toda esta zona ribeirinha de Lisboa foi profundamente atingida pelo terramoto de 1755, tendo sido totalmente refeito o seu traçado urbano sob desenhos da Casa do Risco, criando-se uma praça rectangular com chafariz/obelisco central - a Praça de São Paulo. Na cabeceira poente da praça ergueu-se a paroquial, obra dirigida por Remígio Francisco de Abreu, assistente de Eugénio dos Santos. Atrás da praça, junto ao rio, criou-se em 1771 o novo mercado de S. Paulo, também chamado da Ribeira Nova.

A família do Marquês de Pombal possuía algumas propriedades nesta zona, tendo reconstruído os seus prédios, como aquele que fecha a praça a nascente, iniciativa do irmão de Pombal, Paulo de Carvalho e Mendonça. Deste facto resultou a designação toponímica da Rua Nova do Carvalho. Nesta zona há a destacar o grande quarteirão conhecido como Prédio dos Remolares erguido pelo Morgado de Oliveira, futuro Conde Rio Maior, genro do Marquês de Pombal.

Fotos: Travessa do Carvalho, Rua do Alecrim, Largo dos Stephens, Largo do Corpo Santo

RUA DE O SÉCULO, Rua Formosa e a família do Marquês de Pombal

Um "Século" de má gestão urbana? Vejamos: é um arruamento de elevado valor histórico (a antiga Rua Formosa); é um arruamento que apesar de estreito foi forçado a ter lugares de estacionamento à custa do direito a uma mobilidade pedonal digna e decente (a pressão é tão grande que não há semana sem registo de buracos nos passeios, sinalética derrubada, e coisas afins); é um arruamento com três palácios anteriores ao terramoto abandonados, dois deles propriedade municipal (Marim-Olhão e Marquês de Pombal / Carvalhos) e classificados como de «Interesse Público»; um chafariz pombalino classificado «Monumento Nacional» em avançado estado de degradação; etc.; Mas que cidade é esta?

Saturday, November 13, 2010

ATENÇÃO PEÕES: Rua da Conceição 75-77

AVISO: os estores nos vãos de um prédio pombalino abandonado na Rua da Conceição 75-77 estão em perigo de destacamento para a via pública. Se é peão neste arruamento, tenha muito cuidado! A Direcção Municipal de Conservação Urbana já está informada deste problema.

«Cabeçudos de Lisboa»: Rua da Alegria

Com este, no mínimo bizarro, exemplo de nova cobertura em imóvel situado em zona histórica (Rua da Alegria torneja Travessa da Conceição da Glória), iniciamos nova série com o título «Cabeçudos de Lisboa». O QUE É ISTO?! Aceitamos sugestões. Será que os edifícios património em Lisboa estão destinados a serem corridos a coberturas destas? Porque razão muitos arquitectos e proprietários têm uma aversão aguda ao restauro e reabilitação das coberturas originais? Porque são permitidas alterações da geometria das coberturas em zonas históricas consolidadas? Enviem exemplos deste mundo de absurdos para publicação aqui no blog. E nem a Baixa e o Chiado estão a salvo como sabemos.

POSTAIS DA BAIXA: Rua do Comércio

Para além do absurdo que é manter esta coluna com sinalética obsoleta, devemos ainda tomar nota do facto do dispositivo estar a tapar uma placa toponímica pombalina original - um elemento patrimonial bastante raro e portanto precioso na Baixa. Esperemos que em breve o bom senso leve a CML a desmontar esta estrutura.

Wednesday, November 10, 2010

Saturday, November 6, 2010

BE "chocado" com silêncio de Sá Fernandes sobre destino do Jardim Botânico


BE "chocado" com silêncio de Sá Fernandes sobre destino do Jardim Botânico

Plano de pormenor em discussão pública repudiado por Amigos do Jardim, por causa de construção nova e abate de espécimes. Assembleia municipal pode salvar recinto, diz Bloco

A deputada municipal do Bloco de Esquerda (BE) Rita Silva declarou-se ontem chocada com o silêncio do vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes, perante o destino do Jardim Botânico de Lisboa. O recinto tornou-se anteontem monumento nacional.

Em causa está o plano de pormenor para esta zona da cidade, que inclui também o Parque Mayer e que se encontra em discussão pública até 23 de Novembro. Para os bloquistas, os lisboetas não têm consciência dos perigos que o jardim corre se o plano for aprovado, por causa do aumento de construção previsto, quer para dentro do recinto verde, quer em seu redor.

Preocupações partilhadas pela Liga dos Amigos do Jardim numa visita guiada ao local. "Com o aumento da altura dos prédios em redor do jardim - que já está a começar -, o Jardim Botânico torna-se mais seco e mais quente no Verão, devido à falta de circulação do ar. E isso impede que algumas espécies sobrevivam", explicou Pedro Lérias, dos Amigos do Jardim.

A visita incluiu uma inspecção à zona do recinto virada à Rua do Salitre, onde, apesar das denúncias da associação às entidades competentes, os prédios continuam a expandir-se, contribuindo para aquilo que os seus membros designam por asfixia do jardim. Há mesmo uma piscina em construção a escassos metros do muro do recinto, apesar de todos os monumentos beneficiarem de uma zona de protecção. Neste caso, a impermeabilização em volta do recinto é mais um problema, explicam os Amigos do Jardim. "Se o plano de pormenor for por diante, crescerá uma cinta de prédios em redor do recinto", assegura Manuela Correia, dos Amigos do Jardim.

A par da construção, o BE também critica as demolições previstas de alguns edifícios antigos que fazem parte do jardim, como estufas e herbários. As promessas dos arquitectos responsáveis pelo plano de pormenor de que tudo será reconstruído em cima de um novo edifício de quatro andares não os convence. Nem a eles, nem ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, que levantou obstáculos às demolições. Por outro lado, salientam os Amigos, as obras implicarão abate de espécimes vegetais, alguns deles em vias de extinção. "Gostávamos muito de conhecer a opinião de Sá Fernandes sobre isto", diz Manuela Correia. Para Rita Silva, a salvação do jardim está nas mãos da assembleia municipal, que ainda pode chumbar o plano. O PÚBLICO tentou, sem sucesso, ouvir os autores do plano. in Público, 6 de Novembro de 2010

Fotos (cortesia da Liga dos Amigos do Jardim Botânico): impermeabilização da área de protecção do Jardim Botânico já está a ser feita nos logradouros dos imóveis da Rua do Salitre. Se o Plano de Pormenor avançar, a impermeabilização será em grande escala e passará a incluir também os logradouros da Rua da Escola Politécnica e Rua da Alegria. Nas imagens vemos obras de impermeabilização dos logradouros da Rua do Salitre 143 a 157. Apesar da distância, é bom recordar que todos os m2 de solo impermeabilizado a montante da Baixa terão consequências graves na Baixa.

Friday, November 5, 2010

«AVENIDA» 24 DE JULHO?

As placas toponímicas dizem que é uma «AVENIDA»... No séc. XIX foi de facto pensada como grande boulevard arborizado à beira rio para passeio dos lisboetas. Foi por aqui também que passou a primeira linha de eléctricos da capital. Mas como chegou aos nossos dias? Reduzida a uma espécie de IP dentro da cidade. É apenas um arruamento em que os automóveis são imperadores. Já repararam nos micro passeios? Todos concordam, esta avenida tem excesso de faixas de rodagem. Quando uma cidade, capital, deixa as suas avenidas serem transformadas nisto, é porque o estilo de vida dominante está esgotado, podre, obsoleto. A Avenida 24 de Julho está doente. E enquanto Lisboa mostrar arruamentos com estes agudos sintomas, Lisboa está doente.

Tuesday, November 2, 2010

POSTAIS DA BAIXA: Rua de Santa Justa

O cruzamento da Rua de Santa Justa com a Rua da Prata depois das inundações do dia 29 de Outubro... Continuem a atrefa irresponsável de impermeabilizar logradouros para caves de estacionamento. Por mais disfarçados que sejam de "jardins suspensos", uma laje de betão com cobertura de relva e arbustos nunca cumprirá as funções vitais de um autêntico logradouro.

Sunday, October 31, 2010

Autocarros de turismo provocam caos no Largo da Sé

A aparente falta de gestão do acesso de autocarros de turismo ao Largo da Sé é chocante. Em qualquer cidade civilizada da Europa não se permitiria o acesso de veículos destas dimensões e escala ao centro histórico de génese antiga e respectivos monumentos nacionais. Porque é que em Lisboa ainda permitimos estes cenários caoticos? Não deviam os autocarros de turismo desta dimensão estacionar na parte baixa da cidade, como por exemplo no Campo das Cebolas? Exmo. Senhor Vereador da Mobilidade: este problema está a ser estudado? Estas imagens retratam o caos habitual no Largo da Sé. A circulação do eléctrico 28 e do autocarro 737 fica interrompida durante as lentas e complexas manobras dos autocarros de turismo - algo que ocorre com demasiada frequência. E se uma ambulância ou carro de bombeiros precisar de circular neste cenário? Aguarda com paciência? Precisamos de resolver este problema antes que aconteça uma desgraça.

Friday, October 29, 2010

Porque temos parques de estacionamento vazios nas nossas cidades?







Em Estremoz deparamos, como é habitual em quase todas as cidades do nosso país, com situações que põem qualquer peão consciente à beira de um ataque de nervos. Vejamos um caso concreto, autêntico paradigma do estatuto do peão versus automóvel. A Câmara Municipal de Estremoz, consciente do excesso de automóveis estacionados no centro histórico (Estremoz é uma cidade cercada por uma cintura de muralhas) tem feito alguns esforços para libertar os arruamentos de génese medieval da presença dos carros. Por exemplo, criou um parque de estacionamento gratuito mesmo à saida da Porta dos Currais. No entanto, e como se pode ver pelas imagens, este parque está praticamente vazio. Porquê? O problema ocorre também, como bem sabemos, em Lisboa. O Parque das Portas do Sol em Alfama que custou 4,5 milhões de euros é um dos casos mais falados.

Depois de muitas décadas a permitir que os cidadãos estacionem gratuitamente e livremente à porta de suas casas, é muito difícil alterar este comportamento. Claro que não é impossível, mas exige muita coragem política. Tanto no exemplo de Estremoz como no de Lisboa, enquanto as Câmaras fecharem os olhos ao estacionamento selvagem nos arruamentos em redor dos novos parques, nada irá mudar. Porque razão os novos parques não são acompanhados de obras de reperfilamento das ruas com a natural supressão de lugares de estacionamento em benefício dos peões (e TODOS somos peões)? Porque razão não se alargam passeios e instalam pilaretes de protecção dos canais pedonais?

Este mau comportamento - porque insustentável - criou raízes profundas graças à falta de planeamento, de visão estratégica dos sucessivos governos e municípios. Agora estão reféns de milhões de eleitores que não querem alterar um modelo de mobilidade, um estilo de vida, centrado na sua viatura de transporte privado. Governos e municípios andam a gastar milhões de euros para ter parques de estacionamento vazios e as ruas cada vez mais congestionadas com carros.

E querem apostar que o novo Parque de estacionamento da EMEL, no antigo mercado do Chão do Loureiro, irá sofrer do mesmo mal do seu irmão mais velho das Portas do Sol?

Tuesday, October 12, 2010

Diga «LISBOA»: Rua da Saudade

Há cada vez mais fogos abandonados em toda a zona central e mais nobre da nossa capital. Os nossos políticos não conseguem estancar o problema. A nossa sociedade civil não sabe reagir. Lisboa já tem menos de 500 mil habitantes. Que solução propõe o Vereador Manuel Salgado? Um novo PDM que convida todos à demolição do património arquitectónico para dar lugar À construção nova e a destruição dos logradouros para caves de estacionamneto de viaturas de transporte particular.

Sunday, October 10, 2010

Largo do Corpo Santo ou Largo do Carro Santo?


Largo do Corpo Santo? Parece mais um exemplo lisboeta de "Largo do Carro Santo"!

Toda esta bela praça de génese pombalina está há demasiadas décadas transformada numa placa de circulação rodoviária. Tudo o mais é um parque de estacionamento feito em cima do joelho.

Não há uma única árvore ou equipamentos (bancos de jardim?) para os cidadãos usufruirem do que é suposto ser um «espaço público histórico» segundo o PDM em vigor. Os passeios foram reduzidos à sua expresão mínima. E chegaram ao cúmulo de criar lugares de estacionamento mesmo em frente da entrada principal da igreja!

Que outra capital da europa trata assim os seus espaços públicos de referência?

E isto acontece a poucos metros da Praça do Município, sede do governo da cidade de Lisboa.

Friday, October 8, 2010

POSTAL DA AVENIDA: «stop especulação»

Gaveto da Avenida da Liberdade com a Rua das Pretas. Um novo, e banal, edifício de serviços erguido sob os escombros de um exemplar da arquitectura lisboeta dos finais do séc. XIX/início do séc. XX. O património arquitectonico da avenida está praticamente reduzido a uma dúzia de imóveis dignos dessa classificação. Tudo o resto que tem surgido nos últimos 30/40 anos não passa de um catálogo do pior que a capital faz em matéria de imobiliário. Desde criminosas demolições integrais, ao preverso "fachadismo" e pseudo "traça antiga", passando pelo despachado e autista "corporate business" até ao patético PoMo, quase tudo o que não se devia fazer numa avenida histórica foi concretizado sem grandes hesitações. O novo PUALZE pouco ou nada fará para alterar este cenário.

Tuesday, October 5, 2010

A República Portuguesa faz 100 anos: HEMEROTECA em ruínas

Está assim neste estado o edifício da Hemeroteca Municipal de Lisboa. Desde o século passado que a capital aguarda pelo início das obras de reabilitação e modernização do antigo palacete na Rua de S. Pedro de Alcântara. O proprietário do imóvel é, mais uma vez, a CML. Será que as obras estarão terminadas a tempo do segundo centenário da República em 2110? Quando é que a Hemeroteca Municipal - que alberga verdadeiros tesouros dos primórdios do movimento Repúblicano - estará dignamente instalada? No dia do primeiro centenário podemos afirmar, com toda a certeza, que o Governo e o Município da República Portuguesa falharam na salvaguarda e preservação da Hemeroteca Municipal de Lisboa de acordo com os padrões internacionais.

A bandeira da República Portuguesa nos Paços do Concelho

A Bandeira Nacional, na fachada dos Paços do Concelho, vista da Calçada de São Francisco no Chiado. Esta bandeira não parece ter paz... Enfim, talvez este seja um retrato fiel do estado actual da República Portuguesa. Que os próximos 100 anos sejam melhores.

A República Portuguesa faz 100 anos

A República Portuguesa faz 100 anos

Loja do Cidadão, Praça dos Restauradores

Friday, October 1, 2010

Terreiro do Paço acolhe espectáculo multimédia

In Jornal de Notícias (1/10/2010)
Telma Roque


«Todas as noites, entre hoje, sexta-feira, e domingo, o Terreiro do Paço estará transformado numa gigantesca máquina do tempo através de um espectáculo multimédia que recriará momentos marcantes da história da capital. Um deles é o terramoto. Os edifícios vão mesmo ruir, haverá gritos de horror, violentos incêndios, mas tudo não passará de efeitos especiais que dão uma sensação de filme a três dimensões.

Inédito no país, o espectáculo, com animação e efeitos de vídeo ?mapping?, acaba por não ter paralelo também a nível internacional, pela dimensão da zona de projecção.

A Sociedade Frente Tejo, a quem foi entregue a requalificação da frente ribeirinha de Lisboa, vai usar como tela toda a fachada do Arco da Rua Augusta, entre as ruas do Ouro e da Prata.

De acordo com a Frente Tejo, os espectáculos ? dois por noite, às 21.30 e meia-noite, com a duração de 10 minutos ? têm uma dupla finalidade. Além de estarem inseridos nas comemorações do Centenário da República, acabam também por ser o primeiro grande evento num espaço que foi recentemente requalificado.

“Esta é uma iniciativa para as pessoas e com as pessoas. Será também uma marca indelével e afectiva das pessoas em relação ao novo espaço e um primeiro passo para a utilização lúdica do local, tanto diurna como nocturna”, justifica a Sociedade Frente Tejo.»

Thursday, September 30, 2010

Acto digno de ópera-bufa


Da opera-buffa em que vivemos, foi o de ontem, pelas 17h, era hasteada esta bandeira portuguesa (foto VB), do cimo do arco da Rua Augusta, com a presença de sec. estado e fanfarra da GNR. Hoje, os cabos rebentaram e a bandeira foi-se. Quantos € deitados à rua?

POSTA DA BAIXA: Rua da Madalena

A Rua da Madalena vai ficar na história da má governação camarária. Começou com o Dr. Pedro Santana Lopes mas ainda não acabou com o Dr. António Costa... «Vira o disco e toca o mesmo?» afirma um morador deste arruamento. Quando os presidentes de câmara se lançam em heroísmos balofos é este o cenário (perpétuo?) onde somos forçados a viver. Com certeza que os fundos gastos pelo actual executivo nestas faixas de publicidade teriam sido suficientes para concluir as obras de pelo menos um imóvel na Rua da Madalena.

Friday, September 24, 2010

PUBLI-CIDADE: bem e mal no mesmo bairro

A propósito da insensível tela de publicidade H&M que cobre o prédio pombalino da LIVRARIA BERTRAND ao lado da Igreja dos Mártires, publicamos aqui um bom exemplo de uma tela que protege uma obra na Rua da Madalena. Lisboa até sabe como fazer bem mas escolhe demasiadas vezes fazer mal. Quem devia salvaguardar os valores patrimoniais, muitas vezes aprova o pior para Lisboa. No caso do edifício da Bertrand, por estar mesmo ao lado da Igreja dos Mártires, havia razões acrescidas para a CML não aprovar uma tela de publicidade tão ostensiva.
Nota: foto da tela do edifício Bertrand retirada do Lisboa SOS.